CríticaLateral

“Carmen”, o Sobrenatural de Almeida e o conselheiro Acácio

Combinações dos elencos mostraram que o Sobrenatural de Almeida entrou no palco.


Como não poderia deixar de ser, a ópera  Cheap Carmen de Bizet apresentada nove vezes no Theatro Municipal de São Paulo foi sucesso de público com ingressos esgotados e cambistas tentando faturar. Como não poderia deixar de ser, o público que frequenta teatros de ópera e concerto continua sem saber se comportar. Como não poderia deixar de ser, o imponderável, ou como dizia Nélson Rodrigues, o Sobrenatural de Almeida entrou em campo aos 45 do segundo tempo e surpreendeu no resultado.

O TMSP escala dois elencos para suas apresentações. Em teatros pelo mundo, esses elencos se alternam nas apresentações, mas no nosso teatro eles se alternam nas primeiras récitas e depois se misturam mostrando diversas combinações de elencos, algumas interessantes e outras sem a menor sintonia. Essas combinações mostraram que o Sobrenatural de Almeida entrou no palco.

O primeiro a surpreender foi o tenor Fernando Portari, cantor tarimbado com interessante carreira internacional. No dia 10 de Junho, seu Don José se mostrou cenicamente impecável, desfilou emoções a rodo, humanizou o personagem exibindo seu lado sentimental. O problema do Portari foi vocal, fugiu dos agudos o tempo todo, sua voz se apresentou sem brilho e muitas vezes tendendo para a rouquidão. Abusou dos pianíssimos tentando compensar a falta de agudos. Seu francês é de excelente qualidade e nos diálogos foi o melhor da trupe. Um grande tenor em uma noite infeliz, acontece com qualquer um. Olha o Sobrenatural de Almeida ai !

A soprano chilena Andrea Aguilar http://www.iceppi.it/?p=5692 fez uma Micaëla ingênua e apaixonada e, em suas intervenções, sua voz esteve lírica, melódica e leve. Agudos claros com projeção que enche o teatro, conseguiu expressividade na ária Je dis que rien ne m’épouvante . Uma cantora correta com bons dotes vocais. Nem toda a pureza vocal e cênica da jovem comoveu Don José, o amor pela cigana Carmen falou mais alto.

David Marcondes how to order vigra from vipps encarnou o toureiro Escamillo, papel de barítono que tem de mostrar bravura, força vocal e cênica. Marcondes pecou no fraseado, sua voz esteve travada e seus graves opacos. Conseguiu emprestar dignidade cênica ao personagem, mas nada que empolgasse.

Luísa Francesconi http://www.hardcandypilates.com/otc-sale-chloramphenicol-eye-drops/ , o que dizer desse mezzo-soprano. Fiquei meio ressabiado quando vi que ela foi escalada para essa ópera, pois eu tinha outra cantora em mente. Já a conhecia pelo Werther Buy  do Theatro São Pedro e sabia que era uma grande cantora, mas Carmen é Carmen e o Municipal é bem maior que o São Pedro. A bela jovem (pode colocar bela nisso) mostrou ser uma Carmen empolgante em todos os quesitos. Cenicamente fez sua personagem ousada e sensual, daquelas com capacidade de seduzir até um monge tibetano.

Mostrou-se sempre à vontade no palco com um bom francês  nas partes faladas e cantadas, sua dicção prima pela qualidade. Sedutora quando necessário e dramática na medida certa no terceiro e quarto atos. Vocalmente, esteve excelente em todos os registros: agudos limpos e graves fortes e sólidos em um timbre de grande beleza. Mostrou personalidade e impôs seu estilo para a personagem com gestos e expressões na medida: Francesconi compreende as necessidades da Carmen e a interpreta na medida certa. Fiquei de queixo caído com a moça. Olha o Sobrenatural  de Almeida de novo ai !

Cheap Vinícius Atique Pills fez um Moralès com voz consistente, barítono que evolui a cada apresentação e que deveria ter se apresentado em todas as récitas. Lembro aos leitores que sua participação na ópera é pequena e não vejo a necessidade de um cantor de fora dividir com ele o papel.

O clima no Theatro Municipal de São Paulo esteve leve nas récitas da Carmen: do mais humilde funcionário ao mais graduado solista estavam relaxados e trabalhando felizes. O motivo de tanta alegria é que o diretor da casa John Neschling esteve na Europa nesse período. Lembro que John disse à revista Veja São Paulo que o Parque do Ibirapuera cheira a xixi, sabemos que ele ama o velho continente. Em um texto de sua autoria no Facebbok, ele escreve sobre literatura, ele já escreveu sobre psicanálise, fez uma crítica da Carmen Purchase  que ele mesmo produziu e agora pensa que é crítico literário. Estranho para quem defende que cada um fique restrito à sua área de estudo, virou o Conselheiro Acácio.
Ali Hassan Ayache} else {

4 Comments

  1. Sr. Ali Hassan Ayache, gosto de ler as criticas que são divulgadas pelo Movimento.com. Como sou apenas audiência, aprendo muito com elas, inclusive com as suas, em alguns aspectos. Noutros, o senhor aborrece, pois apenas as usa como pretexto para criticar o Regente John Neschling. Percebe-se claramente que o seu maior motivo para escrever é para ter a oportunidade para atacá-lo. Por favor, por que não se utiliza de outro fórum e não nos poupa de seus comentários inúteis em relação a ele? Grato.

  2. Em tempo, Sr. Ali: na récita do dia 31 de maio, com o mesmo elenco desta crítica que o senhor redigiu e na qual Fernando Portari não apresentou os problemas vocais relatados – ele esteve soberdo, o Maestro John Neschling esteve presente, EU e minha companheira o vimos, ninguém me contou. Grato.

  3. Caro Adilson, monte um site ou um blog sobre o tema e lá você decide quem pode ou não publicar.

  4. Não é meu intuito, apenas questiono porque tanto você expressa raíva pelo Maestro John Neschling nas suas criticas, mudando o foco das mesmas, resolva seus problemas pessoais diretamente com ele.

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Ali Hassan Ayache
Bacharel em Geografia pela USP. Apreciador de ópera, balé e música clássica. Ativo no meio musical, mantém o blog http://verdi.zip.net/. Escreve críticas, divulga eventos, entrevista personalidades e resenha óperas e balés em DVD.