CríticaÓpera

“Billy Budd”, de Britten: estreia no Municipal RJ

A iniciativa do TMRJ ao encenar a ópera Billy Budd, de Benjamin Britten (1913/1976), é absolutamente acertada e proveitosa.

Com isso, homenageia-se o compositor no seu centenário e traz-se ao público uma obra moderna (1951), típica de uma escola e de um período, ainda não encenada no Brasil, e singular na forma, eis que cantada só por vozes masculinas.

Meu primeiro contato com a música de Benjamin Britten, compositor inglês de quem se comemora este ano o centenário de nascimento, se deu na Sala Cecília Meireles no Rio de Janeiro (falo de música ao vivo) penso que nos anos 1960, por ocasião de um recital dele próprio ao piano e de seu fiel amigo e intérprete tenor Peter Pears, no qual foram  apresentadas algumas suas composições para canto e piano (ou reduzidas para). Fiquei encantado e emocionado com canções em francês sobre versos de Rimbaud em Les Illuminations chloramphenicol 250 mg , de enorme riqueza melódica, rítmica e harmônica. No dia seguinte, já havia comprado partitura e gravação dessa obra e de “Dirge”, rica e expressiva peça fúnebre.

Mal sabia eu que, pouco tempo depois, meu segundo contato com sua obra ao vivo seria justamente com a ópera Billy Budd, que vi em maravilhosa edição cênica e musical no Covent Garden, em Londres, no início dos anos 1980. Depois, tive contato ao vivo com a ópera Peter Grimes, encenada no TMRJ, e com War Requiem, levada em Londres.

A vinda ao palco dessa obra permite ao  público julgar por si mesmo quanto a seus valores musicais, quanto a sua modernidade, quanto a sua originalidade, e muito mais. É uma obra que vai despertar ao menos a curiosidade do público de ópera, acostumado tantas vezes a peças de museu.

A presente edição vem de Santiago do Chile e teve ótima direção cênica de Marcelo Lombardelli, e não menos ótimas e inspiradas  direção musical e regência de Isaac Karabtchevsky.

A nosso ver, a cenografia é muito restrita ao preto e branco, o que traz certa monotonia ao espetáculo. Há uso restrito de elementos náuticos ou marítimos e movimentação excessiva em entra-e-sai.

Os cantores Leonardo Neiva, Roger Honeywell, Hector Guedes, Homero Velho e Daniel Soren estiveram todos em excelente nível, muito bem secundados por Ricardo Tuttmann, este sempre profícuo e competente artista, por Ivan Jorgensen, jovem cantor da nova geração, e por todos de modo geral. Não é cabível uma análise individual de cada cantor, pois a ópera não oferece ocasiões para grandes expansões individuais, com árias e duetos. É uma ópera de parlatos, de pequenas frases, de diálogos com essas pequenas frases.

O coro masculino, preparado por Jesus Figueiredo, e o coro infantil da UFRJ, preparado por Maria José Chevitarese, acompanharam com entusiasmo o bom nível geral da produção.

“A ver”, como diriam los hermanos argentinos. Quem puder não perca essa oportunidade de julgar uma obra muitas vezes encenada nos maiores teatros do mundo, inédita em nossos palcos.

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1 Comment

  1. Estive na estreia do espetáculo e concordo com a crítica de Marcus Goes. Excelente espetáculo, cujo êxito pôde ser medido pelos calorosos aplausos do público. Recomendo com empenho.

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.