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Amor com amor se paga

Homenagem do ator Marcelo Nogueira ao cantor Agnaldo Rayol transforma-se em emocionante musical.

 

Tudo começou com uma homenagem de um fã a seu ídolo. Homenagem justíssima, por sinal, já que o ídolo em questão, que completou 76 anos em 2014, começou sua carreira aos 8, cantando na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A admiração tornou-se um projeto que, com a junção das forças com outros artistas, transformou-se no musical Agnaldo Rayol – A Alma do Brasil, em cartaz até 21 de dezembro no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.

O idealizador e produtor do projeto é o ator Marcelo Nogueira. Jovem e talentoso, com formação em piano clássico, Marcelo empresta sua bonita estampa e sua voz educada para dar vida, com classe e elegância, ao homenageado, cuja vasta trajetória – cantor, ator de TV e cinema, apresentador, pintor e poeta – tem os momentos mais memoráveis pinçados no texto de Fátima Valença, dramaturga expert em espetáculos sobre os tempos dourados da música brasileira (tais como Rádio Nacional – As Ondas que Conquistaram o Brasil; Dolores; Eu sou o Samba).

O texto caleidoscópico vai sendo construído com fluidez pela direção segura de Roberto Bomtempo, que consegue, na quase totalidade dos 80 minutos de duração do espetáculo, manter o ritmo da narrativa, entremeada por canções marcantes da carreira do biografado, como Mia Gioconda online Cheap , effexor by mail Fascinação, Ave Maria e Boa Noite, Amor. Essas e outras pérolas do repertório têm direção musical e arranjos caprichados de Marcelo Alonso Neves e são bem executadas ao vivo pelos músicos Cristina Bhering (piano e regência), Affonso Neto (bateria), Luciano Correa, http://tematamushrooms.co.nz/depakote-borderline/ Thais Ferreira e Murillo Gandine (violoncelos).

A viagem no tempo é facilitada pelas ótimas projeções de João Ilglesias ( Order design de projeção), Felipe Bond (direção de vídeo) e Caetano Manenti uroxatral cheap (edição de vídeo), que resgatam imagens históricas da carreira do biografado – ainda que, às vezes, a irregularidade das cortinas que recebem as projeções prejudique a visualização. Nos cenários, Flávio Graff não consegue dar asas à criatividade (provavelmente em função das limitações da produção), mas sua contribuição nos figurinos é de grande valia para o conjunto do espetáculo, criando um guarda-roupa elegante e totalmente condizente à época e/ou ao personagem que o veste – vide os bem cortados ternos do protagonista e os exuberantes vestidos da apresentadora Hebe Camargo. Vale destacar ainda o excelente visagismo de Beto Carramanhos, que torna a verossimilhança entre intérprete e biografado muitas vezes notável.

Mas não há peruca que resolva quando não há entrega de alma – e isso não falta ao pequeno grande elenco de Agnaldo Rayol – A Alma do Brasil. Mona Vilardo arranca risos como Wanderléa e mais ainda como a noiva mais apaixonada por Rayol do que pelo futuro marido. Fabrício Negri dá vida com entusiasmo a Erasmo Carlos e, principalmente, ao comediante Renato Corte Real. A atuação de Stela Maria Rodriygues é primorosa, vocal e cenicamente, tanto em sua recriação de Angela Maria, como – e sobremaneira – quando encarna de maneira emocionante a apresentadora Hebe Camargo.

Mesmo cercado de tantos outros brilhos, o coração cintilante do espetáculo é Marcelo Nogueira. O atento intérprete constrói seu personagem com filigranas detalhadas, sutilezas, piscadelas, impostações vocais, pequenos gestos e olhares delicados. Sua atuação como Agnaldo Rayol é uma amorosa reverência de um talentoso jovem ator a um grande ídolo da história das nossas artes.

 
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SERVIÇO:

online Agnaldo Rayol – A Alma do Brasil

Direção de Roberto Bomtempo

Texto de Fátima Valença

Com Marcelo Nogueira, Stela Maria Rodriygues, Fabrício Negri, Mona Vilardo

 

Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí 20, Centro, Rio de Janeiro – 2253-1580)

Até 21 de dezembro de 2014

De quinta a domingo, às 19h

Ingressos a R$ 20