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Ana de Oliveira lança CD e livro dedicados ao violino solo

Com longa carreira como camerista e spalla em orquestras nacionais e internacionais, violinista paulistana, radicada no Rio, lança o álbum “Dragão dos Olhos Amarelos”, com participação de André Mehmari, e o livro “O Violino na Música Contemporânea Brasileira”, marcando sua estreia com CD solo e como autora na literatura musical.

Há artistas que não dão um passo atrás quando um grande desafio se impõe, seja ele um improviso, uma sonata ou um flamejante dragão de olhos amarelos que traz dilemas e questões profundas ao baile da vida. Ana de Oliveira se propõe (e vive) aqui simplesmente o encontro mais profundo consigo própria em sua brilhante carreira, até o momento. Sem filtro!” – André Mehmari

A destacada violinista Ana de Oliveira demonstra, e já por longo tempo, o que teoriza no papel. Esta sua obra (livro), fruto de conhecimento teórico e prático, constitui um verdadeiro tesouro para todos nós, violinistas e os que tocam outros instrumentos de cordas. Ela nos fornece bases sólidas para compreender e executar projetos sonoros de compositores contemporâneos, como também proporciona o caminho inverso – o deles vivenciarem nossas possibilidades e se adequarem ao nosso instrumento. Um grande e vitorioso tento!” – Paulo Bosísio

Radicada no Rio de Janeiro, a violinista paulistana Ana de Oliveira, spalla da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF e integrante do renomado Trio Puelli, lançou-se um desafio no ano mais assustador e incógnito da história recente da Humanidade e, especialmente, da classe artística e musical: estrear seu projeto solo, o primeiro de uma carreira com mais de três décadas a serviço da música brasileira e internacional.

Tendo sido solista com diversas orquestras na Europa e no Brasil – por uma década foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira – Ana de Oliveira lança, simultaneamente, seu primeiro CD de violino solo, “Dragão dos Olhos Amarelos”, e o livro “O Violino na Música Contemporânea Brasileira – um manual de técnica estendidas”, ambos no formato físico e digital, uma ousadia muito bem vinda em tempos pandêmicos, revelando-se, musicalmente, como compositora e exímia improvisadora, com igual importância literária na Educação Musical.

Capa do CD

CD “Dragão dos Olhos Amarelos”

Com produção, direção e concepção da própria autora, dez das quinze faixas que compõe o CD foram criadas instantaneamente, em fevereiro último, no Estúdio Monteverdi, onde foi gravado, mixado e masterizado por André Mehmari. Além destas autorais inéditas, compõem ainda o repertório Dodecafoniana I e II para violino solo, obra de Sérgio Ferraz dedicada à violinista; Cadenza, composição da violinista para a música “Eterna” de Egberto Gismonti em sua versão para solista e orquestra; Malinconia da segunda Sonata para violino Solo, de E. Ysaÿe, e Posso Chorar, com André Mehmari ao piano, uma faixa bônus inédita escrita por Hermeto Pascoal nos anos 80 e dedicada à violinista quando a conheceu na estreia de sua “Sinfonia em Quadrinhos” – na época, a artista tocava como spalla da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal de São Paulo.

“Este registro é a realização de um sonho de liberdade, uma viagem autobiográfica. As composições instantâneas que integram este trabalho são inspiradas em momentos, memórias, sentimentos de minha vida, que foram retratadas sob forma de Música… uma catarse e um ato de coragem de me expor visceralmente”, revela Ana de Oliveira.

Tais sentimentos e revelações são ratificados por André Mehmari, para quem este projeto é, além de tudo, “um testemunho potente da resistência do artista brasileiro em meio ao mais desafiador cenário em tempos recentes e provavelmente de todos os tempos em alguns aspectos”. Para o consagrado produtor, compositor, arranjador, pianista e multi-instrumentista, a artista não se esquiva e “empunha corajosamente seu arco e lança a flecha sonora certeira na direção do ouvinte apto a viajar com ela por veredas que vão muito além do conforto estético e formal: a fascinante imperfeição do ser humano em constante estado de mutação”.


DRAGÃO DOS OLHOS AMARELOS

Por Sérgio Ferraz

Tenho vários motivos para estar feliz em escrever este texto para o CD Dragão dos Olhos Amarelos da super violinista Ana de Oliveira. Pois a Ana é uma violinista de raro talento! Uma musicista com uma trajetória de tanto sucesso e histórias lindas. Vários concertos como solista, apresentações memoráveis ao lado de gigantes da música como Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal, entre tantos outros…

Ana de Oliveira é também minha parceira de música de duo, duo este que no ano de 2019 lançou Carta de Amor e Outras Histórias, nosso primeiro CD. Agora em 2020, Ana lança seu primeiro CD solo: Dragão dos Olhos Amarelos. Um ousado e incrível trabalho de violino solo em que a maioria das composições são improvisações livres dela.

Um outro motivo pra estar feliz é que Ana de Oliveira grava em Dragão dos Olhos Amarelos duas peças dodecafônicas que eu compus pra violino solo. Dodecafoniana I e II dedicada a própria intérprete que, com seu raro talento e mestria, as executou com perfeição.

Dragão dos Olhos Amarelos é um disco de pura poesia, uma joia rara. Em fim, um lindo presente que a Ana nos dá.

 

Por Ana de Oliveira (janeiro de 1996)

Dragão dos olhos amarelos que tanta dor me provocas, tua expressão é como a Lua quando nasce quase cheia no oceano da saudade. Teu fogo não queimará minha esperança, pois nada supera o Amor pela Beleza de viver e ver este mesmo luar de pranto a caminho de minha terra que me espera, para libertar de algemas tatuadas uma pobre mulher de olhos tristes e lunáticos.

Dragão dos olhos de pálido fogo, em teu ardor encontro a força e coragem maternas para transformar a miséria em cores sonoras, onde sorrisos pueris iluminarão esta Terra plena de horizontes e guerras. Em teus olhos, vejo a ambiguidade da Natureza, Mãe, o reflexo da loucura de uma realidade sem sonhos e a sofreguidão de ascender ao Irreal.

Dragão, não sejas triste, pois teus olhos são de ouro e o Amor é infinito.


FICHA TÉCNICA

Ana de Oliveira – violino solo
Concepção, produção e direção artística – Ana de Oliveira
Gravação, mixação e masterização: André Mehmari
Estúdio Monteverdi entre fevereiro e março de 2020
Concepção de capa:  Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz
Fotos: Paulo Rapoport
Projeto gráfico: Gustavo Burckhardt
Convidado especial na faixa bônus: André Mehmari – piano

 

REPERTÓRIO

1 a 6. DRAGÃO DOS OLHOS AMARELOS

Ana de Oliveira

1 – O DESCONHECIDO (3’37)
BR-XMI-20-00103

2 – IMPROVISO BACHIANO  (1’32)
BR-XMI-20-00104

3 – O CONFRONTO  (1’48)
BR-XMI-20-00105

4 – CY  (4’46)
BR-XMI-20-00106

5 – ALEMANHA  (2’35)
BR-XMI-20-00107

6 – ZWEIFEL  (3’39)
BR-XMI-20-00108

Ana de Oliveira
7 – CADENZA (2’16)
BR-XMI-20-00109

 Sérgio Ferraz
8 – DODECAFONIANA I  para Violino Solo (1’05)
BR-XMI-20-00110

9 – DODECAFONIANA II para Violino Solo (1’33)
BR-XMI-20-00111

 Ana de Oliveira
10 – IMPROVISOS AUTOBIOGRÁFICOS I (3’25)
BR-XMI-20-00112

11 – IMPROVISOS AUTOBIOGRÁFICOS II (3’51)
BR-XMI-20-00113

12 – BARTOKIANA (3’13)
BR-XMI-20-00114

13 – IMPROVISO para Antônio José Augusto (3’04)
BR-XMI-20-00115

Eugène Ysaÿe
Copyright 1924 by A. Ysaÿe , Brussels

14 – MALINCONIA DA SONATA n. 2 para Violino Solo (3’47)
BR-XMI-20-00116

Hermeto Pascoal 
Copyright 1986 Hermeto Pascoal SACEM
POSSO CHORAR – para Violino e Piano (5’02) – Faixa bônus
BR-XMI-20-00117
Ana de Oliveira – Violino e André Mehmari – Piano

 

Livro “O Violino na Música Contemporânea Brasileira – um manual de técnicas estendidas”

Fruto do seu mestrado profissional concluído em dezembro de 2018, no Instituto Villa-Lobos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), sob orientação de Mariana I. Salles, o livro, com prefácio do violinista Paulo Bosísio, oferece subsídios técnicos e teóricos sobre o assunto – carente de referências – e pode ser utilizado como um manual para estudantes de violino e composição.

O termo “técnicas estendidas” define todos os meios técnicos instrumentais não tradicionais e não convencionais para a performance de obras musicais contemporâneas. No Brasil não há muitas referências técnicas e bibliográficas sobre o tema, embora haja um crescente interesse pela música produzida hoje”, destaca a autora e complementa: “mas foi devido à minha dedicação na execução do repertório para violino dos séculos XX e XXI e, naturalmente, a partir de minhas próprias dificuldades na busca por soluções para a execução de determinadas passagens, assim como em interpretar novas notações musicais, que surgiu a necessidade de elaborar um manual sobre técnicas estendidas para o violino”.

 

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu pai, Paulo, por ter me mostrado bem cedo o caminho da música; à minha mãe Aracy (in memoriam), ao meu irmão Paulo e a toda minha família pelo amor e afeto; a André Mehmari pela amizade, afeto, dedicação, competência e acolhimento em seu Templo da Música; a Sérgio Ferraz pela beleza das peças Dodecafoniana I e II e por todo afeto e companheirismo nestes tempos de pandemia; a Hermeto Pascoal pela música Posso Chorar e por toda inspiração; ao fotógrafo Paulo Rapoport pelo belíssimo trabalho; ao artista Gustavo Burckhardt pelo design gráfico; a Maria Luísa e Augusto Lefèvre pelo afeto e generosidade; a cada pessoa que contribuiu financeiramente e tornou este projeto possível com o financiamento coletivo através da Som na Toca, uma lista imensa de pessoas muito queridas e generosas. Agradeço à Música que sempre foi uma fonte inesgotável de estímulo, de energia e objeto de reverência em todos os momentos de minha vida, sobretudo neste 2020 tão complexo e desafiador.

 

Ouça o CD “Dragão dos Olhos Amarelos”

https://tratore.ffm.to/dragao

 

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