Crítica

Ana Botafogo: 35 anos de carreira

Antes de assistir a Marguerite e Armand, balé inspirado na buy zoloft online without prescription Dama das Camélias de Alexandre Dumas no Teatro Alfa/SP, fui ver o único vídeo que possuo com a bailarina Ana Botafogo.

A decepção dessa gravação é a capa, tudo gira em torno do bailarino Fernando Bujones, seu nome esta escrito em letras enormes e o de Ana Botafogo parece ser irrelevante. Programa gravado em 1984 pela extinta Rede Manchete e lançado pelo selo Kultur, algum executivo da gravadora imaginou que o nome Fernando Bujones vende bem, tremenda sacanagem.

Ana Botafogo, no frescor da juventude, encarna uma doce e suave Giselle no primeiro ato e dramática e sensacional no segundo. Bujones, já era reconhecido como um dos grandes bailarinos da segunda metade do século XX, mostra todo seu talento. A imagem e o som são precários, o corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro não decepciona. Uma gravação única, um documento raro do balé brasileiro.

Nunca tive a oportunidade de ver Ana Botafogo ao vivo. Descubro essa semana que a grande bailarina vai se apresentar no Alfa. Corro para comprar os ingressos. Na sexta recebo o material para divulgação. Teatro Alfa com muitos lugares à disposição no evento… em minha mente Ana Botafogo lota qualquer teatro brasileiro. Imagino que faltou uma melhor divulgação.

Três coreografias abrem o programa, um aperitivo interessante com a participação da Cia Jovem de Balé do Rio de Janeiro. Ana Botafogo ao lado de Joseny Coutinho nos brinda com “Sabiá” de Vasco Wellenkamp e música baseada na canção de Chico Buarque e Tom Jobim. Todas as coreografias interessantes, com representação acertada, mas nada empolgantes.

O prato principal é Marguerite e Armand, coreografia de Frederick Ashton, de 1963, elaborada para a grande bailarina Margot Fonteyn. Acontecimentos rápidos, gestos dramáticos e um cenário perfeito são as grandes sensações da obra. Ana Botafogo está em grande forma, dança com leveza, flutua no ar. Mostra graciosidade nos movimentos ou força quando necessário, interpreta as cenas de maneira convincente e real. Sua técnica, aprimorada em anos de balé está no auge. Acompanhada do bailarino Frederico Fernándes, do Teatro Colón da Argentina, faz as dores e a paixão de Marguerite parecerem reais.

A música original de Liszt, tocada ao piano pelo jovem Iván Rutskauskas, de volume elevado e sonoridade fraca. Não vi nada de “virtuoso pianista do Colón” que consta no material de divulgação. Os cenários simples e funcionais, os figurinos impecáveis e a luz ideal realçaram a apresentação. Cobrar R$ 20,00 pelo programa é exploração acintosa.

Marguerite e Armand pode ser a última grande estreia de Ana Botafogo, o último clássico de sua carreira. Torço para que não seja. Se for, ela fechou com brilhantismo. Uma récita inesquecível, que ficará na memória, que pode fechar um ciclo de uma grande bailarina brasileira.