Crítica

“Domitila” – amores e cartas, de Ripper, no Municipal de Niterói

É um dever e quase uma obrigação, estimular, incentivar e promover os cheap viagra online uk compositores brasileiros.

Neste caso, principalmente aqueles em esforçada e produtiva atividade, não enxergando a música como arte exclusivamente de autores estrangeiros.

JOÃO GUILHERME RIPPER é um desses compositores, e é sua obra DOMITILA, no programa de sala chamada “ópera”, que acabamos de ver no lindíssimo Teatro Municipal de Niterói. O que vimos foi uma cena cantada por soprano, acompanhada de um trio de piano, clarineta e violoncelo. Não sabemos se há outros formatos.

O título é mais que auspicioso. Compositor brasileiro, pondo em música uma personagem da história do Brasil, com intérpretes brasileiros, é sempre atração certa. E isso não foi negado. A obra é bonita e bem composta. DOMITILA lê cartas trocadas entre ela e D. Pedro, e por ambos enviadas a terceiros, fatos muito próprios e pouco divulgados da história do Brasil.

Executada toda na ribalta, com eficiente jogo de cortinas e iluminação, com o trio de instrumentistas posto em uma das extremidades, a peça teve no soprano NETI SZPILMAN uma intérprete de voz agradável, de presença mais que isso e de elogiável expressão corporal. Essa personagem é teatralmente difícil e os atores sabem o quanto é difícil ler cartas. Pois esse é o entrecho principal da obra e NETI é esplêndida em sua tarefa de “attrice cantante”, com bela e bem colocada voz de soprano, feminina e de timbre conquistador, como de uma namorada. Um prazer vê-la e ouvi-la nas muitas lamentações e explosões de alegria da personagem título. Brava, NETI !!!!

O trio de instrumentos, composto da pianista e diretora musical MARIA LUÍSA LINDBERG, do clarinetista MOISÉS SANTOS e do violoncelista LUCIANO CORREA (não sei porque o violoncelo vem sempre em último…) estiveram todos muito bem, com sofisticados pianíssimos da pianista, claros e brilhantes superagudos da clarineta e sonoros cantabili do violoncelo. A direção de movimentos de CAVALCANTE foi efetiva e eficiente com admiráveis “à terre” , e a produção geral e iluminação ANDRÉ GARCEZ um dos pontos altos do espetáculo. Brilhante a iluminação por trás das cortinas. Por trás de tudo, a direção de LUIZ KLEBER QUEIROZ.

Fica mais uma vez demonstrado que quem quer faz. Os palcos aí estão, instrumentistas, diretores de cena e pessoal técnico também, dinheiro pinta. Difícil é arranjar uma NETI SZPILMAN…

TUDO EM MIM É NEGRO E TRISTE / DESDE O DIA EM QUE PARTISTE…
MARCUS GÓES – JULHO 2013
       

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1 Comment

  1. Prezado Marcos Góes, muito obrigada pela linda crítica. Fiquei feliz por ter conseguido transmitir toda a beleza e sensibilidade desta ópera, principalmente a você, um musicólogo e expert em ópera.
    Busco sempre, em meus trabalhos, deixar que o personagem fale por si. Dou passagem, deixando que a minha voz seja uma moldura para a ação. Não consigo ser de outra maneira. Sou um ser do palco. Com esta obra pude exercer plenamente a minha arte.

    A composição do Ripper é perfeita. Veste primorosamente cada carta, cada sentimento, cada ação, permitindo que o personagem possa vivenciar a paixão, a sensualidade e o desamor, sem perder a altivez e a honra. Ripper foi um gênio ao compor esta ópera.
    E para mim o convite do Luiz Kleber foi um presente.

    Sua sensibilidade ao escrever sobre a ópera me emocionou. Precisamos muito de pessoas como você, para nos ajudar, pois somente assim podemos crescer. É através do olhar do outro que aprimoramos. Muitas vezes estamos tão absortos no nosso trabalho, em nossa arte, que perdemos o senso crítico. É aí que entra o seu trabalho.
    Grande Abraço.

    Neti Szpilman

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.