Balé/DançaCríticaLateralRio de Janeiro

“Apoteose da DanA�a” encanta o TMRJ

A Cia. ClA?ssica de BalA� do Theatro Municipal do Rio de Janeiro fez sua estreia sob a direA�A?o de dois A�cones internacionais da danA�a a�� Ana Botafogo e CecA�lia Kerche.

Uma grande expectativa tanto para os bailarinos como para o pA?blico desse Teatro. Afinal, o que moveu Pills Ana Botafogo drug store cheaper for celebrex a assumir a direA�A?o do seu corpo de baile? Quais ensinamentos CecA�lia Kerche Purchase poderia acrescentar a seus colegas que sempre a aplaudiram? E o pA?blico? Ao que parece uma decisA?o muito acertada da direA�A?o do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


Noite de estreia

A comeA�ar pela escolha do programa, Botafogo e Kerche jA? despontam em capacidade e ousadia a�� caracterA�stica de ambas. HA? muito que se queria ver os bailarinos do Theatro Municipal em sua mA?xima performance. E foi visto um pouco mais que isso, pois nesse programa nA?o havia um casal A� frente danA�ando e o restante dos bailarinos compondo a cena estA?ticos a�� nada contra os balA�s de repertA?rio, muito pelo contrA?rio a��, mas era preciso ousar mais! E assim o pA?blico do Rio de Janeiro pA?de apreciar o valor individual e coletivo desses profissionais.

Num perA�odo de incertezas,A�em queA�patrocinadores fecham as portas para a cultura, a atual direA�A?o do Theatro Municipal a�� encabeA�ada peloA�presidente JoA?oA�Guilherme Ripper e oA�diretor artA�stico AndrA� Cardoso a�� encontrou uma saA�da inteligente, que valoriza os artistas da casa.

 

Age of Innocence Purchase

MA?sica de Philip Glass e Thomas Newman, coreografia de Edwaard Liang. Um desenho coreogrA?fico bastante exigente, que demandaA�domA�nio e precisA?o. Toda a trama (surgida dos romances de Jane Austen) narra a submissA?o feminina do sA�culo 19,A�em que a mulher estava destinada ao casamento para garantir sua sobrevivA?ncia bA?sica, jA? que nA?o lhe era permitido trabalhar. A danA�a era um elemento de fundamental importA?ncia, visto que os bailes ofereciam oportunidade de conhecer e conversar com rapazes.

No primeiro pas-de-deux, Karen Mesquita e CA�cero Gomes, ambos bailarinos solistas da casa, desenham toda a dramaticidade, entre domA�nio e vontade, ter e possuir. Um entrosamento de artistas que dividem e compartilham o palco.

A eterna busca da perfeiA�A?o A� o que move todo artista, e na arte do balA� nA?o poderia ser diferente: encontramos uma bailarina que, ao buscar essa perfeiA�A?o, mostra para seu pA?blico que A� possA�vel chegar lA?, pois a cada passo uma construA�A?o de detalhes e superaA�A?o no resultado. Assim, Karen mais uma vez brindou o pA?blico com sua impecabilidade tA�cnica e artA�stica, tornando-se cada vez mais digna do tA�tulo de primeira bailarina.

CA�cero, com seu vigor tA�cnico perfeito, contagia a plateia com sua paixA?o pelo que faz.

No segundo pas-de-deux, Renata TubarA?o e Felipe Moreira encontram sua maturidade numa entrega mA?tua. O corpo de baile masculino se destacou nessa obra, pois foi possA�vel presenciar uma homogeneidade de movimentos como hA? tempos nA?o se via no palco. O coletivo tambA�m se fez na individualidade de Buy Diego Lima, Murilo Gabriel, Paulo Muniz e Rodrigo Negri, que acolheram a dificuldade dos movimentos e transformaram o desafio em brilhantismo.

Outros artistas que merecem destaque: Carolina Neves Pills , dona de linhas de pA�s A?nicos; Priscila Albuquerque, que se apresentou com fA�sico esmero e toda sua tA�cnica foi notada; Priscilla Mota online , referA?ncia entre as solistas, esteve marcante e plenamente envolvida no contexto da obra. As trA?s juntas no palco dialogavam em perfeita harmonia.

 

SA�tima sinfonia

A segunda parte do programa ficou a cargo da mA?sica de Beethoven eA�sua SA�tima Sinfonia, lA�mpida, em que o ritmo A� protagonista e podemos visualizar a dramaticidade do compositor nos corpos dos bailarinos, jA? que, na criaA�A?o de Uwe Scholz, o corpo A� que deve produzir a mA?sica que estA? sendo “ouvida”. AA� reside, na ideia de Scholz, toda arte de um bailarino. A noite especial de balA� neoclA?ssico foi completamente coroada com a melodia e, assim, ficou evidente todo o corpo de baile envolvido no mesmo propA?sito de manter sua qualidade de excelA?ncia.

No Movimento I, a primeira bailarina MA?rcia JaquelineA�eA�seu partner Alef AlbertA�assimilaram a ideia do coreA?grafo e transmitiram toda densidade da mA?sica de Beethoven.

No Movimento II, as presenA�as marcantes do primeiro bailarino Francisco TimbA? e da solista Deborah Ribeiro levaram ao pA?blico a tradiA�A?o da Companhia. Quero destacar o comprometimento notA?rio da bailarina Aloanis Bastos, pelo seu desenvolvimento tA�cnico em assumir o desafio ao lado de seus colegas.

JA? no Movimento III, a entrada do bailarino CA�cero Gomes em sua diagonal de giros e movimentos de cabeA�a impecA?veis recebeu resposta imediata da plateia em aplausos em cena aberta.

Por sua vez, no Movimento IV, o casal MA?rcia e Alef, junto a todo o corpo de baile, atinge o clA�max da arte solidA?ria, na qual todos se equivalem no mesmo propA?sito. Definitivamente, foi uma oportunidade A�mpar ver esse esplendoroso corpo de baile emA�todo seu potencial.

Quero destacar tambA�m a bela execuA�A?o da Orquestra SinfA?nica do Theatro Municipal Pills , sob a batuta do jovem maestro Tobias Valkmann, que vem conquistando seu espaA�oA�comA�muito trabalho, dedicaA�A?o e talento.

Na segunda rA�cita, a noite inicia-se com um incidente tA�cnico que causou uma demora de 30 minutos, resultando num certo desconforto ao pA?blico.A�Apesar da expectativa de inA�cio do espetA?culo, a companhia se mostrou coesa e ainda mais segura em toda sua execuA�A?o.

Bravi!

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Wellen Barros
Wellen Barros – Cantora Lírica integrante dos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Concluiu Bacharelado em Música pelo Conservatório de Música de Niterói. Formada em História da Dança pela UNIDANÇA. Atua como preparadora vocal para atores na Companhia de Teatro Recontando Conto. Possui especialização em Shakespeare tendo como Mestra Bárbara Heliodora. Atualmente desenvolve pesquisa sobre Verdi e sua dramaticidade teatral. Autora da Biografia da primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Cecília Kerche para o Figuras da Dança da São Paulo Companhia de Dança.