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Bach: o cravo bem temperado, por Arthur Villar

O Cravo Bem Temperado de Bach ocupa um lugar especial no repertório pianístico.

Tal ocorreu desde que o compositor começou a disponibilizá-lo aos seus alunos e conhecidos durante  a segunda e terceira década do século XVII. Sobrevivem até hoje mais cópias dos prelúdios e fugas, em partes ou completas, do que de qualquer outra obra de Bach. Ainda que elas não tenham sido publicadas antes de 1800, algumas edições surgiram logo depois daquele ano e ainda existem até hoje.

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Dentre as razões para a sua atração entre os músicos, destaca-se a sua característica pedagógica. Qualquer pianista que aprenda os 24 prelúdios e fugas estará preparado para tocar (ou para entender) quase qualquer coisa, pelo menos dentro do reino da música tonal europeia. Mas são as qualidades musicais presentes nessa coleção que a tornam tão valiosa; músicos sérios já teriam se cansado dela, se a cada e todo momento Bach não revelasse a sua enorme genialidade e incansável imaginação.

 

A maioria dos que conhecem o Cravo Bem Temperado hoje, o vêem tocando ou escutando por grande parte da vida e por isso talvez não se dêem mais conta, ou se esqueceram, como impactante cada uma das 96 (incluindo os dois livros) peças na verdade é. A dificuldade em tocar essa obra está no fato de ser muito difícil  separar as dificuldades técnicas das dificuldades musicas presentes em cada prelúdio e cada fuga.

Isto é, sem dúvida, o  que Bach tinha em mente, ainda que não houvesse nenhuma convenção que o fizesse escrever os primeiros prelúdios como variações de um tipo de improvisação comum na época. Ou que o levasse a compôr duas peças para cada tonalidade e variar o número de vozes e forma em cada fuga. Hoje muitos acreditam que o Cravo Bem Temperado foi baseado em composições anteriores, e de fato a ideia de realizar tal coleção já havia sido sugerida por alguns compositores anteriores a Bach, alguns conhecidos, outros nem tanto.

Porém, a idéia de escrever o prelúdio e fuga como nós conhecemos foi uma invenção de Bach. Este formato continuou a se desenvolver nas mãos do compositor e, na altura do segundo livro, prelúdios começaram a se transformar em movimentos independentes na forma sonata, e as fugas tendendo a fantasias a três vozes (frequentemente contendo sugestões do estilo galante, em moda na época), indo no caminho inverso dos rigorosos exercícios de contraponto tradicional a quarto vozes.

O Cravo Bem Temperado, como nós conhecemos, não foi criado imediatamente. Bach começou a trabalhar nesse projeto provavelmente em Weimar, em torno de 1715, e a ideia inicial era de escrever oito ou talvez doze pequenas peças em tonalidades comuns para fins pedagógicos. Somente depois Bach começou a chamar tais peças de prelúdios e a colocar fugas ao lado delas. Foi somente pouco antes dedivulgar o famoso manuscrito do livro 1, em 1722, que Bach decidiu extender o projeto inicial a uma série de prelúdios e fugas em todas as tonalidades menores e maiores. Nesta altura Bach havia se mudado a Cöthen, onde ele zestoretic no rx fez uso de parte da sua obra para ensinar aos seus filhos e a outros alunos. Nesta altura, Bach já havia escrito boa parte das peças que formariam mais tarde o segundo livro, em torno de 1740 em Leipzig.

Nós temos sorte de ter a coleção na sua forma integral, pois Bach não terminou todos os seus grandes projetos. O Orgelbüchlein, concebido no mesmo período como uma coleção de corais para o ano litúrgico, permaneceu inclompleto com muitas páginas deixadas em branco. Até o Cravo Bem Temperado somente foi finalizado após Bach fazer uso de outras peças escritas anteriormente para outros fins e foram adaptadas para completar a coleção.

Dentre as últimas peças a serem integradas estão o prelúdio e Dó maior e a fuga em Lá bemol maior do segundo livro (do qual Bach nunca produziu um manuscrito integral). Nessas e em outras peças podemos observar as adaptações e os momentos em que passagens novas foram adicionadas se tornam evidentes a quem escuta ou olha as partituras com atenção. Mas isso não tem a menor importância, pois parte da proposta e do encanto do Cravo Bem Temperado é justamente ver como o compositor trablhou – assim como qualquer músico deve constantemente criar maneiras criativas para não somente tocar essas peças, mas também entender o seu verdadeiro sentido.

Aclamado por críticos e pelo público, Arthur Villar vem realizando concertos com os 24 prelúdios e fugas desde 2008 em salas no Brasil, Estados Unidos e Espanha.

A recente performance de Arthur Villar do Cravo Bem Temperado de Bach na Hartt School demonstrou incríveis percepção e imaginação. Ele imbuiu cada prelúdio e fuga com uma personalidade distinta e revelou detalhes estruturais raramente ouvidos em outras performances, ao vivo ou gravadas. O tratamento dado a passagens em recitativo nos prelúdios se destacou pela mistura de liberdade e estrutura. Além disso, a execução das linhas compostas de Bach, como por exemplo na fuga em Si bemol maior, foi único, graças a fraseado e articulação únicos. Em breve, Arthur Villar promete se tornar um dos grandes pianistas de Bach do nosso tempo.” – Ira Braus, Prof História da Música, Ph.D. pela Harvard University

Texto do musicólogo David Schulenberg.


Repertório dos CDs

O repertório consiste nos 24 prelúdios e 24 fugas do primeiro livro do Cravo Bem Temperado de Johann Sebastian Bach. São 2 CDs contendo 12 prelúdios e fugas no primeiro CD e os 12 seguintes no segundo CD.


Arthur Villar

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Nascido em Junho de 1984 na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, o pianista Arthur Villar iniciou seus estudos em regência, piano e música de câmara aos 21 anos de idade na Escola Nacional de Música (UFRJ) em 2005. Naquele ano, o jovem pianista se tornou aluno da pianista Miriam Grosman. Ele ainda participou das classes de regência do Maestro Ernani Aguiar e estudou teoria e composição com os professores Caio Júnior e Bia Paes Leme. Seu enorme talento rapidamente o levou a uma posição de destaque entre os alunos.

 

Ao final do primeiro ano, Arthur Villar apresentou os 12 primeiros prelúdios e fugas do Cravo Bem Temperado (livro 1) de Johann Sebastian Bach. Aquele recital causou um grande impacto na EM (UFRJ) como descreveu Miriam Grosman : “O público que lotou a Sala da Congregação da Escola de Música dia 27 de novembro de 2006 teve a oportunidade de ouvir um programa inédito na Instituição…Com muito orgulho, testemunhamos o alto nível da sua interpretação através da total compreensão desta magnífca e complexa obra”.

Em seguida, o pianista se apresentou no Conservatório Brasileiro de Música (RJ) e na Escola de Música Tom Jobim (SP), sempre com enorme sucesso. No ano de 2007, ganhou o primeiro prêmio no XVI Concurso Nacional de Piano Souza Lima (SP) executando obras de Johann Sebastian Bach, Frederic Chopin e Claude Debussy.

Em fevereiro de 2008, a Hartt School (University of Hartford, EUA) ofereceu-lhe uma bolsa de estudos para cursar 4 anos de bacharelado, sob a tutela do renomado pianista Luiz Carlos de Moura Castro. Nos Estados Unidos, Arthur Villar se destacou nas classes de teoria musical de importantes professores comoMichael Schiano, Kenneth Nott e Patric Miller. Desde então o pianista participa de festivais e master classes nos EUA e na Europa.

Participou de master classes de grandes nomes como Paul Badura-Skoda (Áustria), Boris Berman (Rússia), Ian Jones (Inglaterra), Florence Millet (França), Irina Plotnikova (Rússia), Vitaly Margulis (Ucrânia), Alexandre Dossin (Brasil) e Rita Nuller (Rússia).

Arthur Villar vem se destacando no cenário internacional da música erudita não só como exímio intérprete de Bach, mas também por aclamadas performances das grandes obras do repertório pianístico. Nos Estados Unidos, se apresentou na Boston University, National Museum of American Art, Saint Augustine Church (Hartford), Assumption Church (Manchester), Saint James Church (Farmington) e Queens College.

Na Europa, participou do Festival Internacional de Piano em Óbidos (Portugal) e foi convidado a apresentar a integral do Cravo Bem Temperado de Johann Sebastian Bach no Forum Internacional del Piano em Barcelona (Espanha). Na Suíça se aprensentou com enorme sucesso no Centre Le Fenix em Fribourg onde tocou obras de Ludwig Van Beethoven e Franz Liszt.

Atualmente, o pianista Arthur Villar mora em Hartford, Connecticut e no mês de fevereiro/2013 lançou o seu primeiro CD com o primeiro livro do Cravo Bem Temperado de Johann Sebastian Bach. Essa rarísima gravação foi realizada no estúdio Oktaven Audio em New York num belíssimo piano Steinway D Hamburgo, com o produtor Ryan Streber. O disco conta ainda com a participação do renomado musicólogo da Juiliar School of Music David Schulenberg, autor de vários livros sobre a música de Bach como “The Keyboard Music of J.S.Bach”.

Essa importante e rara gravação será lancada em recitais primeiramente nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2013 e nos meses de Julho e Agosto em Portugal e no Japão, respectivamente. Em seguida, o pianista realizará o lançamento do álbum no Brasil. Descrito pelo musicólogo P.hD em Harvard Ira Braus em 2010 como “um dos grandes intérpretes de Bach do nosso tempo”, o pianista brasileiro Arthur Villar rapidamente se firmou no cenário internacional da música erudita com grandes performances por onde passou.


Como adquirir

O disco esta disponível na Amazon.com no seguinte link: http://www.amazon.com/The-Well-Tempered-Clavier-Book-1/dp/B00BJY9BZG/ref=cm_cmu_pg__header

Lá e possível comprar o CD por preços que variam entre $22,00 e $30,00; bem como comprar o audio apenas, por $17,00.

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3 Comments

  1. Parabéns, Arthur. Tenho grande orgulho em conhecê-lo e guardo no meu coração sua delicadeza e simpatia rodando pelo terraço de minha casa em Terê, ainda mais para o adolescente. Babo por você em conjunto com seu pai e Dorita.
    Beijos!
    Maria Helena

  2. Muito bom seu artigo, sinceramente. Eu amo piano (apesar de não ser boa) e essa música O Cravo Bem Temperado é bonita. Muito bom o artigo.

  3. Imaginem quando ele provar as mais de 500 sonatas do maior mestre dos teclados, Domenico Scarlatti… verão o que é tempero!!!
    J Sabino

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