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CD “Cláudio Santoro: obra integral para violoncelo e piano”

No dia 28 de junho, será lançado o CD “Cláudio Santoro: a obra integral para violoncelo e piano“, gravado pelo violoncelo de Hugo Pilger e pelo piano de Ney Fialkow.

Pela primeira vez reunidas em um álbum, as obras para violoncelo e piano de Cláudio Santoro, de grande relevância histórica e musical, figuram entre as mais importantes para essa formação escritas no Brasil. O repertório apresenta uma janela de diferentes tendências estéticas que influenciaram a produção musical do genial compositor e evidencia sua contribuição inestimável para a construção do patrimônio cultural brasileiro.

Link do lançamento: https://youtu.be/AfUqBr8Elpw

A turnê de lançamento, prevista para acontecer no Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Manaus, foi adiada devido à chegada da pandemia, quando decidiu-se por um lançamento num formato online. Para tanto, realizou-se uma espécie de documentário apresentando trechos comentados das músicas do CD e depoimentos dentre outros, de Alessandro Santoro (filho do compositor) e Leo Aversa (fotógrafo).

 

REPERTÓRIO DO CD

Cláudio Santoro

Sonata nº 1 (1943)
I- Alegre enérgico e recitativo
II- Grave
III- Allegro

Adágio (1946)

Sonata nº 2 (1947)
I- Allegro Moderato
II- Lento
III- Allegro

Sonata nº 3 (1951)
I- Allegro Deciso
II- Lento
III- Allegro Deciso

Introdução e Dança (1951)

Sonata nº 4 (1963)
I- Lento – Vivo
II- Adagio
III- Moderato (Cadência)
IV- Allegro molto

Encantamento (1982)

 

Hugo Pilger revela o violoncelo de Santoro
por Irineu Franco Perpetuo na Revista Concerto

Tem gente (esnobe) que torce o nariz para efemérides, mas é difícil não se entusiasmar com o benefício que a comemoração de uma data redonda pode trazer para o homenageado, quando temos em mente o que ocorreu no centenário de Cláudio Santoro (1919-1989), no ano passado. Orquestras e musicistas de todo o país parecem ter acordado para o legado de um dos mais fascinantes e versáteis compositores que o Brasil já produziu, e as consequências dessa sinergia continuam reverberando ao longo desse terrível 2020.

Assim é que, dotado de uma coragem que parece estar à altura da história pessoal do próprio Santoro, o violoncelista Hugo Pilger decidiu não recuar diante das vicissitudes da pandemia que nos assola e está lançando, ao lado do pianista Ney Fialkow, a gravação integral da obra para violoncelo e piano do compositor amazonense. O disco já está disponível e tem um “lançamento virtual” previsto para dia 28 de junho.

Confesso que, quando o álbum físico chegou aqui em casa, com generosos 77 minutos de música, fiquei surpreso: jamais ouvira falar da existência de nada menos do que quatro sonatas para violoncelo e piano do autor. Senti-me um pouco menos culpado ao ler a entrevista de Luciana Medeiros com Pilger na edição de junho da Revista CONCERTO, na qual o instrumentista afirma: “posso garantir que 95% dos cellistas não conhecem as peças extraordinárias de Santoro”.

O álbum abarca quatro décadas da carreira do compositor: da Sonata nº 1 (1943), dos tempos do Música Viva, ao Encantamento (1982), do período brasiliense. Esse lapso temporal acaba servindo como uma espécie de pequena amostra das diversas tendências estéticas seguidas por Santoro ao longo de sua rica e multifacetada trajetória: do serialismo das duas primeiras sonatas e do Adágio (1946) às pesquisas formais da Sonata nº 4 (1963), passando pelas incursões nacionalistas da Introdução e Dança e da Sonata nº 3 – ambas de 1951, e cujas seções líricas parecem evocar o melodismo “bossa nova” das Canções de Amor.

Dedicado intérprete e pesquisador da música brasileira (seu livro Heitor Villa-Lobos: o violoncelo e seu idiomatismo transcende as questões específicas do instrumento, e constitui leitura esclarecedora para qualquer interessado na obra do compositor), Pilger é um camaleão do violoncelo, que encarna com igual naturalidade as diversas facetas da personalidade musical proteica de Santoro, destrinchando com especial habilidade a escrita virtuosística da Sonata nº 4 – escrita para Aldo Parisot que, como ele conta na mesma entrevista a Luciana Medeiros, pediu ao compositor que a obra “fosse especialmente difícil”.

Pilger tem em Fialkow um parceiro de igual destreza técnica e comprometimento interpretativo, em um álbum vigoroso, que, em um momento de tão impensáveis dificuldades, serve para reafirmar a fé no Brasil através do meio mais direto e efetivo – as inquestionáveis virtudes de sua cultura, de sua arte – de sua música”.

 

Hugo Pilger
www.hugopilger.com

Doutor em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Hugo Pilger (Porto Alegre-RS, 1969) iniciou seus estudos de violoncelo na Fundarte (Fundação de Artes de Montenegro-RS) com Milton Bock. Em 1987, passou a estudar no Rio de Janeiro com Márcio Malard e, em 1994, na classe do professor Alceu Reis, formou-se com nota máxima no curso de Bacharelado em Instrumento Violoncelo da UNIRIO, instituição na qual concluiu seu Mestrado em Música em 2012 e Doutorado em Música em 2015.

Como solista, apresentou-se à frente de várias orquestras, dentre elas: Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba, Orquestra Sinfônica da Bahia, Orquestra Petrobras Sinfônica, Orquestra Ouro Preto, Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Realizou turnês em diversos países da Europa, América do Sul e do Norte.

Em 2006, Hugo fez a estreia no Brasil da importante obra para violoncelo e orquestra Tout un Monde Lointain do compositor francês Henri Dutilleux, e, em 2009, a estreia sul-americana do concerto para violoncelo e orquestra Pro et Contra, do compositor estoniano Arvo Pärt. É integrante do Trio Porto Alegre juntamente com o pianista Ney Fialkow e o violinista Cármelo de Los Santos e professor da classe de violoncelo da UNIRIO.

Das obras que lhe foram especialmente dedicadas, destacam-se: Sonata nº 2 para Violoncelo Solo, de David Ashbridge; Orégano, de Ricardo Tacuchian; Meloritmias nº 10, de Ernani Aguiar; Serenata pro Pilger, de Maurício Carrilho; Reflexões sobre a Ostra e o Vento, de Wágner Tiso; Sortilégios, de Marcos Lucas; O Golpe, de Felipe Radicetti; Esferas para violoncelo, quatro trompas e orquestra de cordas, de Paulo Francisco Paes; Concerto para violoncelo e orquestra (2013), de Ernst Mahle.

Destacam-se, dentro de sua discografia:

– CD “Hugo Pilger interpreta Ernani Aguiar” – Melhor Intérprete Erudito e Melhor Álbum Erudito no Prêmio Açorianos de Música 2015/2016 de Porto Alegre-RS;

– CD duplo, DVD e Blu-Ray gravado com a pianista Lúcia Barrenechea, intitulado “Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano”, que contém o primeiro registro do violoncelo que pertenceu ao compositor Heitor Villa-Lobos, um Martin Diehl de 1779. Este projeto ficou entre os três finalistas do Prêmio da Música Brasileira de 2015;

– CD “Ernst Mahle“, lançado em 2017 com a integral para violoncelo e piano gravado com o pianista Guilherme Sauerbronn (Melhor Intérprete, Compositor e Álbum Erudito no Prêmio Açorianos de Música 2017-2018);

– Com a pianista Lúcia Barrenechea, o volume II do “Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano“, projeto indicado ao Prêmio Açorianos de Música 2016/2017 como Melhor Álbum Erudito e Melhor Intérprete Erudito para Hugo Pilger. Recebeu o Prêmio Profissionais da Música 2018 na categoria Instrumentista Erudito. É autor do livro Heitor Villa-Lobos, o violoncelo e seu idiomatismo.

Ouvi cuidadosamente sua interpretação e a descobri cheia de qualidades...”  – Henri Dutilleux.

Uma técnica impecável, um virtuosismo total no instrumento e com uma sonoridade assombrosa! Uma interpretação de tirar o fôlego!”
Álvaro Gallegos M.

 

Ney Fialkow

Premiado em diversos concursos, destacando-se o cobiçado título de melhor pianista do VII Prêmio Eldorado de Música, em São Paulo, os primeiros prêmios em diversos concursos nacionais e no exterior, o pianista Ney Fialkow é hoje um dos destacados músicos do cenário nacional. Concilia uma movimentada carreira de solista e camerista com a atividade de professor titular do Departamento de Música Instituto de Artes UFRGS, em Porto Alegre.

Tem cativado plateias de diversas salas de concerto no Brasil e no exterior, sendo suas masterclasses apreciadas por jovens pianistas de diversos países. Em parceria com o violoncelista Hugo Pilger, tem realizado inúmeros recitais, divulgando primordialmente o repertório brasileiro para violoncelo e piano. Ao lado do violinista Cármelo de los Santos gravou o premiado CD Sonatas Brasileiras. Suas gravações incluem obras para piano e orquestra de Vágner Cunha e Bruno Kiefer, além de obras para piano de Camargo Guarnieri e Edino Krieger.

Em 2016, fez sua estreia em Paris, na Sala Cortot em duo pianístico com Guigla Katsarava. Lançou os CDs Metamorfora e Fantasy pelo selo Blue Griffin em parceria com o baixista Marcos Machado, realizando turnê de concertos por diversas cidades da América Latina, EUA e apresentações no Instituto Boccherini em Lucca, Italia, e também no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris.

Realizou diversos concertos no Brasil e no exterior como membro integrante do Trio Porto Alegre, ao lado do violinista Cármelo de los Santos e do violoncelista Hugo Pilger. Ao lado da mezzo-soprano Ângela Diel ,tem se apresentado divulgando especialmente o repertório das canções alemãs. Com o violoncelista Hugo Pilger, realizou a estreia brasileira do Concertino Lírico para Violoncelo, Orquestra de Cordas e Piano, de Franco Mannino.

Ney Fialkow colaborou em recitais ao lado de renomados nomes internacionais tais como Aldo Mata, Alejandro Drago, Alessandro Borgomanero, Alexander Baillie, Amilcar Carfi, Antônio Del Claro, Cláudio Cruz, Csaba Erdelyi, Danilo Mezzadri, Daniel Guedes, Daniel Rowland, Eiko Senda, Emmanuele Baldini, Fábio Presgrave, Horácio Schaefer, Jean Jacques Pagnot, Joel Quarrington, Michael Haran, Michel Bessler, Moisés Cunha, Pablo de León, Roberto Ring, Timothy Deighton, Timothy Schwarz, Yang Liu, entre outros.

Concluiu seu Bacharelado em Música pela UFRGS, com Zuleika Rosa Guedes; Mestrado em Música no New England Conservatory, com Patricia Zander e Doutorado em Música no Peabody Conservatory da Johns Hopkins University, com Ann Schein.

Atuou como solista de diversas orquestras sob a regência de maestros Alceo Bocchino, Antônio Carlos Borges Cunha, Arlindo Teixeira, Camargo Guarnieri, Delta David Gier, Ernani Aguiar, Evandro Matté, Fredi Gerling, Isaac Karabtchevsky, Jean Reis, Lutero Rodrigues, Manfredo Schimiedt, Miguel Graça Moura, Paul Chou, Raul Munguia, Roberto Duarte, Roberto Tibiriçá, Tulio Belardi, entre outros.

“…sonoridade perfeita, fraseado harmonioso, dedilhado preciso e suave, marca registrada dos grandes pianistas” – O Estado de São Paulo, SP

“…fervilhando brasilidade nos Ponteios de Guarnieri” – L’Alsace, França

 

Como adquirir

Estará disponível na Loja Clássicos:

www.lojaclassicos.com.br

Valor R$36,80

 

Cláudio Santoro – obra integral para violoncelo e piano

O vídeo estará disponível após o lançamento dia 28 de junho.

 

 

Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.