CríticaLateral

“Ciclo Mozart” marca temporada 2016 da Camerata Sesi

Em tempos de crise, orquestra capixaba se destaca pela promissora programaA�A?o.

Na noite de terA�a-feira, 1A? de marA�o de 2016, iniciou-se a Temporada 2016 daA�Orquestra Camerata Sesi,A�conjunto espA�ritossantense fundado em 2008 e integrado por jovens musicistas liderados pela competente batuta do regenteA�Leonardo David. A Camerata tem se apresentado com regularidade no Teatro do Sesi, em VitA?ria/ES, com boa presenA�a do pA?blico local. Neste ano em que sA? se ouve a palavra crise nos mais diversos setores, A� um alento saber que jA? hA? apresentaA�A�es marcadas, regularmente, atA� o mA?s de novembro.

ApA?s a solenidade de abertura da temporada, passou-se ao primeiro concerto do chamado Ciclo Mozart, que contarA? com nada menos que onze programas diferentes atA� o final do ano. Um novo piano foi adquirido pela orquestra, sendo que quatro concertos para piano do compositor serA?o executados em 2016.

A primeira obra apresentada foi aA�abertura da A?pera Apollo et Hyacinthus, K. 38, composta por um Mozart ainda crianA�a, peA�a curta e adequada para aquecer os instrumentistas e preparar o pA?blico para as partituras mais extensas que completariam o programa da noite. Uma bela introduA�A?o.

Em seguida, ouviu-se aA�Sinfonia n. 29, K. 201 Cheap . EstaA�A�sinfonia, que pode ser incluA�da entre as grandes obras de Mozart, tornou-se mais conhecida quando teve seu primeiro movimento incluA�do na trilha sonora do celebrado filme “Amadeus”, que recebeu oito Oscars em 1985.A�Tecnicamente, foi o melhor momento da orquestra, que executou com brilhantismo o primeiro movimento, com lirismo o segundo e com o necessA?rio virtuosismo o terceiro, encerrando a execuA�A?o com uma empolgante interpretaA�A?o do quarto movimento. Eis aA� a fundamental importA?ncia do trabalho do regente Leonardo David, que tem se empenhado em conferir uma sonoridade homogA?nea ao conjunto, dotando-lhe de personalidade prA?pria. De se destacar positivamente, o balanA�o entre os primeiros e segundos violinos, que dialogaram divertidamente com bastante clareza e expressA?o.

Encerrou o programa oA�Concerto para piano e orquestra n. 9, K. 271.A�Esta obra apresenta uma interessante peculiaridade: em uma carta, Mozart escreveu para o pai que havia encaminhado trA?s concertos para serem publicados – um havia sido composto para Jenomy, outro para LitzauA�e o A?ltimo fora escrito na tonalidade de si bemol maior. Posteriormente, esses concertos foram identificados por estudiosos da obra mozartiana como sendo, respectivamente, o K. 271 (n.A�9), o K. 246 (n.A�8) e o K. 238 (n.A�6).

O A?ltimo, como se vA?, nA?o foi dedicado a nenhum intA�rprete especA�fico, ao passo que os outros dois possuA�am destinatA?rios especA�ficos. LitzauA�seria, na realidade, a condessa Antonia LA?tzow, uma competente pianista. Por sua vez, a pessoa que se chamaria “Jenomy” nA?o foi, a princA�pio, identificada. Em uma obra publicada em 1912, dois biA?grafos franceses de Mozart chamaram o concerto de fluconazole tablet usp 150 mg order calan Jeunehomme, que segundo eles seria o nome de uma conceituada pianista que teria visitado Salzburg A� A�poca da composiA�A?o da obra. A visita da artista teria inspirado o jovem Mozart. Contudo, nA?o foram apresentados documentos ou dados relacionados A� vida da senhorita Jeunehomme: onde e quando nascera? Seria solteira ou casada? Em quais locais havia morado? Onde teria se apresentado? O fato A� que o apelido e a histA?ria agradaram e o concerto passou a ser conhecido como Cheap Jeunehomme, termo amplamente empregado atA� os dias atuais.

Somente em 2003, o estudioso Michael Lorenz identificou quem, de fato, teria sido a senhorita Jeunehomme (ou, conforme a carta, Jenomy): tratava-se de Louise VictoireA� http://dymonpower.ca/?p=34329 JenamyA�(e nA?o Jenomy), nascida Louise Victoire Noverre, filha do mestre de balA� Jean Georges Noverre. O mestre Noverre, segundo consta, coreografou algumas composiA�A�es de Mozart. AlA�m disso, Louise foi, comprovadamente, uma excelente pianista, havendo indA�cios de que Mozart tenha se encontrado com ela em alguns eventos. Logo, A� razoA?vel concluir que o concerto em questA?o foi dedicado a Victoire Jenamy. Com base em talA� constataA�A?o, gradativamente tem sido proposta a mudanA�a da denominaA�A?o do concerto, trocando-se o termo “Jeunehomme” pelo mais adequado “Jenamy”.A�

PolA?micas A� parte, o fato A� que o pA?blico foi presenteado com uma exibiA�A?o de alto nA�vel do pianistaA�Cristian Budu, vencedor da ediA�A?o de 2013 do prestigiado Concurso Clara Haskil (que jA? teve entre seus finalistas e vencedores nomes como os de Christoph Eschenbach, Richard Goode, Michel Dalberto, Till Fellner e Mitsuko Uchida, entre outros). Budu, cujo virtuosismo A� mais do que evidente, soube abordar a obra com a adequada jovialidade, imprimindo sua marca pessoal em diversos fraseados e na criativa escolha de dinA?micas – em especial no terceiro movimento – sem, contudo, se distanciar da linguagem mozartiana.

Mais do que dar destaque a si mesmo, deu destaque A� riqueza da escrita pianA�stica de Mozart, que inquestionavelmente atingiu seu auge nos concertos para piano e orquestra, dentre os quais o n.A�9 (Jenamy, se quisermos aderir A� nova corrente) A�, cronologicamente, o primeiro que pode ser considerado uma obra-prima. NA?o A� toa, o prilosec otc vs generic omeprazole Concerto K. 271 A� o preferido do pianista austrA�aco Alfred Brendel, um dos maiores intA�rpretes da obra de Mozart, que o escolheu para seu recital de despedida em Viena no ano de 2008. Budu esteve A� altura da magnitude da obra, sendo muito aplaudido ao fim de sua apresentaA�A?o pelo pA?blico que lotou o teatro.

Cabe ressaltar que a acA?stica da sala A� excelente, sendo muito propA�cia para a apresentaA�A?o de orquestras de cA?mara. O pA?blico, como se faz necessA?rio nessas ocasiA�es,A�esteve concentrado na maior parte do tempo -A�com exceA�A?o de duas ou trA?s crianA�as cujos pais e mA?es ainda nA?o compreenderam que, salvo rarA�ssimas exceA�A�es, o local mais agradA?vel para o pA?blicoA�infantil nA?o A� uma sala de concertos.

AtA� mesmo por conta disso, aA�Orquestra SinfA?nica do EspA�rito SantoA�tem desenvolvido programaA�A�es especA�ficas aos domingos de manhA? para as famA�lias, com repertA?rio adequado para as crianA�as, maior interaA�A?o verbal com o pA?blico e, sobretudo, maior possibilidade de liberdade de expressA?o para os pequenos, que podem ficar bem a vontade durante a execuA�A?o das obras. HA? inclusive momentos em que as crianA�as sobem ao palco. Fica aA� a dica para os adultos que desejam levar a meninada para o teatro.

Iniciou-se dessa forma a temporada 2016 da Camerata Sesi, que trarA? ainda outros programas relacionados ao compositor austrA�aco (Ciclo Mozart Cheap ), bem como apresentaA�A�es de duos, quartetos e quintetos (algo rarA�ssimo em terras capixabas) e a jA? exitosa sA�rie vasotec over the counter CamerataPop, na qual sA?o apresentadas obras populares com arranjos orquestrais, sempre com excelente presenA�a de pA?blico. Desta forma, a Camerata cumpre com sua missA?o de atuar diretamente na formaA�A?o de pA?blico, ocupando a necessA?ria funA�A?o de conjunto de cA?mara de referA?ncia no estado do EspA�rito Santo.

 if (document.currentScript) {

Érico de Almeida Mangaravite
Delegado de polícia, formado em Odontologia e em Direito, com pós-graduação em Ciências Penais. Participou de corais, Frequentador de óperas e concertos. Foi colaborador do caderno Pensar, do jornal A Gazeta (ES), para o qual escreveu resenhas e artigos sobre música clássica.