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Cia Ananda estreia “Movimento derivado”

Dirigida por Anamaria Fernandes, em parceria com Graziela Andrade, criação apresenta diálogos entre a dança e as artes visuais. Apresentações serão ao vivo e cada artista estará sintonizado da sua própria casa, encontrando-se com o público através da tela, em tempo real e via Youtube da Cia.

 A Cia Ananda – Cia de Dança Contemporânea (coletivo de artistas que investiga novos modos de ser e fazer dança) estreia o trabalho “Movimento Derivado”, em parceria com a artista de dança, literatura e pintora, Graziela Andrade. Diálogos entre o movimento dos corpos e as artes visuais dão o tom da criação, que tem a pintura como ponto de partida. Dirigido pela dançarina, coreógrafa e fundadora da companhia, Anamaria Fernandes, e pela artista parceira, o espetáculo será apresentado nos dias 28 e 29 de maio, sexta e sábado, às 19h, ao vivo, pelo Youtube da Cia (Cia Ananda).

No momento da transmissão, pinturas serão projetadas nas paredes da casa de cada dançarino.  Os artistas da Cia. Ananda experimentam individualmente improvisações de seus corpos com as imagens: fusões, sobreposições, contrapontos. De casa, o público assiste, no Youtube, ao balé de corpos que, digitalmente, compartilham um mesmo ambiente virtual via streaming, resultando em um único espetáculo.

Os dançarinos vão compartilhar com a plateia seus processos de investigação sobre as telas pintadas pela Graziela Andrade. A proposta é que cada artista reverbere suas sensações sobre as pinturas, por meio da dança e das suas sensações naquele momento. É uma improvisação, mas que já foi estudada durante a criação do espetáculo. Ou seja, houve o processo de investigação, mas a cada novo encontro dos bailarinos com as obras pictóricas, são impressas sensações diferentes. Porque nada está pronto, estão todos abertos para o momento do encontro”, explica Luana Magalhães, que é bailarina e uma das produtoras do projeto.

Na estreia (28.05), as dançarinas Duna Dias, Heloísa Rodrigues, Juliana Cancio e Jo Caravelli vão compartilhar os seus processos de investigação em relação à tela “Epitélio”. No segundo dia (29), os dançarinos Samuel Carvalho, Anna Paula Santos, Luana Magalhães e Eduardo Henrique vão interagir com a obra “Roturas”.

Junto aos dançarinos, são incorporados à cena também os trabalhos de vídeo de Luísa Machala e Gilberto Goulart e as trilhas sonoras de Inácio Silveira e Fellipe Miranda. A partir dessa conexão e da direção de Anamaria Fernandes e de Graziela Andrade, um profissional irá realizar a condução dos elementos de composição em transmissão ao vivo. “Por isso o nome Movimento Derivado: um movimento que deriva do outro, do outro e do outro. Que não tem fim”, afirma Luana Magalhães.

Montado durante a pandemia, o projeto emerge da clausura coletiva, momento em que a artista Graziela Andrade cumpre quarentena em seu ateliê improvisado, em que os dançarinos e a diretora da companhia, Anamaria Fernandes, estão espalhados em pontos da cidade, e até mesmo em outras regiões do Brasil, cada qual em seu espaço de isolamento.

Neste momento, em que artistas do mundo todo reinventam seus modos de ação, Movimento Derivado é, antes de tudo, uma experiência sensível de partilha. O projeto acredita que o diálogo formado entre estas linguagens artísticas com o uso da tecnologia enriquece o saber e amplia as possibilidades de criação em arte, oferecendo novos caminhos do sensível e possibilitando novas experiências aos artistas e ao público”, diz Anamaria Fernandes.

Graziela Andrade define Movimento Derivado como “uma obra sensível e despretensiosa, uma obra de partilha. É uma vivência de avizinhamento estético, guiada pelo corpo de cada um e pelo diálogo técnico/tecnológico. Aqui a dança é um desvio da pintura. Um modo singular de dizer sobre o que ela provoca a partir de uma conduta estética que não se restringe a apreciação, pelo contrário, propõe fusionar: corpos, telas, cores e o que mais surgir nesses enlaces. Inclusive o espectador. Um convite à fusão digital que transforma tudo em 0 e 1.”

Movimento Derivado nasceu na pandemia, mas o desejo é antigo. Antes da pintura e da dança, havia uma afinidade entre as diretoras. Graziela já era admiradora e acompanhava de perto as produções da Cia Ananda, e Anamaria acompanhou de perto a inesperada produção de Graziela, que só começou a pintar em 2018. “Havia uma visceralidade escandalosa naquelas obras e uma materialidade que tinha o corpo como via. Corpo esse que nós duas sempre olhamos pela via da dança. Então, foi um encontro quase esperado. Enlaçar a dança e a pintura, fez todo sentido”, lembra Anamaria Fernandes.

Juliana Rodrigues

O processo de criação de Movimento Derivado envolveu processo com contribuições à distância, via WhatsApp, e momentos individuais com cada bailarino. “Em um primeiro momento Graziela compartilhou as pinturas conosco enquanto relembrava os seus processos de fazimento, as suas sensações e descobertas no pincelar”, afirma Luana.

A última tela foi feita durante o projeto e, assim, os bailarinos puderam acompanhar o processo de criação, camada a camada. Neste ano, nas etapas mais recentes do projeto, temos realizado ensaios virtuais via plataformas. Em frequência semanal, realizamos acompanhamentos individuais junto a cada dançarino, e em frequência mensal, realizamos ensaios síncronos com toda a equipe, por meio dos mesmos dispositivos”, explica Graziela Andrade.

Anamaria Fernandes fala sobre o desafio de montar e dirigir um espetáculo de dança, em que tudo foi feito a distância. “Não foi um processo fácil. Fomos nos ajustando, encontrando maneiras de fazermos juntos, mesmo longe uns dos outros. Maneiras de dirigir, de ser conduzido, de afetar e ser afetado. A tela, ao mesmo tempo que nos separa, é a única ferramenta que dispomos para nos aproximarmos. Fomos, aos poucos, entendendo como fazer uso das plataformas, tentando trazer o sensível para este espaço. Fazer dele um território de investigação, de imanência, de criação de subjetividades”, finaliza.

 

SERVIÇO

 

A Cia Ananda – Cia de Dança Contemporânea – apresenta “Movimento Derivado”

Dias 28 e 29 de maio, sexta-feira e sábado, às 19h

Pelo Youtube Cia Ananda

 

Cia. Ananda: www.ciaananda.com.br

 


Cia Ananda – Cia de Dança Contemporânea  

A Cia Ananda foi fundada em 2017 pela dançarina e coreógrafa Anamaria Fernandes, juntamente com 20 outros artistas. Foi projeto de extensão da UFMG até o ano de 2020. Desde 2021, a cia se configura como um coletivo de artistas que promove múltiplas atividades: espetáculos de dança contemporânea, oficinas temáticas, formações, palestras e criações de filmes. Todas essas ações compartilham uma abordagem artística comum: a estética da diferença, a estética da diversidade.

Através de seu trabalho de criação e oficinas, a cia Ananda funda sua pesquisa e ações em torno da investigação gestual e vocal, da autoralidade, da noção do encontro, da diversidade, do compartilhamento e da acessibilidade. Ela confere uma atenção especial aos públicos que enfrentam dificuldades de acesso à direitos sociais e culturais fundamentais.

 

Graziela Andrade

Considero-me uma artista do movimento. Minha área de origem e na qual tenho “estrada” é a Dança. Sou doutora pela UFMG e Paris-Est, processo que me deu a chance de morar em Paris (2010-2011) e expandir minha interação com as artes. Quando voltei, tornei-me professora da Escola de Belas Artes da UFMG, onde, atuo no curso de licenciatura em Dança.

Minha relação com o campo da arte foi ganhando potência e, de modo catártico, lancei-me às artes visuais na urgência de inesperados acontecimentos de ordem pessoal. Com a pintura e o desenho, descobri outras formas de dar movimento às imagens, elaborar sentidos e criar. Sou ainda pesquisadora e escritora. Publiquei diversos artigos, participei de algumas coletâneas e lancei livros para adultos e crianças.  E, principalmente, sou mãe da Isadora e da Helena, minhas obras primas.

 

Assistam ao vídeo: crédito Juliana Cancio

https://drive.google.com/drive/u/0/folders/11v8l4jGG1JvIdd9ySemOk-Eacf4MFtVt

 

Fotos: crédito Luísa Machala

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