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Antônio Gaspar – luto no mundo da dança

Na foto, Antônio Gaspar e Fernando Bicudo. amsa orlistat
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O Governo do Estado promoverá uma homenagem ao bailarino e coreógrafo maranhense Antônio Gaspar, falecido na semana passada em virtude de um infarto. A memória do artista maranhense será eternizada pela Secretaria de Estado da Cultura, através afixação de uma placa no Teatro Arthur Azevedo, órgão onde o artista trabalhou por cerca de 10 anos, coordenando o corpo de baile do TAA.

Com a homenagem, a Sala de Dança do TAA passa a ser denominada Sala de Dança Antônio Gaspar. A portaria que homenageia o artista já está sendo providenciada para que seja assinada pela secretária Olga Simão e encaminhada para publicação.

 

Antônio Gaspar

Nasceu em São Luís (MA) em 13 de julho de 1950. Foi um dos artistas mais completos que o Maranhão e o Brasil já produziu. Começou sua vida artística como ator em sua terra, em São Luís. Aos dezoito anos, no Rio de Janeiro, descobriu sua vocação para o ballet clássico e se tornou aluno da principal mestra da história da dança no Brasil, Tatiana Leskova, de quem se tornou grande amigo. Ingressou no Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro através de disputadíssimo concurso público, em segundo lugar, em 1970, após apenas um ano de estudos de dança! Uma façanha impressionante.

Logo ao chegar, foi escolhido pelo coreógrafo argentino Oscar Arraiz para interpretar o papel de “Jovem” na estreia de seu novo ballet “O Mandarim Maravilhoso”, tendo como outros solistas neste ballet os primeiros bailarinos Aldo Lotufo e Nora Esteves. Sérgio Britto escolheu Gaspar para interpretar um papel que ele criou para sua encenação da ópera “La Traviata”, de Verdi.

Sempre se destacando em suas apresentações, Gaspar foi logo convidado a integrar também o corpo de bailarinos da Rede Globo, dirigido por Juan Carlo Berardi. Gaspar participava de todos os programas musicais da Rede Globo, não apenas como bailarino, mas também como ator e até cantor, como no programa “Sandra e Mièle”, onde ele era uma das atrações permanentes no elenco de apoio, interpretando, dançando e cantando.

Resolvido a se lançar no exterior, aceitou o convite de Lois Smith, 1ª bailarina do Ballet Nacional do Canadá, para ser 1º bailarino da Dance Company of Ontario, onde interpretou o Príncipe Albrecht em “Giselle” e também “Hamlet”, ao lado de Monica Masson, 1ª bailarina do Royal Ballet de Londres. Em N. York, participou do Harkness Ballet, até ser convidado por Zhandra Rodriguez para se mudar para a Venezuela e integrar o seu Ballet de Caracas, onde protagonizou ballets criados por grandes coreógrafos como Hans Van Mannen, Cio Shang Goh e Vicente Nebrada.

Retornou ao Brasil em 1983, reintegrou-se ao Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e logo foi escolhido por Gilberto Mota para interpretar “Mundinho” no seu novo ballet “Gabriela”, baseado na obra de Jorge Amado. Em “Orfeo”, a ópera-ballet que celebrou os 75 anos do TMRJ, interpretou o papel título, sob a direção de Fernando Bicudo e coreografia de Vicente Nebrada, tendo Nora Esteves como sua “Eurídice”. Na remontagem de “Orfeo”, de 1987, foi escolhido também para protagonizar a versão coreográfica de Renato Magalhães. Com o Ballet do TMRJ, dançou como solista em vários dos principais ballets do repertório clássico, como “O Quebra-Nozes”, “Lago dos Cisnes” e “Copélia”.

Em 1990, fundou a Ópera Brasil e o Ballet Ópera Brasil em parceria com Fernando Bicudo, com quem passou a colaborar em todas as suas produções, inclusive na temporada da reabertura do Teatro Amazonas, em Manaus. Em 1992, coreografou para a ONU o espetáculo “Amazônia Viva” que foi a inauguração oficial da ECO-92 no Maracanãzinho e foi transmitido ao vivo para 55 países. Em 1993, criou e dirigiu o Ballet do Teatro Arthur Azevedo de São Luís, onde passou a lecionar, formar bailarinos e coreografar as mais variadas produções, de ballets a óperas, passando por musicais, shows, espetáculos de dança popular e contemporânea, etc…

Na Gala de Reinauguração do TAA, em dezembro de 1993, remontou e protagonizou o ballet “L´Après Midi d´un Faune”, de Nijinsky, e coreografou trechos de “A Floresta Amazônica”, de Villa-Lobos, e “Suíte Antiga”, de Alberto Nepomuceno. Desde 1993 até 2003, comandou um grupo de doze pesquisadores que fizeram o levantamento e catalogação escrita e registro em áudio e vídeo das danças e festas populares do Norte e Nordeste. Com base nesse trabalho de pesquisa, Gaspar coreografou vários espetáculos como “Catirina”, baseado no auto do bumba-meu-boi maranhense, que ganhou do Ministério da Cultura o destaque de Melhor Espetáculo do Ano de 1997 das Artes Cênicas no Brasil, com uma histórica apresentação no Teatro Nacional de Brasília no Dia Nacional da Cultura.

Em 1995, “Nordestenamente” foi convidado para ser o 1º espetáculo do 1º Festival de Dança de Fortaleza no Teatro José de Alencar. Em 1996, coreografou o ballet da ópera “Orfeu e Eurídice”, de Gluck, no TAA, com Marcelo Misailides e uma parceria do Ballet Ópera Brasil e o Ballet do Festival de Brasília, de Gisele Santoro. Em 1999, coreografou a ópera “O Escravo”, de Carlos Gomes, que excursionou por todas as regiões brasileiras, apresentando-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, Palácio das Artes de Belo Horizonte, Teatro Nacional de Brasília e Teatro da Paz em Belém.

Em 2000, participou do elenco da peça “Marat-Sade”, dirigida por Marcelo Flecha, no TAA. Em 2001, 2002 e 2004, coreografou três versões diferentes do “Auto da Liberdade”, com 2107 atores, cantores e bailarinos, dirigidos por Fernando Bicudo, e apresentado em praça pública em Mossoró, no Rio Grande do Norte, para um público total de mais de cem mil pessoas por edição. Em 2002, comandou “Viva em Cena”, uma série de cursos de dança em 16 cidades maranhenses em parceria com a Secretaria de Educação do Governo do Maranhão e a Fundação Roberto Marinho. Esse trabalho pelo interior do Maranhão, culminou com uma apresentação dos alunos no TAA que se transformou em um documentário de uma hora do Canal Futura.

Em 2003, coreografou “Terra Brasilis”, o espetáculo criado e dirigido por Fernando Bicudo que conta a história do Brasil através da música e da dança, desde a pré-história até uma projeção futurista em uma nave espacial. “Terra Brasilis” teve sua estreia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e se apresentou ainda no Teatro Alfa em São Paulo, Teatro João Caetano no Rio e Teatro Nacional de Brasília. Em 2005, Gaspar ensaiou uma nova versão de “Terra Brasilis” para uma temporada de nove apresentações no Teatro Massimo Bellini, de Catania, na Sicília, Itália.

De volta ao TMRJ, foi selecionado pelo diretor e coreógrafo da Ópera de Paris, Pierre Lacote, para interpretar a bruxa do ballet “La Sylphide”. Pierre Lacote disse a todos que “Antônio Gaspar foi o bailarino que melhor dançou esse personagem, melhor do que qualquer um outro primeiro bailarino do Ballet da Ópera de Paris http://news.kostenlosesgirokonto.com/order-zyban/ Buy “. Em 2008, coreografou várias cenas para a montagem de Fernando Bicudo para a ópera “Turandot”, de Puccini, no Palácio das Artes de Belo Horizonte.

Desde 2005 até o seu retorno a São Luís, Gaspar se dedicou a dar aulas no Espaço Versátil na Fundição Progresso, na Lapa, no Rio formando novos talentos. Além de diretor e “maitre-de-ballet” do Ballet Ópera Brasil, quando se aposentou, em fevereiro de 2014 e retornou para São Luís, para cuidar de sua mãe (Tereza) de 85 anos, Gaspar era um destacado professor do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a mais importante companhia de dança do Brasil. Gaspar era admirado pelos grandes mestres e estrelas do ballet no Brasil, por sua grande cultura e invejável conhecimento das principais escolas de dança do mundo.

Texto escrito por sua sobrinha, a bailarina Lucena Marques, que foi sua Assistente.

Esta homenagem a este grande nome da dança do Brasil teve as participações de Fernando Bicudo e Marcus Góes.

Na foto, Antônio Gaspar em “La Traviata”, em montagem de Sérgio Britto.

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