LateralMinas GeraisMúsica antigaProgramaçãoTecnologia

Concert D’Apollon – joias do barroco francês

Grupo dedicado ao repertório francês menos conhecido das plateias contemporâneas, o Concert d’Apollon faz, em 21 de novembro, a abertura do 31º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga em sua primeira edição virtual, com streaming pelo canal do Centro Cultural Pró-Música no YouTube.

O programa Les petits joyaux des Mrs François Couperin et Marin MaraisMélange des pièces pour le Clavecin, la Viole, l’Hautbois et le Violon – é dedicado a dois dos maiores compositores do barroco francês.

No palco – isto é, no ambiente intimista da casa do músico brasileiro João Rival em Haia (Holanda), onde o concerto especial foi gravado no início de novembro – reúnem-se Rival (diretor artístico e cravista), o também brasileiro Beto Casério (oboé), o israelense Alon Portal (viola da gamba) e a holandesa Elise Dupont (violino).

Em entrevista por e-mail à Pró-reitoria de Cultura dez dias antes da gravação, Rival explicou que a Holanda estava em ‘semilockdown’ e que provavelmente a situação vai piorar até o fim do ano com a chegada do inverno no hemisfério Norte. Segundo ele, o número de casos de Covid-19 já aumentou muito no país.

Apesar disso, Rival se entusiasma com o fato de abrir o Festival este ano: “Será uma honra e espero que seja o primeiro de muitos concertos, virtuais ou não.” Mesmo à distância, a participação é um reencontro do cravista com o evento, do qual chegou a participar ainda na adolescência, como aluno. Em sua opinião, a realização da edição em formato on-line é “uma iniciativa maravilhosa e extremamente importante”, por ser um incentivo à cultura e aos músicos no momento atual.

Poder prover para a sociedade música de boa qualidade através de uma instituição de ensino federal, é, ao meu ver, crucial. Acredito que toda a sociedade está aprendendo a lidar com novas formas de comunicação. Ao mesmo tempo que temos que ficar em casa, estamos todos entrando em contato com mais pessoas, e o acesso à informação e à cultura está, de certa maneira mais próximo.


Repertório ‘inédito’

O quarteto é apenas uma das formações possíveis do Concert D’Apollon, que pode chegar a reunir 30 músicos, dependendo do repertório a ser executado pelo grupo. Criado em 2015 pelo carioca João Rival, o Concert D’Apollon se propõe a interpretar a música francesa de maneira historicamente informada e ao mesmo tempo inovadora. “Utilizamos sempre edições feitas especialmente para cada programa. O objetivo do grupo é apresentar peças ‘inéditas’ para o nosso tempo, trazendo o frescor, a elegância, graciosidade e a imponência do barroco francês para o nosso cotidiano”, ressalta Rival.

Segundo o diretor artístico, François Couperin e Marin Marais escreveram música de alta qualidade e tiveram carreiras prolíficas que representam muito bem o gosto musical francês da época. “Couperin é mais conhecido pela sua grande obra para cravo, e Marais, por sua vez, revolucionou a música para gamba”, observa Rival.

O programa gravado para o 31º Festival apresenta “pequenas joias” escritas pelos dois compositores para a formação de câmara. “As peças podem ser tocadas por diferentes instrumentos. Apresentaremos então algumas transcrições e adaptações da música de Marais e Couperin para cravo, oboé, violino e viola da gamba, trazendo ao espectador um concerto onde se possa degustar a música dos dois compositores de uma forma especial.” 

O 31º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga é uma realização da Pró-reitoria de Cultura e Centro Cultural Pró-Música/UFJF.

Dia 21, às 20h, no canal do Centro Cultural Pró-Música no YouTube

* Às 19h, palestra do professor de Música da UFJF Rodolfo Valverde faz a contextualização histórica dos programas dos concertos.

 

PROGRAMA

Marin Marais (1656-1728)

Piéces en trio
(1692)
– Prélude en Sol mineur

Pièces de Viole du Livre III (1711)
– Caprice
– Plainte
– Sarabande
– La Guitarre

Pièces en trio (1692)
– Air en Rondeau


François Couperin
(1668-1733)

Troisième Concert Royaux (1722)
– Prélude
– Allemande
– Chaconne
– Muzette

Pièces de Clavecin, Cinquième Ordre (1713)
– Les Ondes

Troisième Concert Royaux (1722)
– Sarabande

Les Nations (1726)
– L’Espagnole

 

 

João RivalCravo e Direção Artística

Nascido em 1982 no Rio de Janeiro, João é bacharel em cravo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil) na turma de Marcelo Fagerlande. Teve a oportunidade de estender os seus conhecimentos a cravistas notórios, como Elisabeth Joyé, Olivier Baumont, Nicolau de Figueiredo, Huguete Dreyfus, Patrick Ayrton, Hervé Niquet e Jaques Ogg.

Em setembro de 2008, foi admitido como aluno de Jacques Ogg no Royal Conservatory de Haia (Holanda), concluindo o bacharelado em 2012 e o mestrado em 2014. Teve a grande oportunidade de trabalhar como continuo player do Rameau’s Les Indes Galantes numa coprodução do Royal Conservatory e da Orquestra do século XVIII, sob a direção de Frans Bruggen.

No mesmo ano, criou o conjunto Le Concert d’Apollon, especializado em repertório de música barroca orquestral francesa. Le Concert d’Apollon tocou por três anos no Festival de Música Antiga de Utrecht e, em 2018, no programa principal do Festival. Em 2017, juntou-se à Orquestra de Câmara Australiana como músico contínuo em sua turnê nacional.

João Rival está a fazer o seu doutoramento no Orpheus Instituut Gent pela Universidade de Leiden, sob a orientação dos Professores Drs. Jed Wentz e Graham Sadler.

 

Alon PortalViola da Gamba

Nascido em Tel-Aviv em 1990, Alon iniciou sua educação musical na Academia de Música de Jerusalém, onde recebeu uma bolsa de estudos da America – Israel Cultural Foundation. Mais tarde, continuou seus estudos no Royal Conservatory, de Haia, onde se graduou com Mieneke van der Velden, Margaret Urquhart, Philippe Pierlot e Joshua Cheatham no Utrecht Conservatory.

Frequentemente se apresenta em séries de concertos e festivais pela Europa e Israel. Participou dos Festivais de Música Antiga de Utrecht e Brighton, Potsdam Sanssouci e outros. Gravou CDs pelas gravadoras Sony, Pan Classics e Berlin Classics. Alon é membro fundador do Le Concert d’Apollon e também se apresenta frequentemente com grupos como Concert Foscari, Zefiro Torna, Barrocade, PRJCT Amsterdam, entre outros.

 

Beto CasérioOboé

Nascido em São Paulo em 1976, Beto iniciou os estudos com flauta e clarinete e, um pouco mais tarde, com o oboé. Obteve seu primeiro diploma pela Universidade do Estado de São Paulo em 1998. De 1999 a 2005, estudou oboé barroco no Royal Conservatory de Den Haag, obtendo o bacharelado e o mestrado nas aulas dos professores Ku Ebbinge e Frank de Bruine.

Desde 2000, tem trabalhado com muitos grupos de música antiga de destaque, como Netherlands Bach Collegium, Barok Opera Amsterdam, Ensemble Elyma, Bach Collegium Japan, Les Musiciens du Louvre, Akademie fur Alte Musik-Berlin, La Sfera Armoniosa e Ricercar Consort, sob a direção de, entre outros, Ton Koopman, Pieter-Jan Leusink, Ryo Terakado, Frieder Bernius, Marc Minkowsky, Phillipe Pierlot e Maasaki Suzuki.

Desde 2014, é oboé principal da Orquestra de Bach da Holanda, sob a direção de Pieter Jan Leusink. Também integra a Orquestra do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, de Juiz de Fora, no Brasil.

 

Elise DupontViolino

Quando Elise Dupont encontrou pela primeira vez a prática da performance historicamente informada, essa foi uma experiência que abriu seus ouvidos. A partir daquele momento, teve a certeza de seguir a carreira de violinista barroca. Elise completou seus estudos de bacharelado no Koninklijk Conservatorium Den Haag como aluna da turma de Kati Debretzeni.

Em setembro de 2020, finalizou seu mestrado na Royal Academy of Music de Londres, orientada por Matthew Truscott e Rachel Podger. Os destaques recentes foram uma turnê da Paixão Segundo São João, de J. S. Bach, com o Nederlandse Bachvereniging, e liderando seu conjunto Le Concert d’Apollon na edição de 2018 do Festival de Música Antiga de Utrecht.

Em fevereiro de 2019, Elise liderou a segunda orquestra da Paixão Segundo São Mateus de Bach, conduzida por Trevor Pinnock. Nesse mesmo mês, ela ganhou o Prêmio Mica Comberti Bach. Desde 2017, Elise toca violino emprestado do Nationaal Muziekinstrumenten Fonds. O instrumento foi construído em 1691 em Amsterdã por Willem van der Sijde e pertenceu à princesa holandesa Juliana.

 

Outras informações:

Centro Cultural Pró-Música – produção.promusica@ufjf.edu.br

Pró-reitoria de Cultura – cultura.ufjf@gmail.com

http://promusicaufjf.com.br/31festival/index.html

YouTube – https://cutt.ly/shq4cv3

 

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.