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Eli Joory e Maria Teresa Madeira – CD “Com a corda toda”

Eli Joory e Maria Teresa Madeira se apresentam ao vivo no estúdio da Rádio Nacional tocando composições eruditas do CD “Com a corda toda”.

Sexta-feira, 13/12, é dia do mini recital e entrevista com o compositor e instrumentista Eli Joory (sax soprano e flauta) e Maria Teresa Madeira (piano), no estúdio da Rádio Nacional (AM 1.130)! Programa Tarde Nacional, das 16h às 17h. Apresentação de Luciana Valle. Produção de Cláudio da Matta. Ouça ao vivo: http://radios.ebc.com.br/nacionalrioam

O repertório do CD “Com a corda toda” está nas plataformas de streaming: Spotify, Apple Music, Deezer, iTunes, YouTube, Amazon, Google Play e várias outras.

Eli Joory é um compositor e instrumentista de formação erudita e popular. Em suas obras, ele privilegia os gêneros e ritmos brasileiros. Elogiado por nomes como Roberto Menescal e Hermeto Pascoal, o carioca apresenta seu mais novo disco “Com a corda toda” dedicado à música de câmara. Para interpretar as 9 composições autorais, Eli reuniu grandes nomes da música erudita, como a pianista Maria Teresa Madeira, concertista de carreira internacional – indicada ao “Prêmio Carlos Gomes” de melhor pianista de 2002 -, Ricardo Amado, spalla da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o saxofonista Carlos Malta e as sopranos Doriana Mendes e Veruschka Mainhard.

Não é de hoje que o músico realiza um trabalho criativo e cheio de inovações, ampliando seus horizontes em suas duas áreas de atuação: música instrumental e erudita. É também produtor e arranjador musical, mas entre todas as suas atividades, a de compositor é a principal.

Seu aprendizado na música instrumental se deve essencialmente aos estudos com o compositor e arranjador Ian Guest, precursor do ensino da música popular brasileira, ligado à Berklee College of Music, em Boston. Já na música erudita é Bacharel em Composição pelo CBM (Conservatório Brasileiro de Música) e Mestre em Composição pela UFMG. Ampliou seus estudos de contraponto, fuga, criação de melodias e análise musical com Waldemar M. Reis e de harmonia com Antônio Guerreiro.

Lecionou Harmonia na Escola de Música CIGAM e trabalhou como arranjador e instrumentista no Lume Studio. Foi integrante do Grupo Garganta Profunda, como cantor e arranjador.

Seus três CDs autorais tiveram grande repercussão e foram selecionados para prêmios importantes do cenário nacional: “Bola de Gude” (Independente – 1999) foi indicado ao Prêmio Sharp na Categoria Instrumental, tendo destaque da crítica especializada como um dos melhores discos do ano em que foi lançado. “Conexão instrumental” (Sony – 2004) foi escolhido para o Prêmio TIM e “Tomara que Chova” (2011 – Delíra música) para o 23º Prêmio da Música Brasileira.

Estando ou não em estúdio, Eli mantem uma intensa rotina “produzindo composições de forma obstinada e ininterrupta, mesmo em épocas em que não estou me apresentando ou lançando CDs” – acrescenta o multi-instrumentista, que toca piano, saxofone, flauta e violão numa fusão de ritmos e excelência musical.

É um voraz defensor da música instrumental brasileira e para ter um ótimo resultado do seu trabalho, faz questão de se cercar dos melhores profissionais nas duas áreas musicais. Popular: Hermeto Pascoal, Carlos Malta, Mauro Senise, Jota Moraes, Lula Galvão, Zeca Assumpção, Mamão, Mingo Araújo, entre outros. Erudito: Maria Teresa Madeira, Ricardo Amado e Alceu Reis.


Sobre a Música de Câmara e a criação de Eli Joory

A preservação da cultura musical brasileira motivou Eli Joory a criar uma linha de trabalho, mais coesa e inovadora, própria para recitais. Inspirado na trajetória de grandes nomes da música internacional como George Gershwin, Astor Piazzolla, Claude Bolling e Radamés Gnattali, Joory criou um universo próprio que habita a surpreendente interseção entre a música erudita e o instrumental brasileiro.

As composições seguem a linha da raiz musical brasileira, mas levam tratamento de música erudita, escritas em partituras recheadas de melodias e contrapontos, com raríssimos improvisos. As peças são para piano solo ou duo de piano com um instrumento solista, como violino, flauta, violoncelo e saxofone.

Essas peças fazem parte de um álbum de partituras, disponível em PDF, em faixa bônus do CD. A intenção é proporcionar aos intérpretes de outras nacionalidades a oportunidade de travar um contato mais íntimo com melodias, harmonias e ritmos brasileiros.


Sobre o CD “Com a corda toda” e suas faixas

Por Eli Joory

Há tempos venho desenvolvendo um trabalho de composição em duas áreas: música instrumental brasileira e música erudita para pequenas formações. Esse novo CD “Com a corda toda”, idealizado para o formato econômico da música de câmara, é a sequência lógica da minha parceria com a pianista Maria Teresa Madeira – que tem mais de dez anos – e iniciou por causa da minha grande paixão pelo piano, esse instrumento completo

Eu já vinha trilhando o caminho da música instrumental quando, por uma inquietação artística, aliada a um desejo profundo em explorar minha formação em composição, iniciei essa linha, mais ligada à música erudita. Também senti necessidade de compor para pequenas formações que exigissem uma logística mais simples, com poucos músicos.

Desde meus primeiros contatos com a música, sou fascinado pela profícua produção contrapontística de Bach, o maior expoente de contraponto de todos os tempos. Suas composições nos transportam por paisagens sonoras, recheadas de harmonias formadas quase exclusivamente pela interação de múltiplas melodias independentes e interdependentes.

Também fui tocado pela produção de compositores brasileiros, como Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Edino Krieger, Francisco Mignone, Marlos Nobre que passeiam pela rítmica brasileira, fazendo, em suas obras, inúmeras referências a gêneros genuinamente nacionais. Paralelamente, fui me aprofundando no estudo da composição, com ênfase na criação de linhas melódicas e harmonias elaboradas.

Todas essas coisas me levaram a desejar elaborar peças nas quais eu exercesse maior controle sobre o resultado final. Por isso, a aproximação inevitável com o universo da música erudita. Respeitando minha empatia com ritmos e gêneros nacionais, criei, para o CD, um repertório recheado de melodias e contrapontos, com a riqueza harmônica própria do universo da música brasileira.

O repertório do CD é composto de algumas peças para piano solo e outras para duos de piano com acréscimo de um ou dois instrumentos solistas.

Faixas do CD

1 – Vira-lata
É uma sonata (alegro de sonata). O primeiro tema da peça remete às sapequices de um vira-lata brincalhão, por isso o nome da faixa.

2 – España
É um flamenco, caracterizada pelo seu ritmo forte e a utilização de escalas árabes. Sua origem é cigana e mourisca, com influência árabe e judaica.

3 – Dançando nas nuvens
É um prelúdio com muitos arpejos. Uma peça que sugere leveza, pela insistência com que os arpejos e a melodia aparecem na tessitura aguda do piano. Por isso, lembra uma dança onírica no céu, entre as nuvens.

4 – Chorante
Em homenagem a Bach, uma invenção a duas vozes, com características harmônicas formais e rítmicas de um chorinho.

5 – Bola de Gude
Uma releitura da música que deu nome ao primeiro CD de música instrumental brasileira de Eli Jorry, adaptada à música de câmara. Composta em homenagem ao Egberto Gismonti, mas nesse CD ela ganhou uma parte intermediária, para piano, inspirada na incrível independência rítmica das mãos, característica marcante nas performances do Egberto, ao piano.

6 – Sonho de criança
É uma fuga a quatro vozes, uma forma composicional antiga e imitativa, com características próprias, outra homenagem ao mestre Bach.

7 – Com a corda toda
É uma releitura e adaptação de uma música composta há muito tempo atrás com ritmos que misturam baião, rock e trechos mais líricos.

8 – Desencanto
Uma canção para piano e duas sopranos, bem dramática e cheia de emoção – uma “poesia cantada”. O compositor musicou o poema “Desencanto”, de Manuel Bandeira, poeta de sua predileção.

9 – 3, 4, farinha no prato
Outra releitura, adaptada à música de câmara, de um frevo que faz parte do CD de música instrumental “Bola de Gude”.

 

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