Artigo

As óperas que você deve ver na sua vida

cheep clonidine Apresento as 72 óperas que você deveria ver durante sua maravilhosa vida!

Não sei nem quero saber qual o prodigioso cérebro que deu a uma série de filmes em um canal de TV a cabo o funéreo título de “OS CINQUENTA FILMES QUE VOCÊ DEVERIA VER ANTES DE MORRER”. Acho que nem Augusto dos Anjos, Baudelaire ou Poe em seus mais negros dias conseguiriam ser tão funestos.

Mas de tudo na vida é possível nascer algo proveitoso e penso que seja boa ideia apresentar ao leitor uma lista das setenta e duas óperas que ele deve ver e ouvir em sua deliciosa vida. Uma lista, essencial, que exponha um painel abrangente, informativo e definidor do gênero.

A relação a seguir não envolve críticas nem preferências. Nasce de estatísticas, opiniões gerais, importância musical, musicológica ou histórica, fundamentalidade, popularidade e outros que tais. Não é feita distinção entre “ópera” e “opereta”. Realmente, penso que haja música de ótima qualidade em obras de Offenbach, dos dois Johann Strauss ou Lehar e outros, e decidi enquadrar tudo na mesma “geléia geral”. Não nos esqueçamos de que “A flauta mágica” foi estreada quase que como um “vaudeville” da época.

Não me detive em cameratas florentinas e semelhantes, a meu ver de valor mais estatístico/didático. Os títulos são citados na maior parte em português e na língua original quando mais conveniente.

Assim, penso serem  as seguintes tais óperas:

1 – L´Orfeo (1607), de Monteverdi;

2 – Dido e Enéas (1639), de Purcell;

3 – Serse (1738), de Händel;

4 – O barbeiro de Sevilha (1782), de Paisiello;

5 – Tarare (1786), de Salieri;

6 – As bodas de Figaro (1786), de Mozart;

7 – Don Giovanni (1787), de Mozart;

8 – A flauta mágica (1791), de Mozart;

9 – Fidelio (1814), de Beethoven;

10 – O barbeiro de Sevilha (1816), de Rossini;

11 – La Cenerentola (1817), de Rossini;

12 – Der Freischütz (1821), de Weber;

13 – Guilherme Tell (1829), de Rossini;

14- Fra Diavolo (1831), de Auber;

15 – Robert le diable (1831), de Meyerbeer;

16 – A sonâmbula (1831), de Bellini;

17 – Norma (1831), de Bellini;

18 – O elixir de amor (1832), de Donizetti;

19 – Os puritanos (1835), de Bellini;

20 – Lucia di Lamermoor (1835), de Donizetti;

21 – La juive (1835), de Halévy;

22 – Uma vida pelo czar (1836), de Glinka;

23 – Os huguenottes (1836), de Meyerbeer;

24 – Nabucco (1842), de Verdi;

25 – O navio fantasma (1843), de Wagner;

26 – Don Pasquale (1843), de Donizetti;

27 – Ernani (1844), de Verdi;

28 – Tannhäuser (1845), de Wagner;

29 – Martha (1847), de Flotow;

30 – Macbeth (1847), de Verdi;

31 – Lohengrin (1850), de Wagner;

32 – Rigoletto (1851), de Verdi;

33 – O trovador (1853), de Verdi;

34 – La traviata (1853), de Verdi;

35 – Fausto (1859), de Gounod;

36 – Os troianos (1863/1890), de Berlioz;

37 – A força do destino (1862), de Verdi;

38 -Tristão e Isolda (1865), de Wagner;

39 – A africana (1865), de Meyerbeer;

40 – La vie parisienne (1866), de Offenbach;

41 – Os mestres cantores de Nurembergue (1868), de Wagner;

42 – O ouro do Reno (1869), de Wagner;

43 – A Valquíria (1870), de Wagner;

44 – O guarani (1870), de Carlos Gomes;

45 – Aida (1871), de Verdi;

46 – Fosca (1873), de Carlos Gomes;

47 – Carmen (1875), de Bizet;

48 – Boris Godunov (1874), de Moussorgsky;

49 – O morcego (1874), de Johann Strauss II;

50 – La Gioconda (1876), de Ponchielli;

51 – Siegfried (1876), de Wagner;

52 – Crepúsculo dos deuses (1876), de Wagner;

53 – Sansão e Dalila (1877), de Saint-Saëns;

54 – Eugen Onegin (1879), de Tchaicovsky;

55 – Manon (1884), de Massenet;

56 – Otello (1887), de Verdi;

57 – Cavalleria Rusticana (1890), de Mascagni;

58 – Os palhaços (1892), de Leoncavallo;

59 – Werther (1892), de Massenet;

60 – Manon Lescaut (1893), de Puccini;

61 – La Bohème (1896), de Puccini;

62 – Andrea Chénier (1896), de Giordano;

63 – Tosca (1900), de Puccini;

64 – Adriana Lécouvreur (1902), de Cilea;

65 – Pélleas et Mélisande (1902), de Debussy;

66 – Madama Butterfly (1904), de Puccini;

67 – Salomé (1905), de Richard Strauss;

68 – A viúva alegre (1905), de Franz Lehar;

69 – O cavalheiro da rosa (1911), de Richard Strauss;

70 – Turandot (1926), de Puccini;

71 – O cônsul (1950), de Menotti;

72 – The rake’s progress (1951), de Stravinsky.

A presente lista é um “divertissement”, escrito sem preocupações de exatidão ou boa ordem. É claro que o autor pretendeu ser sempre correto nas datas, nas escolhas e nos conceitos. No entanto, o autor aceita e até agradece críticas, contribuições e correções.

O objetivo da lista é estabelecer um percurso lógico e retilíneo de óperas que seja útil a alguém.

MARCUS GÓES –DEZ 2011

PS. Depois de terminar a lista, vi que havia esquecido de:

73 – A danação de Fausto (1843), de Berlioz;

74 – Mefistofele (1869), de Boito.document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript);d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);

13 Comments

  1. Caro Marcus, o século XX não merece mais algumas óperas? Só um Stravinsky e um Menotti? (Já que Strauss e Puccini esteticamente são séc.XIX). Particularmente acho Berg bem mais interessante e historicamente mais importante que Menotti e o próprio Stravinsky.
    Mas como toda lista, está implícito o gosto pessoal de quem as faz.
    Abraço.

  2. Eu incluiria mais duas óperas de Mozart, pela relevância dentro do conjunto da obra do compositor – O Rapto do Serralho e Idomeneo. São importantes dentro do processo de amadurecimento do compositor, enquanto homem de teatro, que culminaria na trilogia Mozart/Da Ponte.
    Há ainda Peter Grimes, de Britten, Moses und Aron, de Schoenberg, e duas de Berg: Wozzeck e Lulu.
    Para quem gosta de listas, eis uma matéria interessante: http://www.gramophone.co.uk/features/focus/gramophone-top-10s-our-mini-guides-to-the-best-classical-recordings-available-on-cd-d

  3. Sinceramente, gostei muito da lista. Parabéns Marcus!
    Música do século XX é uma atrocidade. Só serve pra deturpar a mente das pessoas, cumprindo assim o seu objetivo principal.
    A obra de arte deve ser “bela” e nunca “importante” ou “interessante…”
    Abraço!

  4. CARO LESSING, VOCÊ TEM TODA A RAZÃO. A EXPLICAÇÃO ESTÁ EM QUE EU, QUANDO CHEGUEI À ÓPERA NÚMERO 72, ACHEI TUDO MUITO LONGO, MAIS LONGO DO QUE EU ESPERAVA. MAS VOU PROCURAR ACRESCENTAR ALGUMAS ÓPERAS DO SÉCULO XX. OBRIGADO POR TER ESCRITO. SAUDAÇÕES CORDIAIS DO MARCUS GÓES.

  5. A LISTA TEM COMO INTENÇÃO PRINCIPAL A TIPICIDADE. PODERIA ATÉ SER MENOR, MAS ACABEI INDO MAIS LONGE. AS OBSERVAÇÕES DE MANGARAVITA E GOLDMANN SÃO TODAS CABÍVEIS E AGRADEÇO. MAS ACEITO ALGUMAS COM RESTRIÇÕES, POIS NÃO ACHO QUE ALGUNS TÍTULOS POR ELES CITADOS SEJAM EMINENTEMENTE TÍPICOS, HISTÓRICOS OU FUNDAMENTAIS. TODOS IRÃO RECONHECER QUE A ÓPERA NO SÉCULO XX, DADA A EXISTÊNCIA DO RÁDIO, DO CINEMA E DA TELEVISÃO ENTROU EM NÍTIDA DECADÊNCIA NO GOSTO DO PÚBLICO.
    IMPORTANTE E TÍPICA NO SÉCULO XX É A ÓPERA “PORGY AND BESS”, DE GERSHWIN, ESTREADA EM 1935, POR MIM ESQUECIDA.
    AS ÓPERAS CITADAS NAS MENSAGENS ENVIADAS PASSARÃO A FAZER PARTE DA LISTA QUANDO SEUS REMETENTES ENVIAREM A DATA DE ESTREIA DAS MESMAS, COMO FEITO NA LISTA ORIGINAL, O QUE ME DEU CANSATIVO TRABALHO.
    LEMBRO AOS INTERNAUTAS QUE NÃO ENTRAM NO ESPIRITO DA LISTA ÓPERAS JAPONESAS, CHINESAS, INDUS, AUSTRALIANAS, GROENLANDESAS, E DEMAIS PARAGENS “DE LÀ BAS”.
    AGUARDANDO AGRADECIDO, AQUI FICA O MARCUS GÓES.

  6. Marcus, seguem as datas:
    Idomeneo, de Mozart – 1781
    Die Entführung aus dem Serail, de Mozart – 1782
    A Noiva Vendida, de Smetana – 1866
    Rusalka, de Dvořák – 1901
    Jenůfa, de Janáček – 1904
    Wozzeck, de Berg – 1925
    Lulu, de Berg – 1937, versão em 2 atos, incompleta. 1979, versão em 3 atos, com acréscimos de Friedrich Cerha.
    Peter Grimes, de Britten – 1945
    Moses und Aron, de Schoenberg – 1954, em versão de concerto. 1957, primeira encenação

  7. Ninguém merece passar pela vida sem conhecer as belezas do “Lo Schiavo” (1889), de Carlos Gomes, e da “Francesca da Rimini”, de Zandonai (1914), independente da relativa importância histórica dessas duas óperas.

  8. CONCORDO PLENAMENTE COM MARCOS MENESCAL. REALMENTE LO SCHIAVO É UMA BELEZA. IDEM A FRANCESCA. NO ENTANTO, UMA LISTA LISTA QUE CITASSE TODAS AS ÓPERAS MUITO BONITAS CHEGARIA A UM NUMERO EXCESSIVO, QUE NÃO CONSTITUIRIA UMA LISTA MAS SIM UM DICIONÁRIO.
    VEJA UM EXEMPLO: CITEI DE CARLOS GOMES SOMENTE GUARANI E FOSCA PORQUE PENSO QUE ESSAS DUAS ÓPERAS SEJAM UM RESUMO PERFEITO DE TODA SUA OBRA. NOTEM TAMBÉM QUE NÃO CITEI I LOMBARDI, LUIZA MILLER, BAILE DE MÁSCARAS, DOM CARLO, DE VERDI, PELO MESMO MOTIVO.
    SAUDAÇÕES E BOAS FESTAS A TODOS.
    MARCUS GÓES

  9. Vamos incluir a “Maria Tudor” (1878) de Carlos Gomes (esquecida no Brasil) !
    e “La Fanciulla del West”, seguida de “Trittico”, de Puccini ?

  10. Meu caro Marcus, acho genial as suas escolhas e, realmente num universo imenso como o da ópera, sempre faltarão algumas.
    Completando o que disse o Marcos Menescal e dentro de um mundo que você conhece com mestria, além de Lo Schiavo, faltou a Maria Tudor, de Carlos Gomes. Ela é pouco conhecida, muito complicada, mas é linda. Vou montá-la em redução e com piano (como fiz com a Norma. Quando a vi pela 1ª e única vez, ao vivo, no Municipal em 1959, com os notáveis: Irmgard Muller Bianca, Assis Pacheco, Lourival Braga e Nelly Mary, foi uma verdadeira consagração. Saí do Theatro Municipal emocionado. Em 1998, o governo brasileiro gastou milhões de dólares numa montagem lindíssima feita na Bulgária, mas com elenco de 2º time (exceto pela presença magnífica da Eliane Coelho). Nunca trouxeran esta montagem ao Brasil.

  11. CAROS AMIGOS, A LISTA QUE ELABOREI É EXEMPLIFICATIVA E NÃO TOTALIZANTE. CONCORDO COM AS BELEZAS DA MARIA TUDOR (VER ARTIGO QUE ESCREVI), MAS NÃO POSSO MENCIONAR TODAS AS GRANDES E BELAS ÓPERAS. ABRAÇOS DO MARCUS.

  12. Minhas poucas inclusões/menções honrosas após a lista e os comentários:

    – O Castelo do Barba-Azul (1911-17), de Bartók
    – A Raposinha esperta (1924), de Janácek
    – Sadko (1953), de Rimsky-Korsakov
    – Os Demônios de Loudum (1968-69), de Penderecki

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.