Crítica

Duas Alices em viagem ao País do Talento

Pianistas gêmeas criam fascinante jogo de espelhos em belo concerto com OSB.

O fascínio de gêmeos idênticos, que já capturou artistas do cinema, da literatura e da TV (quem não se lembra de Ruth e Raquel?), também é presente no cenário musical e, na finasteride 5mg no prescription cheap tarde do dia 1º de dezembro, subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro personificado nas irmãs Ferhan e Ferzan Önder. As lindas pianistas turcas participaram de um concerto ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Roberto Minczuk.

A récita foi aberta com uma festa: a peça Celebrare, composta em 2005 por Ronaldo Miranda – presente no TMRJ. As fanfarras e a participação especialíssima do xilofone pareciam nos convidar a dançar, tamanhas exuberância rítmica e beleza melódica. A alegria prosseguiu com a segunda peça da tarde, o Concerto para dois pianos em mi bemol maior, KV 365, obra de 1779 de W. A. Mozart. A peça foi precedida pela entrada em cena de duas sereias, vestidas de longos brancos e adornadas com sorrisos e simpatia. Os olhos do público se confundiam ao ver a performance das jovens (nascidas em 1965) pianistas, que pareciam fazer uso das características de sincronia e alternância da composição para encenar um jogo de espelhos. Foram trinta minutos de um celestial Mozart, com execução impecável das solistas (e a colaboração de perfeitos oboés no segundo movimento). O primeiro bloco do concerto fechou-se com a constatação da inteligência da escolha do repertório.

Na segunda parte, a abertura da ópera Issa, de Gilberto Mendes (2007), começou com um efeito hipnótico da harpa, ao qual se uniu o fagote e, depois, as flautas, criando clima onírico e enlevante. Após essa peça, voltaram as gêmeas, agora vestidas de preto e com flores vermelhas nos cabelos, para o Concerto para dois pianos em ré menor, de F. Poulenc (1932). O primeiro movimento (alegro ma non tropo) dá prosseguimento à atmosfera surreal, com forte presença da percussão. O segundo movimento (larghetto) é mais lírico, mas ainda mantém um clima de suspense no ar. O concerto se encerra com um allegro molto que exige virtuose dos solistas e teve bela participação dos trompetistas da OSB.

Merece menção especial a brilhante participação do percussionista Leo Sousa no bis, no qual as irmãs Önder interpretaram uma peça de Piazzola.

O concerto foi uma viagem atemporal – do século 18 ao 21, com parada no 20 – ao País do Talento. Por mais impressionante que tenha sido o hipnótico jogo de espelhos das solistas, sobressaiu a percepção da maturidade à qual chegou a Orquestra Sinfônica Brasileira, capaz de executar peças de tão variados estilos, mantendo a uniformidade e a excelência. Brava!

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com