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Acervo de José Siqueira na Escola de Música

A família do maestro e professor da EM decidiu doar o material histórico. São partituras, discos, fotos e documentos diversos, que serão recebidos pela BAN.

José Siqueira

Aluno e professor da Escola de Música, destacado compositor brasileiro, falecido em 1985, José de Lima Siqueira “retorna” agora à instituição. É que a família decidiu doar seu acervo, de maneira a melhor preservar a memória do maestro: “achei a solução mais adequada. É um lugar importante, onde estão os ex-alunos dele. Queremos que tudo esteja disponível para quem precisa”, diz Mirella San Martini Siqueira, a única neta.

Uma pessoa tão relevante para a música do País não pode ficar esquecida”, ressalta, sobre o regente com atuação em vários países do mundo, idealizador da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), autor de cinco sinfonias, da ópera “A Compadecida”, dos oratórios “Candomblé” e “Xangô”, de uma série de concertos e concertinos para instrumentos solistas e orquestra e ainda da obra “Gimba”, com libreto de Gianfrancesco Guarnieri, ainda inédita.

Também integram o material documentos sobre a carreira do soprano Alice Ribeiro, esposa de José Siqueira. São partituras originais em papel vegetal e assinadas, muito material fotográfico, discos, livros, revistas, objetos, cartas, documentos diversos e o fardão da Academia Brasileira de Música, da qual Siqueira foi fundador.

A história da organização e guarda do patrimônio musical começou com Ivo Ribeiro Siqueira, único filho do maestro e que cuidou como pôde, mas não era da área e sim engenheiro. Em 1997, com a perda do pai, foi Mirella quem, aos 26 anos, ficou com a incumbência. Mas, publicitária e casada depois com o também engenheiro Ewerton Dantas Vital, não foi nada fácil. “A gente sabia que tinha um tesouro em casa, do qual não podíamos nos desfazer, mas não tínhamos conhecimento técnico, nem noção do volume, do espaço físico necessário”, conta.

Famosa foto de José Siqueira

Inicialmente o material ocupava duas salas no centro da cidade, uma na sede da União dos Músicos do Brasil – com uma “poeira histórica”- e outra que o avô possuía, no Largo do São Francisco. “Fora isso, ainda havia muita coisa no apartamento”, diz, referindo-se ao imóvel onde Ivo morou. O acervo também passou uma temporada em espaço cedido pela Sala Cecília Meirelles, até ir para Mangaratiba, onde está, numa “bagunça levemente organizada”, abrigada na casa construída por José Siqueira nos anos 50.

Boa lembrança Mirella tem do compositor e professor Leonardo Sá que, indicado pela OSB, a partir de 2005, começou uma “limpeza, separando o que tem valor histórico, ajudando a família, que em seu tempo livre foi tentando arrumar as coisas, devagar. “Havia como uns 200 LPs iguais, do Selo Corcovado, com capas à parte, programas e cartazes repetidos, misturados a notas fiscais de compra de piano, por exemplo, partitura enrolada e amarrada com barbante dentro de saco plástico, identificada em papel escrito à mão, uma confusão”, diz Mirella, lamentando a morte do professor há cerca de um mês. “Muitas pessoas nos procuram, querendo pesquisar e Leonardo tentava atender female viagra no prescription ”, salienta. Foi o caso do o ex-aluno da EM, Luiz Kleber, que faz mestrado na Universidade Federal da Paraíba, e conseguiu cópia da partitura de “A Compadecida”.

Mas o diretor da Escola, André Cardoso, tem também um orientando no mestrado, Caetano Araújo, que escolheu como tema a obra sinfônica do maestro Siqueira e estava com dificuldades de acesso ao material, em Mangaratiba. “Acabou até mudando o enfoque do trabalho, para não ficar incomodando a Mirella. Outra estudante me procurou para orientá-la, em pesquisa também sobre José Siqueira. Achei que deveria fazer alguma coisa”, diz, informando porque decidiu procurar a família.

Além de aluno, o maestro Siqueira foi um importantíssimo professor. Pensei que a instituição que deveria abrigar sua obra seria a Escola de Música. Tomei a iniciativa de falar com Mirella e fiz a proposta de trazer o acervo para a Biblioteca Alberto Nepomuceno (BAN), onde receberá os cuidados profissionais de nossas bibliotecárias e ficará à disposição de músicos e pesquisadores, preservando à família todos os direitos sobre o uso das obras”, assinala o professor André. “Já tivemos uma primeira reunião”, adianta, empolgada, a chefe da BAN, Dolores Brandão.

 

Extraído de O Leopoldo Digital, nº 16, Dezembro de 2011