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Décima temporada da Filarmônica de MG

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, maestro Fabio Mechetti fala da temporada 2017 da orquestra, que estA? com assinaturas A� venda atA� 28 de janeiro.

 

Janeiro A� o A?ltimo mA?s para a compra de assinaturas da dA�cima temporada de concertos da Orquestra FilarmA?nica de Minas Gerais (OFMG). A campanha vai atA� o dia 28 e a expectativa da orquestra A� ampliar o nA?mero de assinantes que, no ano passado, chegou a 3.320 pessoas.

“O programa de assinaturas possibilita ao pA?blico o planejamento anual de uma atividade de lazer associada a seu enriquecimento cultural e tambA�m de relacionamento social”, afirma Diomar Silveira, presidente do Instituto Cultural FilarmA?nica, organizaA�A?o da sociedade civil responsA?vel pela administraA�A?o da OFMG. O preA�o de uma assinatura depende do nA?mero de concertos e do lugar escolhido na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, indo de R$ 162 (valor de meia-entrada para nove concertos, balcA?o Palco) a R$ 2.862 (valor de inteira para 33 concertos, balcA?o Principal).

O ano de 2017 marca a primeira dA�cada de atividades da OFMG e, por isso, a temporada vem recheada de atraA�A�es. Entre seus convidados a orquestra recebe, pela primeira vez, o regente e violinista israelense Pinchas Zukerman, que irA? reger e tocar, ao mesmo tempo, o Concerto para violino e violoncelo em lA? menor, Op. 102, de Brahms. TambA�m estreiam com a FilarmA?nica o pianista tcheco LukA?s VondrA?cek, vencedor do A?ltimo Concurso Rainha Elisabeth, da BA�lgica, e o norte-americano Robert Bonfiglio, que se apresenta com um instrumento pouco usual em concertos sinfA?nicos: a harmA?nica, conhecida como gaita. Dois colaboradores e amigos da FilarmA?nica desde sua criaA�A?o, o pianista Nelson Freire e o violoncelista Antonio Meneses, tambA�m estarA?o presentes.

Nossos convidados e repertA?rio visam um trabalho levado A� excelA?ncia, para que as pessoas se sintam tocadas pelo poder transformador da mA?sica. Creio que os resultados do programa de assinaturas sA?o uma demonstraA�A?o de que vamos pelo caminho certo”, comenta Fabio Mechetti, diretor artA�stico e regente titular da Orquestra FilarmA?nica de Minas Gerais desde 2008.

Natural de SA?o Paulo, Mechetti foi regente principal da Orquestra FilarmA?nica da MalA?sia, tornando-se o primeiro brasileiro a ser titular de uma orquestra asiA?tica. Depois de 14 anos A� frente da SinfA?nica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente A� seu regente titular emA�rito. Foi tambA�m regente titular da SinfA?nica de Syracuse e da SinfA?nica de Spokane. Desta A?ltima A�, agora, regente emA�rito. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na SinfA?nica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no CapitA?lio norte-americano. Da Orquestra SinfA?nica de San Diego foi regente residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a SinfA?nica de Nova Jersey e tem dirigido inA?meras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. Regeu tambA�m a SinfA?nica da BBC da EscA?cia, a Orquestra da RA?dio e TV Espanhola em Madrid, a FilarmA?nica de Auckland, Nova ZelA?ndia, e a SinfA?nica de Quebec, CanadA?.

Vencedor do Concurso Internacional de RegA?ncia Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na EscandinA?via, particularmente a Orquestra da RA?dio Dinamarquesa e a de Helsingborg, SuA�cia. Recentemente fez sua estreia na FinlA?ndia, dirigindo a FilarmA?nica de Tampere, e na ItA?lia, dirigindo a Orquestra SinfA?nica de Roma. Em 2016 estreou com a FilarmA?nica de Odense, na Dinamarca. Mechetti recebeu tA�tulos de mestrado em RegA?ncia e em ComposiA�A?o pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, o maestro Fabio Mechetti fala sobre as principais novidades desta temporada, que marca o inA�cio do dA�cimo ano de atividades da OFMG.

 

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Movimento.com a�� O que o pA?blico pode esperar desta temporada, que marca os dez anos da Orquestra FilarmA?nica de Minas Gerais?

Fabio Mechetti a�� Primeiramente, para esclarecer, esta serA? nossa dA�cima temporada, mas os dez anos acontecem, e serA?o comemorados, em fevereiro de 2018. De qualquer modo, a temporada 2017, a dA�cima, marca o sucesso que a FilarmA?nica tem tido na sua missA?o de oferecer mA?sica de qualidade a um pA?blico cada vez maior, dentro e fora de Belo Horizonte. Nossos assinantes crescem a cada ano, e hoje contamos com cerca de 3.400 assinaturas distribuA�das pelas cinco sA�ries que oferecemos na Sala Minas Gerais. AlA�m disso, vA?rios de nossos concertos tA?m estado lotados, obrigando-nos a duplicar, alA�m da programaA�A?o estabelecida, concertos de toda ordem. Nossas sA�ries educacionais, comoA�Concertos para a Juventude, tambA�m tA?m se esgotado. Isso mostra o interesse da sociedade mineira pela FilarmA?nica, desde os mais jovens aos mais velhos, que nos incentivam com o seu aplauso e com a confianA�a no trabalho que realizamos.

 

Quais os principais convidados desta temporada?

Todos os nossos concertos sA?o pensados com cuidado, para que o pA?blico tenha sempre uma experiA?ncia marcante. Poderia citar todos, mas concentraria na presenA�a de Pinchas Zuckerman, Philippe Quint, Anna Vinnitskaya, LukA?s VondrA?cek, alA�m dos nossos grandes mA?sicos Nelson Freire, Antonio Meneses, Leonardo Hilsdorf, dentre muitos.

 

Sete compositores serA?o homenageados este ano pela FilarmA?nica por sua relevA?ncia para a mA?sica. Quais sA?o eles e como a orquestra vA? sua importA?ncia?

Em toda temporada, celebramos alguns aniversA?rios importantes, a fim de dar foco a compositores que muitas vezes passam despercebidos das programaA�A�es sinfA?nicas de muitas orquestras, mas que merecem ser conhecidos. Neste ano, alA�m de nomes consagrados com os de (ZoltA?n) KodA?ly, (Georg Philipp) Telemann e (Johann) Stamitz, daremos A?nfase aos aniversA?rios de (Ferde) GrofA� e dos brasileiros Francisco Mignone, Jorge Antunes e Padre JosA� MaurA�cio Nunes Garcia.

 

Grandes nomes brasileiros, como Nelson Freire e Antonio Meneses, tocarA?o com a orquestra este ano. Entre os musicistas em ascensA?o, quais sA?o aqueles em que a OFMG aposta?

A FilarmA?nica tem sido pioneira em reconhecer e dar oportunidade A�s jovens geraA�A�es de solistas, compositores e regentes nacionais. Dos que tA?m despontado recentemente, apresentaremos o talento de Fabio Martino, de Ronaldo Rolim e de Leonardo Altino, alA�m de vA?rios mA?sicos da prA?pria FilarmA?nica como o contrabaixista Nilson Bellotto, o clarinetista Marcus Julius Lander e o trompetista Marlon Humphreys, que, assim, tA?m a oportunidade de mostrar ao nosso pA?blico suas qualidades como solistas, alA�m daquelas demonstradas dentro da Orquestra semana apA?s semana.

 

Os concertos Fora de SA�rie, que em 2017 sA?o dedicados A� mA?sica barroca, jA? estA?o com ingressos esgotados. Por que uma sA�rie dedicada a esse estilo musical?

A sA�rie Fora de SA�rie nA?o A� focada nesse estilo, mas A� uma sA�rie que, a cada ano, se concentra num compositor ou num aspecto da histA?ria da mA?sica, contextualizando, assim, a experiA?ncia do concerto com um entendimento cada vez maior daquilo que enriquece sobremaneira nossa atividade. O Barroco, pelas prA?prias caracterA�sticas da FilarmA?nica, tinha sido um perA�odo pouco explorado. Na tentativa de sempre oferecer diversidade ao nosso pA?blico, decidimos dar destaque ao Barroco, mas oferecendo uma visA?o bastante expandida daquele perA�odo e tambA�m abordando sua repercussA?o em outros estilos e compositores.

 

Que aA�A�es a OFMG planeja e implementa para popularizar a mA?sica de concerto?

Com concertos praticamente esgotados, um incremento de mais de 80% no nA?mero de assinaturas nos A?ltimos dois anos e recordes de pA?blico batidos a cada ano, nA?o hA? dA?vida quanto A� capacidade e legitimidade da FilarmA?nica em se contrapor A� percepA�A?o, que infelizmente ainda existe, de que a mA?sica erudita nA?o tem interesse amplo por parte do pA?blico. NA?o A� estratA�gia da FilarmA?nica popularizar a mA?sica de concerto a qualquer custo. Mas sempre foi nossa crenA�a que a mA?sica de qualidade, executada com qualidade, pode atingir e contagiar um nA?mero crescente de admiradores. Acreditamos que A� assim que a mA?sica erudita conquistarA? cada vez mais espaA�o entre as inA?meras opA�A�es que a sociedade tem hoje em dia. A� na transformaA�A?o de um projeto de orquestra em projeto cultural de uma sociedade emancipada que o sucesso reside.

 

Em tempos de crises, no qual salas de concerto e orquestras vA?m lutando para se manter, a FilarmA?nica de Minas Gerais anuncia crescimento de assinantes. Qual o crescimento e a razA?o desse sucesso?

Sempre digo que cultura nA?o A� evento, mas um processo voltado A� propagaA�A?o para toda a sociedade daquilo que hA? de melhor na sociedade. Acredito firmemente que a estratA�gia artA�stica descrita acima, associada A� ideia de transformar a sociedade pela excelA?ncia daquilo que fazemos em todos os nA�veis (musical, administrativo, educacional, social), foi o que levou ao sucesso da Orquestra nessas dez temporadas.

NA?o se pode divorciar uma orquestra de sua missA?o essencial de forA�a civilizatA?ria que busca, dentro de suas atividades intrA�nsecas, a emancipaA�A?o da sociedade. A FilarmA?nica, a Sala Minas Gerais e os A?xitos palpA?veis obtidos nesses anos todos sA?o resultado desse processo, que se autoalimenta, e que, acredito, venha a criar raA�zes cada vez mais fortes dentro da sociedade mineira e brasileira.

Temos que acreditar sempre que a mA?sica de qualidade tem a forA�a da transformaA�A?o, e que por isso ela A� relevante. Mas, ela sA? A� relevante se sua forA�a estiver ligada A� qualidade nA?o sA? do momento, mas crescente, dentro desse contA�nuo processo de emancipaA�A?o do qual nA?s, artistas, somos responsA?veis.

 

Nestes dez anos de atividades, que liA�A�es foram aprendidas? E o que virA? na prA?xima dA�cada?

Acho que a liA�A?o que sempre se associa A� viabilidade de uma orquestra A� a de que, por mais bem-sucedida e relevante que ela seja, existe sempre uma fragilidade extrema relacionada A� sua existA?ncia. Se a excelA?ncia fosse fA?cil, ela seria a norma e nA?o a exceA�A?o. Para que ela, excelA?ncia, exista, A� necessA?rio que haja convicA�A?o, foco, devoA�A?o, competA?ncia e apoio da sociedade. A FilarmA?nica conseguiu muito nesses primeiros dez anos de vida, mas ainda temos muito a fazer artisticamente a�� no fortalecimento de seu conjunto enquanto instrumento a��, administrativamente a�� na manutenA�A?o e aprimoramento do modelo que propiciou tudo isso que conquistamos a��, educacionalmente a�� na ampliaA�A?o de oportunidades para a formaA�A?o de mA?sicos e pA?blico atravA�s de nossa tA?o sonhada FilarmA?nica Jovem e a Academia a��, e socialmente a�� na transformaA�A?o cada vez maior daqueles que servimos numa sociedade melhor. Para que isso venha a acontecer temos que contar com o apoio crescente do Governo de Minas Gerais, de nossos atuais e futuros patrocinadores e do pA?blico cada vez maior e mais entusiasmado que justifica nossa existA?ncia.

 

Orquestra FilarmA?nica de MG (foto: Rafael Motta)
Orquestra FilarmA?nica de MG (foto: Rafael Motta)

 

 

SERVIA�O:

 

Orquestra FilarmA?nica de Minas Gerais – temporada 2017

Novas assinaturas atA� 28 de janeiro

 

Pela internet: no site da OFMGA�

Pessoalmente: na bilheteria da Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto, Belo Horizonte), de terA�a a sexta, das 12h A�s 21h, e aos sA?bados, das 12h A�s 18h (exceto feriados)

 

Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com