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BalA� do TMRJ comemora 80 anos

Purchase l tryptophan cvs Um dos balA�s mais tradicionais estA? de volta ao TMRJ: O Lago dos Cisnes.

Inspirado, em sua gA?nese,A�nos irmA?os Grimm e seu conto O Trovador e no conto do alemA?o J. K. August MusaA?s, O VA�u Roubado, Tchaikovsky compA?s seu balA� que veio ficar para sempre no repertA?rio das grandes companhias do mundo a�� O Lago dos Cisnes. Tchaikovsky, jA? em 1871, prepara uma breve mA?sica sob o nome Lebedinoje Osero, como presente de aniversA?rio dos sobrinhos.

Em 1875, o dramaturgo Vladmir Petrovic Begitchev (1828-1891), a pedido do diretor geral do Teatro Imperial de Moscou,A�pede a Tchaikovsky que componha uma mA?sica para balA�. Seria o primeiro compositor sinfA?nico a escrever para balA�. Ao que parece, a composiA�A?o sinfA?nica de Tchaikovsky causou grande problema ao coreA?grafo, tendo que ser cortada aqui e ali. Finalmente, a obra foi apresentada no Teatro Imperial do Bolshoi em 4 de marA�o de 1877, masA�Tchaikovsky nA?o aprovou o tratamento dadoA�A� sua composiA�A?o. Muitos dizem que a premiA?re nA?o foi tA?o ruim assim, pois ficou muito tempo em cartaz

Em 1894, poucos meses apA?s a morte de Tchaikovsky, Vsevolojski resolveu remontar O Lago dos Cisnes. Tratava-se de um tributo ao compositor, homenagem um tanto velada a um homem sobre cuja morte pairam, atA� hoje, dA?vidas histA?ricas. SA? foi encenado o 2A? ato e coube a Ivanov fazA?-lo.

Nesse momento, a obra, que antes parecia fadada ao fracasso, entrava para a eternidade. Os movimentos de cisne que Ivanov concebeu, a clara noA�A?o da dignidade e elegA?ncia da ave, os movimentos dos braA�os que alisam suas penas, o tremor delicado dos pA�s ao executar um passo de balletpetit battement sur le cou-de-pied – tudo A� notA?vel nessa criaA�A?o genial que permaneceu para sempre no imaginA?rio de sucessivas geraA�A�es e A� imitada A� exaustA?o por criadores de todas as tendA?ncias de danA�a.

O BalA�A�do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estA? remontando a versA?o de Yelena Pankova, criada especialmente para essa companhia.


Primeira noite

A noite de estreia contou com a participaA�A?o dos primeiros bailarinos ClA?udia Mota, Karen Mesquita, Felipe Moreira e CA�cero Gomes.

ClA?udia Mota comemora em grande estilo seus 20 anos de carreira. Sua danA�a A� leve e permeada de muita paixA?o e entrega, fazendo o pA?blico vibrar com a mA?sica do compositor. AliA?s, vale ressaltar que o balA� de ClA?udia Mota A� sensA�vel e apaixonado, uma caracterA�stica dessa bailarina. Brava! Buy

Seu partner Felipe Moreira, que recebeu recentemente o tA�tulo de primeiroA�bailarino, nA?o empolgou, nem tA?o pouco surpreendeu.

CA�cero Gomes, no papel de Bobo da Corte, fez a A?guia do Municipal “voar”. Sua vibraA�A?o, aliadaA�a umaA�tA�cnica apurada e limpa, conduz o pA?blico ao delA�rio em forma de aplauso. E CA�cero nA?o para por aA�: ao agradecer os aplausos, consegue colocar o pA?blico como parte da histA?ria, alA�m de contracenar com o maestro Javier LogioiaA�condutor dessa temporada. Um verdadeiro artista, que faz juz ao tA�tulo recebido de primeiro bailarino!

O pas de trois Purchase executado por DA�borah Ribeiro, Pills Karen Mesquita e Moacir Emanoel mostrou um belo trio entrosado e harmA?nico. Karen, ao pisar o palco, agora com o tA�tulo de primeira bailarina, disse a que veio. O Corpo de Baile, ponto alto dessa companhia, dessa vez ficou devendo ao pA?blico, tanto em pA�s mais esticados como nasA�formas mais longilA�neas de algumas bailarinas.

As solistas do pas de quatre a�� Vanessa Pedro, Viviane Barreto, Carla Carolina e Priscila Mota a�� foram um exemplo de capricho nos detalhes de execuA�A?o em mA?xima perfeiA�A?o. Uma presenA�a solene ao mesmo tempo misteriosa foi o bonito desempenho do solista Edfranc Alves em sua interpretaA�A?o do personagem Von Rothbart. ParabA�ns!

Mais uma vez, a solista Carolina Neves brindou o pA?blico com a energia de quem faz o que gosta com paixA?o e verdade em sua apresentaA�A?o na danA�a espanhola. ParabA�ns, Carolina Neves! Outro destaque foi o corpo de baile em sua execuA�A?o na danA�a hA?ngara e mazurca, contagiadas pelo espA�rito russo caracterA�stico da obra.


Segunda noite

Tivemos como bailarinos principais MA?rcia Jaqueline, que apresentou um balA� correto, e Moacir Emanoel que recebeu recentemente o tA�tulo de primeiro bailarino, mostrando acertos de interpretaA�A?o. Apesar do lindo fA�sico do bailarino, fazem-se necessA?rios maiores cuidados com pA�s mais bem esticados e uma atenA�A?o especial para sua meia ponta. Acredito num futuro promissor para esse artista.

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Terceira noite

Na terceira noite, uma surpresa seguidaA�A� outra. O solista Diego Lima online , logo em sua primeira apariA�A?o, jA? trA?s um ar de PrA�ncipe, causando impacto ao pA?blico. Buy Karen Mesquita, estreando seu primeiro LagoA�e em sua primeira apresentaA�A?o emA�um personagem principal, como primeira bailarina, foi muito alA�m de qualquer expectativa, oferecendo uma entrega total ao seu personagem em cada gesto. Deu grande A?nfase a algo que somente bailarinas veteranas a�� como CecA�lia Kerche, considerada a melhor cisne do mundo a�� valorizavam que A� a cabeA�a. Karen compreendeu a essA?ncia desse balA�. Ela soube extrair com mestria a intenA�A?o do coreA?grafo Ivanov nesse detalhe importantA�ssimo e tA?o caracterA�stico da cabeA�a da ave. De fato era um cisne!

Seu entrosamento com seu partner no pas de deux era claramente um diA?logo entre compositor e bailarinos. Karen soube ouvir e se entregarA�A� mA?sica do compositor russo. No terceiro ato, ousou ainda mais em seus 35 fouetes, desapontando a incerteza de alguns quanto ao seu merecimento como primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Diego Lima, estreante tambA�m no Lago, desempenhou com beleza e qualidade o seu papel de PrA�ncipe. Boa tA�cnica, detalhes no gesto e, o mais importante, dentro do personagem! Vimos um comeA�o exemplar de um futuro primeiro bailarino. Quero registrar aqui a valiosa e indispensA?vel contribuiA�A?o do primeiro bailarino do Theatro Municipal: Marcelo Misailidis, que tA?o bem preparou o Diego. Misailidis, premiado internacionalmente, jA? danA�ou esse papel inA?meras vezes ali mesmo no palco do Municipal. Marcelo tem uma visA?o de totalidade para com o artista, respeitando seu “time”, fazendo-o perceber suas qualidades e limitaA�A�es. Com isso, consegue extrair o que o bailarino tem de melhor fazendo-o acreditar que A� capaz e que arte se faz com verdade. Bailarino e ensaiador estA?o de parabA�ns!

Ainda nessa noite brilhante, o pA?blico foi agraciado com a execuA�A?o impecA?vel do bailarino Alef Albert no pas de trois.
Com essa temporada, que vai atA� dia 18 de junho, a direA�A?o do Theatro Municipal estA? de parabA�ns pela escolha certa da nova direA�A?o do BalA�A�da Casa. Ana Botafogo e CecA�lia Kerche preenchem todos requisitos indispensA?veis a uma rA�gia de sucesso num grande teatro, como A� o caso do Municipal do Rio de Janeiro.

Vale ressaltar a brilhante participaA�A?o da Orquestra SinfA?nica do Teatro conduzida pelo experiente Maestro Javier Logioia, especialista em balA�, o que por si sA? jA? garante uma dedicaA�A?o diferenciada a este Lago.

 

Foto do post (de JA?lia RA?nai):A�Claudia Mota comoA�Odette

 

Wellen Barros
Wellen Barros – Cantora Lírica integrante dos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Concluiu Bacharelado em Música pelo Conservatório de Música de Niterói. Formada em História da Dança pela UNIDANÇA. Atua como preparadora vocal para atores na Companhia de Teatro Recontando Conto. Possui especialização em Shakespeare tendo como Mestra Bárbara Heliodora. Atualmente desenvolve pesquisa sobre Verdi e sua dramaticidade teatral. Autora da Biografia da primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Cecília Kerche para o Figuras da Dança da São Paulo Companhia de Dança.