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“Caso OSB” se aproxima de desfecho razoável

A nova Direção Artística da OSB, composta por Fernando Bicudo e Pablo Castellar, ofereceu aos músicos demitidos uma nova proposta para pôr fim à crise.

A proposta, que é bastante razoável, divide-se em três opções conforme nota oficial reproduzida abaixo:

1 – Todos os 33 músicos serão reintegrados imediatamente à FOSB, através de um novo corpo artístico que será criado pela Fundação, sem a regência do maestro Roberto Minczuk, sem a necessidade de avaliações de desempenho e mantendo o mesmo regimento interno e piso salarial originais.  A Instituição também cuidará de realizar o pagamento dos salários retroativos referentes a todo o período de negociações, descontando apenas um mês de suspensão.  Os músicos deste grupo não necessitam ter dedicação exclusiva à OSB, podendo participar de outras atividades e orquestras, desde que cumpram o número de funções estabelecidas pelo Regimento Interno.

2 – Todas as demissões por justa causa serão revertidas em demissões sem justa causa, com o recebimento das indenizações cabíveis, para os músicos que optarem por não retornar à Fundação OSB.

3 – Reintegração de 12 músicos pré-selecionados pela direção artística em conjunto com a Comissão de Músicos da OSB, levando em consideração as necessidades atuais da orquestra.  Este retorno ao corpo orquestral se dará mediante a adesão ao novo regimento interno e a realização de avaliações de desempenho em formato de música de câmara.  Todos os demais poderão escolher entre as duas primeiras opções.
Não há dúvida de que todo esse imbróglio só foi causado pela total e absoluta incompetência da FOSB em gerenciar a crise que a própria Fundação criou ao implementar um processo de avaliações que não foi respaldado pela Comissão de Músicos da orquestra.

Uma orquestra sinfônica não é, e nem pode ser, uma repartição burocrática, e consequentemente não pode ser tratada como tal.  No entanto, foi exatamente assim que a FOSB tratou seus músicos durante toda a crise, ou seja, como burocratas, como meros funcionários, e não como artistas, dotados de suas respectivas suscetibilidades.

Isso não quer dizer que ela, a Fundação, não possa exigir dedicação exclusiva e avaliações de seus subordinados.  É claro que pode.  O erro crasso cometido pela FOSB não foi decidir avaliar os músicos ou exigir-lhes dedicação exclusiva, mas sim a maneira extremamente autoritária e escancaradamente desrespeitosa como quis impor tais exigências.

O processo deveria ter sido amplamente discutido dentro da FOSB, com a efetiva participação dos músicos, antes de ser implementado, inclusive oferecendo alternativas dignas àqueles artistas que eventualmente não fossem mais aproveitados na orquestra.  Nada disso foi feito.

O resultado foi que tudo deixou de ser um processo interno e acabou parando na grande imprensa, importantes músicos brasileiros e estrangeiros cancelaram apresentações com a OSB, e a comunidade musical internacional manifestou seu repúdio à maneira como o processo foi conduzido.

A OSB tem Diretor de Marketing?  Como esse profissional permite que a imagem da orquestra seja manchada a tal ponto, com boa parte do mundo repudiando suas atitudes?  O que faz o Diretor de Marketing da OSB?  Bem, o que ele faz eu não sei, mas sei o que ele deveria fazer, ou melhor, deveria ter feito: zelar pela imagem da OSB.

Depois de tudo isso, parece que a FOSB finalmente percebeu o enorme tamanho da repercussão negativa de suas atitudes de nível rasteiro.  Sim, o nível foi rasteiro, pois “baixo” seria um nível bastante alto para classificar a qualidade das ações da FOSB em toda esta confusão.

A prova disso é que, depois de tudo, Roberto Minczuk, apontado pelos músicos como o mentor das avaliações, deixou a Direção Artística da FOSB, e o que fazem os novos diretores?  Apresentam uma proposta de reconciliação com os músicos demitidos.  Ora, se isso não é enfiar a viola no saco ou o rabo entre as pernas, eu não sei o que é isso.

É importante ressaltar, no entanto, que os comentários acima não se dirigem a Fernando Bicudo nem a Pablo Castellar, os novos diretores que só chegaram agora e estão procurando resolver o problema que nem Minczuk, nem Eleazar de Carvalho Filho, nem o tal Diretor de Marketing e nem ninguém da FOSB teve competência suficiente para resolver.  Bicudo e Castellar, ao contrário, estão se mostrando competentes e interessados em solucionar o imbróglio.

Por fim, é preciso também que os músicos enxerguem que a hora de resolver esta questão é agora, ou seja, aproveitar as boas intenções da nova Direção Artística e encerrar de uma vez por todas essa querela que, a esta altura, já está mais do que insuportável, até porque ninguém aguenta mais ouvir falar disso.  Todos aqueles que estamos ligados, direta ou indiretamente, ao meio musical queremos uma solução definitiva.

Os músicos não aceitaram uma proposta anterior de conciliação (tudo bem, a proposta era mesmo do tipo “cala a boca”, só com a intenção de diminuir os prejuízos de imagem da FOSB), mas a nova proposta parece realmente contemplar uma real possibilidade de atender a todos, e não somente à FOSB.

O crescimento artístico da OSB depende desta conciliação.  Sem ela, tudo será mais difícil, e o será para todos.  A hora é agora.  Resolvam-se, por favor.

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5 Comments

  1. Caro Leonardo, realmente, é hora de um mutirão pela nossa gloriosa Orquestra Sinfônica Brasileira! A Cultura brasileira se escreve musicalmente na música clássica, através dos 70 anos da OSB, a mais importante instituição musical de nosso país, para onde convengem todos os nossos grandes artistas. Uma orquestra deve funcionar como uma Irmandade pela Música, que com seu imenso poder divino é capaz de vencer qualquer crise. Com a admiração de sempre pelos teus sempre lúcidos comentários sobre nosso meio musical, Fernando Bicudo

  2. Caro Bicudo, é uma honra tê-lo como leitor. Agradeço pelo comentário, pelas palavras, e espero realmente que, desta vez, tudo enfim se resolva.

    Um grande abraço.

  3. Houve um grande movimento em SP, a favor das ações da FOSB e de seus diretores, com base na “experiência vitoriosa” da OSESP. Esqueceram-se de que, graças ao autoritarismo das suas ações, Neschling de lá foi defenestrado, perdendo inclusive, em segunda instância, a indenização que havia conseguido em primeira. Se é um fato a ser lamentado, pois a dedicação do regente à OSESP era inegável, sua saída representou um alívio para os músicos, seguidamente desrespeitados como artistas e como seres humanos. O recuo da FOSB demonstra que atitudes semelhantes não são mais viáveis em nosso país, como há muito tempo já não o são nos países europeus e nos EUA.

  4. Caro Antônio Campos, suas palavras ponderadas são sempre bem-vindas. Eu soube que houve uma contraproposta dos músicos nesta terça-feira, dia 02/08, e a FOSB está analisando. Vamos ver como é que fica.

    Um abraço.

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com