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Bela noite de gala

Festival de Dança de Joinville tem noite especial em 24 de julho, com artistas convidados. Cheap

 

24 de julho foi uma data especial para o Festival de Dança de Joinville: nela ocorreu a Noite de Gala, evento que tem a participação de artistas convidados. Este ano, o Festival – de 35 anos de atividades – resolveu homenagear bailarinos que passaram por seu palco e foram agraciados com algum título.

A gala, realizada no palco do Centro de eventos Cau Hansen, na cidade catarinense, foi idealizada com uma proposta muito clara: a valorização da arte, em suas diversas linguagens, e a busca pela promoção de um diálogo entre elas. Para os conservadores mais puristas, talvez isso tenha criado grande surpresa; porém, da forma como foi apresentada, o grande público recebeu uma grande aula de qualidade, somada a bom gosto e criatividade.

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, única filial do Teatro Bolshoi, há 17 anos forma bailarinos profissionais e técnicos em dança pelo método Vaganova e garante o acesso de crianças e jovens ao mundo da arte. A instituição concede 100% de bolsas de estudo para todos os alunos. Nesta noite, apresentou Danças Polovitisanas, da ópera Príncipe Igor, com música do russo A. Borodin (1833-1887), que impressionou Paris em 1909, na Saisons Russes de Sergei Diaghilev, tem versão coreográfica de Kasyan Goleizovsky. A Escola Bolshoi também apresentou pas-de-deux com Dança dos Espíritos, música da ópera Orfeu e Eurídice Purchase Order , de C. W. Gluck (1714-1787), e coreografia do russo Asaf Messerer. No elenco, alunos e bailarinos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Sob a direção de Pavel Kazarian Buy e ensaiados por Anna Koblova, Ayrat Khakimov, Bruna Lorrenzzetti, Dmitri Afanasiev, Denys Nevidommy, Galina Kravchenko, Liudmila Sinel’nikova, Maikon Golini e Maria Antonieta Sapadari.

A Cia. Brasileira de Balé Female Cialis buy , dirigida por Jorge Teixeira, trouxe Noite de Valpurgis, da ópera Fausto, de C. Gounod (1818-1893). O quadro coreográfico tem coreografia original de Lavrovski e remontagem de Jorge Teixeira. Grande destaque para o primeiro bailarino do Balé Nacional de Sodre, Gustavo Carvalho, jovem brasileiro que ganhou o Festival de Joinville em 2008, 2009 e 2010. Uma execução segura, de técnica limpa e bonita figura no palco. Breno Lucena, que ganhou o prêmio revelação em 2015 no Festival de Joinville, atua na Cia. Brasileira como solista e, mais uma vez, se destacou como grande intérprete do seu personagem Pan, com além de bonita técnica. A jovem Mel Oliveira atua como solista na Cia. de Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Esteve muito bem em cena, apresentando uma técnica primorosa totalmente entregue ao personagem.

A música de G. Verdi (1813-1901) esteve presente com o Coro dos Ferreiros, da ópera Il Trovatore. Momento de grande surpresa e revelação de linguagem teatral – ópera e linguagem em danças urbanas. Com impecabilidade absoluta, o grupo Maniac’s Crew, fundado em 2008 pelo coreógrafo Thiago Rodrigo Moreira, que atualmente divide a direção com Maicon Zepelini, entendeu a proposta do coreógrafo idealizador da Gala, Marcelo Misailidis, e apresentou um trabalho de perfeito diálogo entre o clássico e o urbano.

Esse entendimento se estendeu a obra Order Carmen, de G. Bizet (1838-1875). Com toda dramaticidade musical na concepção de Misailidis, roubou a cena o casal principal de bailarinos. Realmente merecia maior atenção e cuidado da parte dos bailarinos executantes. É necessário uma visão completa da arte; não adianta a música dizer e o sentimento no corpo não traduzir. Vale ressaltar que o solo da ária do personagem Escamilo teve grande destaque na execução de Edson Barbosa.

Grande homenageado da noite, o artista plástico Juarez Machado esteve em cena por meio de suas pinturas e gravuras, que deram o grande teor do cenário. Breno Lucena interpretou o artista com leveza e gracejo adequadas à sua pintura em La Gaîté Parisienne, de J. Offenbach (1819-1880). Um deboche elegante, no qual sátira e crítica temperaram as cores com elegância e classe. Cícero Gomes, primeiro bailarino do TMRJ, foi muito feliz na sua interpretação leve e brejeira, de acordo com o tema.

Em seguida, da ópera Les Contes d’Hoffman, a famosa barcarola penegra express side effects Pills Belle nuit, oh nuit d’amour – foi, de fato, uma bela noite!

Mayara Magri mostrou elegante presença cênica, técnica e linhas perfeitas: uma bailarina completa. A menina que em 2010 encantou Joinville ao conquistar o prêmio de melhor bailarina, retornou ao Festival para retribuir tudo que dali recebeu. O público se emocionou com a atual solista do Royal Ballet de Londres, posição que ocupa desde 2012. Mayara é a prova viva que a arte tem poder transformador: ela começou seus estudos de balé em um projeto social e, a partir dali, sua vida se transformou.

nolvadex cheap João Wlamir, assistente de direção de Marcelo Misailidis, deu sua contribuição para a noite. João é personalidade conhecida no Festival de Joinville, pois já passou pela curadoria, agregando toda sua experiência como bailarino e grande ensaiador.

Tânia Agra generic prozac , outra importante personalidade no mundo da dança, foi responsável pelo figurino na terceira parte da noite, na qual Juarez Machado foi homenageado. Restaurante em Paris, obra de Juarez escolhida por Misailidis, recebeu um tratamento especial por parte da figurinista, que soube mediar tecido e cor para compor um quadro de visual de grande impacto e bom gosto. Tânia, para criar esse figurino, mergulhou na obra do pintor, buscando, assim, a sintonia perfeita para compor cada detalhe individual no seu figurino, porque foi uma criação que valorizou cada bailarino.

Jorge Teixeira é um batalhador da arte, por assim dizer. Dirige a Cia. Brasileira de Balé com total dedicação. Disciplina e determinação são fatores preponderantes ao resultado que sua companhia vem obtendo no cenário nacional.

Marcelo Misailidis é um artista visionário. Seu currículo como professor, primeiro bailarino e ensaiador do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi de uma inteligência artística sublime, pois o artista criou um espetáculo para grandes teatros e foi de grande inspiração ao reunir as artes.

Música, ópera, dança e artes plásticas: afinal do que é feito o teatro? Misailidis deixa essa pergunta para todos que tiveram o privilégio de presenciar essa integração. Marcelo também propõe um diálogo que agrega e constrói. Parabéns à curadoria do Festival de Joinville, que confiou essa belíssima gala a um grande artista. Como diz a bela barcarola dos Contos de Hoffman, Belle nuit: de fato foi uma linda noite!

 

Na foto, ao centro, Mayara Magri e Cícero Gomes. Buy

 

Wellen Barros
Wellen Barros – Cantora Lírica integrante dos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Concluiu Bacharelado em Música pelo Conservatório de Música de Niterói. Formada em História da Dança pela UNIDANÇA. Atua como preparadora vocal para atores na Companhia de Teatro Recontando Conto. Possui especialização em Shakespeare tendo como Mestra Bárbara Heliodora. Atualmente desenvolve pesquisa sobre Verdi e sua dramaticidade teatral. Autora da Biografia da primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Cecília Kerche para o Figuras da Dança da São Paulo Companhia de Dança.