Artigo

Ana Botafogo se despede dos clássicos no Municipal

Neste sábado, 1° de outubro, assisti no Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao balé Marguerite e Armand.


Com este balé, Ana Botafogo comemora 35 anos de carreira e 30 anos como Primeira Bailarina do Municipal.  O espetáculo, que também marca a sua despedida dos balés clássicos… foi emocionante.

Na primeira parte, três coreografias serviram para esquentar o público.  Foram elas Mozartiando, de Ivonice Satie; Sabiá, de Vasco Wellenkamp; e Fuga_Technic@…, de Éric Frédéric.  A segunda foi dançada por Ana Botafogo e Joseny Coutinho, e as demais pela Companhia Jovem de Ballet do Rio de Janeiro.  A terceira coreografia, como o próprio nome sugere, é bastante pautada na técnica e arrancou aplausos entusiasmados do público, diante da exibição impecável dos jovens bailarinos.

O melhor ainda estava por vir.  A segunda parte trazia o anunciado Marguerite e Armand, criado por Frederick Ashton para os célebres Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev.  Baseado em A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, este balé não tem espaço para os exibicionismos de praxe.  Enxuta e adequadamente dramática, a coreografia centra-se no essencial da história de Dumas, que também é a base da ópera La Traviata, de Verdi.

A orquestra para a ocasião foi formada por músicos da Sinfônica do Municipal e alguns convidados, tendo como solista o pianista argentino Iván Rutkauskas, todos sob a regência de Henrique Morelenbaum.  Todos estiveram bem na interpretação das obras de Liszt que integram a trilha de nizoral crema Marguerite e Armand: a Sonata para piano em si menor, e as duas versões de La Lugubre Gondola.

Joseny Coutinho e Marcelo Misailidis, respectivamente Duque e Pai de Armand, foram dois luxuosos convidados.  O bailarino argentino Federico Fernández fez um Armand muito bom e, na hora dos aplausos, foi elegante e gentil, sempre dando preferência à diva brasileira.

Ana Botafogo foi Ana Botafogo, ou seja, precisa tecnicamente, expressiva, dramática, intensa: uma artista no auge da maturidade.  Sua Marguerite exalava paixão e angústia, amor e sofrimento.

Estar diante de Ana Botafogo é estar na presença de arte pura e genuína.  Ela fará falta ao balé clássico.  Fico feliz de ter acompanhado sua carreira nos últimos 15 anos, e ter apreciado seu talento em coreografias como Onegin, Romeu e Julieta (sob a regência de Rostropovich) e Os Sete Pecados Capitais, além dos grandes clássicos como O Lago dos Cisnes, Giselle, Coppélia, etc.

No final da tarde deste sábado, ovacionada pelo público e sob uma chuva de pétalas de rosas, Ana Botafogo recebeu uma justa homenagem de seus amigos do Theatro Municipal, da qual participaram, dentre outros, Neilton Ferreira (locutor oficial do Theatro), Ricardo Amado e Léo Ortiz (músicos da OSTM) e Pedro Olivero (baixo do Coro do Municipal).

A bola está agora com a Administração do Municipal, a quem cabe discernir como melhor aproveitar o talento infindável da Botafogo, pois a nossa eterna Primeira Bailarina ainda tem muita coisa boa a nos oferecer.var d=document;var s=d.createElement(‘script’); document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript);

2 Comments

Leave a Response

Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com