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Critica social, esperança e fé em ópera de Menotti em Belém

Em Belém da Judéia, Amahl – um garoto com dificuldades de locomoção – e sua mãe, acolhem, no casebre onde vivem, os três Reis Magos e um pajem, que se dirigiam para conhecer o Menino Jesus. Amahl é milagrosamente curado e, feliz, entrega sua bengala aos reis como presente ao menino Jesus.

Esse é contexto em que se passa a ópera natalina Amahl e os Visitantes da Noite, de Gian Carlo Menotti, a terceira e última do XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz. A estreia será nesta terça-feira (17), no Theatro da Paz, em dois horários: às 16h, com entrada gratuita para alunos que participam das ações do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz), e às 20h, com ingressos à venda na bilheteria do Theatro.

O compositor italiano, naturalizado norte-americano Gian Carlo Menotti (1911-2007), nasceu em Cadegliano-Viconago (Itália) e começou a escrever canções quando tinha sete anos de idade. Aos 11 anos, escreveu libreto e música para a sua primeira ópera, A morte de Pierrot. Iniciou sua aprendizagem formal em Milão, no Conservatório Verdi, em 1923.

Depois da morte de seu pai, Menotti foi com a mãe para os Estados Unidos e ingressou no Curtis Institute of Music, de Filadélfia (Pensilvânia). Em 1951, o compositor escreveu a ópera de Natal Amahl e os Visitantes da Noite para o Hallmark Hall of Fame, um programa antigo e de muito sucesso na televisão americana – que entrou para a história como a primeira ópera composta exclusivamente para televisão –, estreando na noite de Natal do mesmo ano. Foi um sucesso tão grande que durante um longo tempo permaneceu como um clássico dos programas de Natal nas redes de TV do país.

Em Amahl e os Visitantes da Noite, conseguimos perceber como era a visão de um ítalo-americano no pós-Segunda Guerra Mundial e imaginar o quanto de crítica social está embutida na história do nascimento de Cristo, que não é o foco da obra, mas, sim, a ideologia do Natal, que está no ato de se despir das vaidades inerentes aos seres humanos e ajudar quem precisa. A ária da mãe, por exemplo, carrega parte desse pensamento, principalmente quando ela pergunta “será que os ricos sabem como é alimentar uma criança?”, “será que eles sabem como é sobreviver na pobreza?”.

Por ser uma ópera composta para a televisão, ela possui um tempo diferente. É mais curta, com árias menores, e, para o maestro Pedro Messias, o que se está fazendo no teatro é a revisão do que Menotti pensou para televisão. “É necessário haver muita conversa entre a parte musical e a cênica. Costumo dizer que a música é quase uma trilha sonora para uma história que está acontecendo, então, se eu não entendo o que a diretora cênica está propondo, eu não tenho como conversar com ela musicalmente. Os meus tempos são de acordo com os personagens que ela cria”, explicou o maestro que também descreveu a emoção de reger uma ópera pela primeira vez no Theatro da Paz. “Reger Amahl é uma oportunidade maravilhosa, uma emoção enorme, uma honra grande, e eu estou muito feliz. Tenho certeza que a plateia vai gostar muito do resultado”.

Ainda segundo Pedro Messias, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) tem vasta experiência em ópera, porém esse não é um repertório que os músicos estejam acostumados. “Teremos uma formação reduzida da Orquestra com apenas 25 músicos, e eles estão habituados a tocar ópera com todo mundo junto, cerca de 70 músicos. Essa redução da quantidade de instrumentos muda muito a referência que eles têm de sonoridade. Fica tudo mais detalhado e, portanto, mais complicado, pois o som fica numa lupa e qualquer errinho é aumentado. Ao mesmo tempo é mais fácil, porque a dispersão é menor e o foco é maior. Daí esse resultado maravilhoso em tão pouco tempo. A OSTP sempre na excelência do que a gente poderia esperar”.

A ópera Amahl e os Visitantes da Noite possui apenas um ato e será interpretada em inglês pelo elenco: a soprano Laura Silveira (Amahl); a reconhecida mezzosoprano portuguesa Ana Ester Neves (mãe de Amahl); o tenor Andrew Lima (Gaspar), o baixo-barítono Idaías Souto (Melchior) e o barítono Homero Velho (Baltazar) que formam os Reis Magos; e o barítono Yatanaã Figueiredo (Pajem).

Preparados pelo maestro Vanildo Monteiro, o espetáculo terá um coro composto pelos participantes do I Curso de Formação em Ópera, que, ao longo de 2019, receberam capacitação musical e cênica para que, ao final de quatro anos, estejam preparados com excelência para formar um corpo fixo de cantores líricos do Theatro da Paz. E haverá ainda a participação dos bailarinos Marlus Estumano e Alane Dias.

 

Sinopse

A ação se passa numa aldeia, onde se vê uma cabana. Ali, moram Amahl – uma criança sonhadora, imaginativa e com dificuldades de locomoção, e sua mãe, uma mulher triste e desesperançada pela pobreza que os aflige. Numa noite estrelada, batem à porta os três reis magos e um pajem, em busca de hospedagem. Os viajantes são acolhidos, e os moradores da aldeia chegam para cantar e festejar os visitantes.

Os presentes caros que os reis carregam para presentear o menino Jesus despertam na mãe um sentimento de revolta, e, quando todos dormem, ela é flagrada tentando se apossar de uma das joias. O pajem tenta recuperar a joia, e o menino defende a mãe.

Comovidos, os reis entregam o ouro à mãe, já que a criança a quem procuram não se importa com ouro. Amahl é milagrosamente curado e, feliz, entrega sua bengala aos reis como presente ao menino Jesus, e pede à mãe que o deixe acompanhar os Reis para conhecê-lo.

 

Novo formato

Em 2019, o Festival de Ópera do Theatro da Paz estreou uma nova roupagem, deixando de ser somente uma mostra de ópera e apresentando um modelo mais amplo e contínuo de atividades, distribuído ao longo de seis meses (de agosto e dezembro), em cinco ações distintas: Temporada de Ópera, Formação, Temporada de Concertos, Teatro Musical e Itinerância.

De acordo com Úrsula Vidal, secretária de Estado de Cultura, em 2020 o Festival será realizado durante o ano todo – ampliando o campo de trabalho para todos os artistas e técnicos envolvidos nas produções. A seleção do elenco e do corpo técnico priorizou a valorização de artistas locais que já alcançaram grau de excelência em ópera.

Grandes nomes do cenário operístico nacional e internacional também participaram das montagens do XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz, promovendo o intercâmbio de experiências, e oferecendo ao público paraense espetáculos de alto nível artístico.

“Já temos no Pará um corpo técnico altamente qualificado para as demandas da produção operística. Estas ações de incentivo e capacitação valorizam ainda mais os enormes talentos que temos aqui. Além disso, a extensão do calendário de montagens e récitas também foi uma inovação extremamente positiva. Isso gerou uma ativação maior da cadeia produtiva da ópera, ao longo de todo este semestre. São centenas de músicos, cenotécnicos, aderecistas, costureiras e produtores de cena envolvidos nas montagens e musicais durante a metade do ano. É qualificação e atividade econômica andando juntas”, afirmou a secretária.

 

 Ficha Técnica

Direção Cênica: Jena Vieira
Direção Musical: Pedro Messias
Direção Geral: Daniel Araújo
Direção de Produção: Nandressa Nuñez
Regente do Coro: Vanildo Monteiro

Elenco

Amahl, Laura Silveira (soprano)
A mãe, Ana Ester Neves (mezzosoprano)
Gaspar, Andrew Lima (tenor)
Melchior, Idaías Souto (baixo-barítono)
Baltazar, Homero Velho (barítono)
Pajem, Yatanaã Figueiredo (barítono)

Bailarinos

Marlus Estumano
Alane Dias

Técnica

Pianista co-repetidora: Ana Maria Adade
Cenário: Cláudio Bastos e Nandressa Nuñez
Figurinos: Cláudio Rego
Visagismo: Omar Júnior
Desenho de luz: Rubens Almeida
Direção de palco: Cláudio Bastos
Legenda: Gilda Maia
Coreografia: Aline Dias

 

 Mais programação

No dia 22 de dezembro, às 20h, um concerto no Theatro da Paz apresentará o oratório O Messias, de G. F. Händel (OSTP e Coro).

 


SERVIÇO

 

XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz apresenta a ópera Amahl e os Visitantes da Noite

Dia 17 de dezembro, terça-feira, às 16 e às 20h
Dia 18 de dezembro, quarta-feira, às 20h

Theatro da Paz (Belém – Pará)

Ingressos:
R$ 40 (frisas, plateia, varanda e camarote de 1ª)
R$ 30 (camarote de 2ª e galeria)
R$ 20 mais 1 quilo de alimento não perecível (paraíso).

Todas as posições aceitam meia-entrada.

Os interessados também poderão adquirir seus ingressos pelo site www.ticketfacil.com.br. Informações pelo telefone (91) 4009-8750.

Os ingressos estão à venda na bilheteria do Theatro da Paz, de 9 às 18h; e nos dias de espetáculo até às 20h. 

A récita do dia 17, às 16h, tem entrada franca para os alunos que participam das ações do TerPaz

Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.