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Baião Armorial: Ars Nova – Coral da UFMG

Baião Armorial: Ars Nova – Coral da UFMG lança música inédita e exclusiva sobre a pandemia. Com equipe criativa expandida, a produção virtual reúne o compositor Maurício Detoni, a poeta Etel Frota e o diretor cênico Ernani Maletta, professor da Escola de Belas Artes da UFMG.

Fruto de co-criações à distância e com uma letra potente, o novo coro virtual do Ars Nova é um retrato dos tempos em que estamos vivendo. A música Baião Armorial foi escrita por Maurício Detoni e Etel Frota para o Concurso de Composição do Ars Nova e posteriormente gravada sob direção de vídeo de Ernani Maletta, dramaturgo e professor da Escola de Belas Artes da UFMG, e direção musical de Lincoln Andrade, regente do Ars Nova. O lançamento inédito, com forte inspiração no teatro e um solo de Detoni, já está disponível: https://youtu.be/iRWQnQvCc-c

 

Um tempo que pede criatividade

Em meio aos desafios impostos pela pandemia, a vontade de continuar fazendo música levou o Ars Nova a novas possibilidades. Desde março, o grupo vem lançando coros virtuais – produções realizadas de maneira remota, com cada músico em sua casa. Atualmente, o Ars Nova já possui um repertório de nove vídeos com mais de 22 mil visualizações.

Com a boa recepção do projeto, o coro promoveu um Concurso de Composição entre julho e agosto, a fim de selecionar uma música autoral e inédita especialmente criada para esse formato virtual. Entre 88 inscrições de todas as regiões do Brasil, a premiada Baião Armorial se destacou com a música do compositor e arranjador Maurício Detoni e a letra da poeta Etel Frota.

Detoni, cuiabense residente em São Paulo, já foi regente de coros no Mato Grosso e no Rio de Janeiro, além de ter cantado no grupo Garganta Profunda e participado de diversos espetáculos musicais. Etel Frota, do Paraná, já compôs para grandes artistas da MPB, como Maria Bethânia, e é membro da Academia Paranaense de Letras. A dupla escreveu Baião Armorial à distância, pela internet e de forma simultânea, com a letra contribuindo para a música e a música contribuindo para a letra.

Do mesmo jeito que o Ars Nova está aprendendo a montar uma obra inédita já nesse formato para apresentar, nós também estamos aprendendo a compor. Nós compusemos isso ‘do zero ao cem’ no Whatsapp. Maurício cantarolava uma estrofe e eu ia trabalhando na letra. Foi absolutamente interativo”, disse Etel Frota no programa Conversa com o Maestro.

 

Sentimentos coletivos

Atravessando fronteiras geográficas entre os compositores e até o Ars Nova, coro de Minas Gerais, Baião Armorial ainda tematiza, em sua letra, o contexto brasileiro atual. Além da pandemia, o texto narra episódios específicos como os incêndios no Pantanal e a nuvem de gafanhotos que atingiu o sul do país.

São assuntos ruins, mas o poema não é duro. Ele traz um certo lirismo”, comentou o maestro Lincoln Andrade. Etel Frota, na sequência, completou: “Mas sem deixar de mergulhar em um momento de profunda tristeza, que é o momento armorial. Nós temos o momento de indignação, nós temos o momento de profunda tristeza, mas nós acabamos pedindo que nosso olhar de ver a beleza e de ver a esperança se salve. Nós [Etel e Maurício] acabamos transitando pelas emoções que todos estão vivendo, todos os dias, pelos últimos sete meses.”

 

Inspiração no teatro

Para traduzir a proposta da música em um vídeo feito em casa, o Ars Nova convidou o diretor cênico e professor da Escola de Belas Artes da UFMG Ernani Maletta, nome presente nos espetáculos Carmina Burana: uma Cantata Cênica, em Belo Horizonte e O Grande Circo Místico, no Rio de Janeiro, como diretor musical, e Ifigênia em Áulis (Eurípides) e Electra (Sófocles), no Teatro Greco di Siracusa, na Itália, como dramaturgo musical, entre outros.

Quando o Lincoln me chamou para fazer a criação do vídeo, a primeira coisa que eu quis foi ser muito fiel ao meu lugar na arte, que é nesse entrelaçamento entre o teatro e a música, então a minha preocupação foi encontrar uma dramaturgia que se relacionasse à interpretação da música, seus aspectos sonoros e textuais, às frases rítmicas e melódicas. Embora a manifestação final não seja por intermédio do teatro, o caminho que eu usei para chegar no vídeo foi a ideia da cena”, disse Ernani Maletta ao Ars Nova.

A dramaturgia do vídeo ficou dividida em três momentos: alienação, medo e esperança. Além da letra, Ernani apostou em outros elementos que poderiam transmitir esses sentidos. A tela deixa de mostrar apenas o naipe que está cantando cada estrofe, como vinha acontecendo nos coros virtuais anteriores, e passa a mostrar mais pessoas realizando outras atividades.

Tive a ideia de usar todas as interferências que eu coro faz quando ele não está carregando a letra da música como uma espécie de reação a essa letra. É um texto muito forte, que traz uma denúncia muito significativa da situação complexa que o país vive. Ao mesmo tempo que um dos naipes está como enunciador do texto, os outros naipes têm outro tipo de proposta sonora, fazem outro tipo de onomatopeia de som, outros fonemas”, afirmou Maletta.

O vídeo final da música a capella conta com os vinte e um cantores do Ars Nova e mais sete membros da equipe que foram convidados a atuar.

O coro virtual de Baião Armorial tem montagem, mixagem e edição de áudio de Igor Leandro com assistência de Lincoln Andrade, montagem e edição de vídeo de Leonardo Clementine e solo de Maurício Detoni. O grupo de trabalho de criação do vídeo, com direção de Ernani Maletta, é composto por Dayvid Lucyan, Gustavo Piffer, Letícia Muniz, Riane Menezes, Sarah Reis e Tayane Bragança. A realização é da Universidade Federal de Minas Gerais, da Escola de Música da UFMG e da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG.

 

Ficha Técnica – Baião Armorial

Música: Maurício Detoni
Letra: Etel Frota

Direção Musical: Lincoln Andrade
Dramaturgia, Concepção e Direção de Vídeo: Ernani de Castro Maletta
Grupo de Trabalho de Criação: Dayvid Lucyan, Gustavo Piffer, Letícia Muniz, Riane Menezes, Sarah Reis e Tayane Bragança
Solista Convidado: Maurício Detoni
Montagem, Mixagem e Edição de Áudio: Igor Leandro
Assistente de Mixagem de Áudio: Lincoln Andrade
Montagem e Edição de Vídeo: Leonardo Clementine
Realização: Universidade Federal de Minas Gerais / Escola de Música da UFMG / Pró-Reitoria de Extensão da UFMG

Ars Nova – Coral da UFMG

 Regente Titular: Lincoln Andrade
Regente Assistente: Riane Menezes
Pianista Correpetidor: Bruno Cruz

Sopranos: Amanda Moreira, Ariel Castilho, Carolina Claret, Letícia Muniz*, Núbia Eunice e Yangmei Hon
Contraltos: Lúcia Alves Melo*, Mariana Redd, Sarah Reis, Sávio Fàschét e Sônia Apcon
Tenores: Gustavo Piffer, Hendrigo Del Freitas, Jordane Morais, Messias de Oliveira* e Og Martins
Baixos: Carlos Morais, Dayvid Lucyan, Giancarlos de Souza*, Júnior Stofel e Samuel Goetz
*Chefes de naipe

 

Ars Nova

O Ars Nova-Coral da UFMG vem representando a cultura brasileira e a Universidade Federal de Minas Gerais ao longo de 61 anos, no Brasil e no exterior. Desde sua fundação, em 1959, o grupo conquistou inúmeros prêmios e condecorações em importantes festivais nacionais e internacionais e realizou mais de 1500 apresentações no Brasil e em outros 17 países. Atualmente, sob a direção artística do maestro Lincoln Andrade, o Ars Nova tem se apresentado em Belo Horizonte e outras cidades de Minas e do Brasil, além de realizar estreias brasileiras de diversas obras contemporâneas.

Em 2020, diante da pandemia, o Ars Nova vem lançando coros virtuais que já somam mais de 22 mil visualizações no Youtube e está realizando um quadro de entrevistas ao vivo com convidados especiais chamado de Conversa com o Maestro. Além disso, vem participando de festivais online nacionais e internacionais e ainda realizou um Concurso de Composição a nível nacional, o qual recebeu 88 inscrições e premiou uma obra autoral e inédita que será gravada pelo Ars Nova em formato virtual.

 

Lincoln Andrade

É natural de Leopoldina-MG, possui doutorado em Regência pela University of Kansas (EUA), mestrado em Regência pela University of Wyoming (EUA), e é licenciado em Música pela Universidade de Brasília. Foi professor e maestro em diversas instituições e coros de prestígio, no Brasil e nos Estados Unidos. Atualmente é professor de regência na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador e regente do Ars Nova-Coral da UFMG.

 

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