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Bianca Mendonça – dança contemporânea

Crise financeira mundial é tema do espetáculo de dança contemporânea. Radicada na Alemanha, brasileira Bianca Mendonça leva a coreografia, inédita no Brasil, ao Teatro de Contêiner nos dias 8, 9 e 10/ 11, logo após uma curtíssima temporada de CO2 e Outras Toxinas no Sesc Pompeia.

 

E agora para onde

Duas bailarinas de pé em um palco vazio encaram o público. Parecem contemplar um horizonte amplo de possibilidades. Mas, aos poucos, a maneira como elas se movem revela antes uma encruzilhada do que uma utopia. No espetáculo de dança contemporânea “E Agora para Onde“, da coreógrafa brasileira que vive na Alemanha Bianca Mendonça, o horizonte não está mais lá, e aqueles corpos não têm outra saída a não ser mergulhar no estado de crise que os levou a este aprisionamento e mover-se em busca de novas perspectivas.

Apresentado pela primeira vez em Colônia, na Alemanha, em 2018, a obra faz sua estreia no Brasil e fica em cartaz nos dias 8, 9 e 10 de novembro no Teatro de Contêiner, em São Paulo. O espetáculo, concebido no contexto dos dez anos da crise financeira de 2008, é o último de uma série de três trabalhos em que Bianca investiga, ao lado de outras artistas, os efeitos do neoliberalismo e suas crises – os outros dois são Continuum, de 2015, e CO2 e Outras Toxinas, de 2016, que volta a São Paulo para mais quatro apresentações no Sesc Pompeia, de 31 de outubro a 3 de novembro.

Eu estava muito ocupada com a questão do neoliberalismo no corpo, sobre como esse sistema influencia o corpo da sociedade”, explica Bianca, que substitui a bailarina portuguesa Carla Jordão e atua ao lado da alemã Katharina Geyer. Ao dançar pela primeira vez a coreografia que criou, Bianca conta que teve a sensação de estar presa, “como se andasse em círculos, sem conseguir sair”.

O movimento circular e repetitivo é uma síntese, para a coreógrafa, da própria situação de crise. “Trabalhar a circularidade somou-se ao fato de que essas crises são fabricadas, são parte da própria dinâmica do capitalismo”, afirma. “Em vez de haver reflexão sobre o que nos levou à quebra do sistema financeiro, houve um movimento de medo e de ressaltar autoridade para reforçar essa ideia.” No palco, porém, o trabalho físico também leva em conta o potencial de transformação de toda crise. “A ideia era sentir isso no corpo e traduzir no movimento e na encenação”.

O desenho de som original do artista de som alemão Timm Roller confere uma atmosfera hipnótica ao espetáculo, em que são inseridos fragmentos de áudios coletados da internet e da cobertura jornalística do crash de 2008, que deslocam o público para um passado que ainda se faz presente.

“CO2 e Outras Toxinas”

CO2 e Outras Toxinas é uma perfomance audiovisual inspirada nos desdobramentos da catástrofe de Mariana (MG). Em cena, Bianca Mendonça, Katherine Geyer e Thaís de Almeida Prado buscam uma resposta física, coreográfica e artística ao cenário de morte e asfixia causado pelo rompimento da barragem da mineradora. As performers surgem cobertas de argila e poeira e testam os limites do próprio corpo, criando imagens que fazem o público se relacionar subjetivamente ao tema.

 

SERVIÇO

 

E Agora Para Onde

Dias 8, 9 e 10 de novembro, sexta e sábado às 22h e domingo às 21h

Teatro de Contêiner Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia – São Paulo –  (11) 97632 7852)

Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 5 (moradores)
Bilheteria: vendas online até 3 horas antes do evento pelo site: https://www.ciamungunza.com.br/programacao#e-agora-para-onde
A bilheteria física abre 2 horas antes do evento.

Classificação: 16 anos

 

CO2 e Outras Toxinas

De 31 de outubro a 3 de novembro, quinta, sexta e sábado às 21h30 e domingo às 18h30

Sesc Pompeia. Espaço Cênico (Rua Clélia, 93 – Água Branca – São Paulo – (11) 3871-7700)

Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 9 (credencial plena)
Bilheteria: ingressos à venda a partir de 23/10 em todas as unidades do Sesc São Paulo ou a partir de 22/10 pelo site:
https://www.sescsp.org.br/programacao/205417_CO2+E+OUTRAS+TOXINAS

Classificação: 14 anos

 

 

Bianca Mendonça

Graduou-se em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007. Em 2010, realizou a formação em dança contemporânea e coreografia Dance Intensive, no Tanzfabrik Berlim. Concluiu, em 2014, o Master em Dança e Disseminação na Universidade de Música e Dança de Colônia, realizando um intercâmbio na Universidade de Dança e Circo em Estocolmo, onde estudou coreografia e performance.

Radicada desde 2011 na região do Norte da Westfália da Alemanha, desenvolveu seus últimos trabalhos, entre ele To Be Heard, Continuum, Alternative e Zwischenzeitlich, em parceria com diversos institutos e festivais de artes europeus. www.biancamendonca.squarespace.com


Katharina Geyer

Estudou dança na Academia de Dança Contemporânea de Portugal, no Instituto de Ballett Rheinland-Pfalz Virgil Paleru, em Worms, e na Academia de Música e Dança de Colônia. Concluiu licenciatura e mestrado em história da arte e literatura comparada em Bonn, na Alemanha. Sua prática artística é profundamente influenciada pela dança contemporânea e pela performance, assim como os movimentos artísticos e suas implicações conceituais da arte pós-moderna das décadas de 1960 e 1970 (dança pós-moderna, música minimalista, arte conceitual, etc.) e as novas teorias de imagem.

Participou do desenvolvimento do trabalho de Trisha Brown (na Documenta 12, em Kassel) e Simone Forti (Kunstmuseum Bonn), ambos os trabalhos focados na performatividade. De maneira semelhante, trabalhou com Xavier Le Roy, Marten Spangberg (K20 Dusseldorf), Jennifer Allora & Guillermo Calzadilla (RuhrTriennale). Também dançou em coreografias contemporâneas propostas por Valérie Kommer e Carla Jordão.


Thaís de Almeida Prado

Performer e artista transdisciplinar, desenvolve um trabalho nas fronteiras entre as artes visuais, o cinema, o teatro, a dança, a música e a literatura. Recentemente, realizou uma residência artística na Saline Royale d’Arc et Senans, na França, onde desenvolveu a instalação Aller/Retour. Passou um período na Alemanha, onde colaborou com a artista sul-coreana Rachel Alliston e com o artista espanhol Lee Cofa, além de ter trabalhado com Bianca Mendonça e Katharine Geyer na criação do espetáculo CO2 e outras Toxinas.

No Brasil, em 2016, criou a videoinstalação Icamiaba-Beatnik junto com Lucas Bambozzi. Em 2012, com a Cia Auto-Retarto, foi contemplada com o edital de FOMENTO ao teatro, com o projeto Origem/Destino – espetáculo de intervenção urbana. No mesmo ano, dirigiu o curta-metragem os barcos, contemplado com o prêmio do 16º Festival Cultura Inglesa. Em 2007, no 16º Festival VideoBrasil, criou a performance A Adormecida que…, para a exposição Tulse Luper Suitcases, do cineasta britânico Peter Greenaway e do solo criou um livro-performance. http://thaisampr.wix.com/thaisalmeidaprado/

 

Foto do post de Micaela Alaniz

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