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Bach – Paixão e Movimento

O espetáculo ” Bach – Paixão e Movimento“, promovido pelo Instituto de Cultura da PUCRS em parceria com a Agenda Lírica e apresentado no último dia 17 de outubro de 2019, não é mais uma versão enxuta do oratório Paixão Segundo São Mateus, mas sim uma releitura desta obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750), composta em 1727.

Nesta releitura, foram suprimidas as partes musicais do Evangelista, mas os textos das mesmas aparecem nas legendas durante as introduções e/ou finalizações das árias, trechos orquestrais e corais. O resultado é um espetáculo que mantém um ritmo continuamente fluido, quase “cinematográfico”.

O ballet não dramatiza o texto, mas o complementa expressando os sentimentos e dando sentido emocional e espiritual para algumas passagens musicais. Uma concepção cheia de simbolismos para ilustrar os últimos dias de Jesus.

As vestes utilizadas por quem está no palco buscam significado nas cores litúrgicas dentro da celebração do culto luterano. Sendo assim, coro, orquestra e maestro vestem preto, representando o povo em sua dor, penitência e expiação; os solistas se revezam entre o vermelho ( segundo o Evangelho, usado no manto de Cristo após seu flagelo e para humilhá-lo) – que exprime o amor e o sacrifício –, e o roxo – que é a cor da penitência, e que, às vezes, também adquire uma conotação de dor e tristeza.

 

Soprano Elisa Machado, Fernanda Bosque e Coral da PUCRS (Foto: Camila Cunha/Ascom PUCRS)

 

FICHA TÉCNICA

O time que dá vida a essa releitura conta com alguns dos maiores nomes da atualidade na música de concerto do Estado do RS: a Sphaera Mundi é uma orquestra porto-alegrense que se propõe e dedica a integrar, de uma forma, universal e atemporal, a música dos séculos XVII e XVIII ao seu público. Com especialização nos EUA e Europa, todos os músicos possuem formação acadêmica e experiência internacional, garantindo a qualidade do seu trabalho.

O tradicional Coral da PUCRS traz em sua história mais de três décadas de concertos e óperas, atualmente sob regência do maestro Márcio Buzatto.

Paula Amazonas, que assina a coreografia e a direção cênica do espetáculo, é bailarina com 10 anos de formação e experiência em Berlin, além de diretora artística da Companhia Municipal de Dança de Porto Alegre. Completam o time Davi Sgarbi e Fernanda Bosque, bailarinos da Companhia.

A soprano Elisa Machado, solista conhecida nacionalmente, vencedora de importantes concursos internacionais de canto, e que hoje é a preparadora vocal concursada do Coral da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA).

A mezzo-soprano Clarisse Diefenthäler também vem se destacando nacionalmente em performances e importantes concursos de canto.

O baixo Guilherme Roman, recitalista e concertista, é preparador vocal do Coral da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre outros grupos vocais importantes.

O tenor Leonardo Menin é bacharel em canto pela UFRGS e também vem se destacando em recitais e concertos pelo Estado.

Guilherme Rodrigues, jovem regente de apenas 22 anos, mas já com larga experiência regendo concertos e musicais, entre outros, e que no ano passado foi um dos 12 selecionados no Masterclass “Purely Beethoven”, um dos mais importantes cursos de regência do mundo.

A direção geral é do barítono Carlos Rodriguez.

 

Bailarina Paula Amazonas e mezzo-soprano Clarisse Diefenthäler (Foto: Camila Cunha/Ascom PUCRS)

 

Música de cinema

A música é grandiosa, linda e emocionante e já foi utilizada em diversos filmes de Hollywood: Pier Paolo Pasolini utilizou-se da obra na trilha sonora do seu filme de 1964, Il Vangelo Secondo Matteo, e também em seu primeiro filme, Accattone, de 1961.

George Lucas fez uso do primeiro movimento da Paixão na cena final do seu primeiro filme, THX 1138, de 1971.

Andrei Tarkovsky usou um recitativo da Paixão nos créditos de abertura em O Espelho (1974) e a ária “Erbarme dich”, no seu último filme, O Sacrifício (1986).

Esta mesma ária foi usada no final de Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho.

Em 1995, a Paixão mais uma vez ilustrou a abertura e o encerramento de um filme: Martin Scorsese utilizou-a em Casino.

“Mache dich mein Herze rein” foi usada no filme The Talented Mr. Ripley de 1999, de Anthony Minghella.

 

Vídeo do ensaio

https://www.youtube.com/watch?v=U03DxNx8nBs&feature=youtu.be 

 

Foto do post:

Davi Sgarbi e Fernanda Bosque (Foto: Camila Cunha/Ascom PUCRS)

 

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