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A que foi sem nunca ter sido

Sucesso na TV, Roque Santeiro, de Dias Gomes, vira musical no Teatro FAAP, em SA?o Paulo.

 

Roque Santeiro, peA�a escrita em 1963, deveria ter sido encenada em 1965, mas foi censurada pelo governo militar. Em 1975, Dias Gomes (1922-1999) adaptou a obra para a televisA?o e esta versA?o tambA�m foi proibida. SA? dez anos depois, em 1985, jA? com o paA�s vivendo um processo de democratizaA�A?o, A� que a novela foi levada ao ar. Protagonizada por Regina Duarte, JosA� Wilker e Lima Duarte, tornou-se um enorme sucesso.

Esta A� a primeira vez que Roque Santeiro Buy A� montada em formato musical a�� finalmente no formato pensado originalmente pelo autor: como uma opereta popular. O espetA?culo tem direA�A?o de Debora Dubois e trilha assinada por Zeca Baleiro. A temporada segue atA� 14 de maio, no Teatro FAAP, em SA?o Paulo.

O elenco da montagem A� composto por 13 atores: Jarbas Homem de Mello A� Chico Malta; Livia Camargo faz a viA?va Porcina; Cheap FlA?vio Tolezani http://fidia-2010.mhs.narotama.ac.id/2018/02/02/cheap-trandate-iv/ Cheap A� Roque Santeiro; Mel Lisboa interpreta Mocinha, filha de Dona Pombinha, vivida pela atriz NA?bia Villela, e do prefeito Florindo Abelha, interpretado por Dagoberto Feliz.

Edson Montenegro A� Padre HipA?lito; Luciana Carnieli vive a dona do bordel da cidade, Matilde, e as duas prostitutas a�� Rosali e Ninon a�� sA?o vividas respectivamente pelas atrizes Yael Pecarovich e Giselle Lima. O mA?sico e ator Marco FranA�a faz o papel de Toninho JilA?. Samuel de Assis A� ZA� das Medalhas e Cristiano Tomiossi faz o papel do General.

A trilha sonora composta por Zeca Baleiro A� executada ao vivo pelos atores com o apoio de dois mA?sicos a�� AndrA� BedurA? (baixo e violA?o) e A�rico Theobaldo (guitarra, percussA?o e eletrA?nicos). Baleiro musicou algumas letras do autor que jA? existiam na versA?o original do texto e compA?s outras canA�A�es especialmente para a peA�a.

“A trilha traz um toque levemente marcial, um certo tom militar, mas tambA�m tem elementos de bolero, tango, baiA?o, valsa, muita brasilidade e brejeirices. Mas A� bom deixar claro: a peA�a A� diferente da novela, desde o texto atA� a mA?sica”, comenta Baleiro.

Roque Santeiro marca a quarta parceria da diretora Debora Dubois com o compositor. Juntos, eles jA? fizeram Quem tem Medo de Curupira? Cheap , LampiA?o e LanceloteA�e A PaixA?o Segundo Nelson. “Essa parceria A� longa porque nos entendemos muito artisticamente, o Zeca A� um artista muito completo, que entende o teatro e coloca a mA?sica a seu serviA�o de uma forma linda”, conta a diretora. “Optamos por uma trilha musical original. Resistimos A� tentaA�A?o de usar mA?sicas da trilha da novela, que foi muito marcante. Mas, como uma espA�cie de a�?homenagema�� A� novela, incluA�mos dois trechos de canA�A�es de SA? & Guarabyra”, continua DA�bora.

A direA�A?o de movimento A� de FabrA�cio Licursi que, junto com Debora, optou por coreografias mais orgA?nicas, que misturam gestos e traA�os caracterA�sticos dos personagens com a movimentaA�A?o coletiva nos nA?meros musicais, como se reproduzissem festas populares na fictA�cia cidade de Asa Branca.

Cena de “Roque Santeiro – O Musical”

 

A peA�a Roque Santeiro ou O BerA�o do HerA?i

Escrita por Dias Gomes em 1963, a peA�a O BerA�o do HerA?i deveria ter sido encenada em 1965 com direA�A?o de AntA?nio Abujamra e mA?sica de Edu Lobo, mas foi censurada pelo governo militar duas horas antes da estreia. A proibiA�A?o do texto durou cerca de 20 anos.

Sua primeira encenaA�A?o ocorreu no Teatro The Playhouse, do Departamento de Teatro e Cinema da Pennsylvania State University, em 28 de novembro de 1976, em traduA�A?o de Leon Lyday.

Em 1975 Dias Gomes resolveu adaptar a obra para a televisA?o. Mas, novamente, a histA?ria foi proibida. Dez anos depois, em 1985, jA? com o paA�s vivendo o processo de redemocratizaA�A?o, a novela foi levada ao ar. O sucesso foi estrondoso e imediato. Tal foi o A?xito, nacional e internacional da novela, que esta nova ediA�A?o da peA�a foi retrabalhada por Dias. O autor resolveu enriquecA?-la com cenas que lhe foram sugeridas pela novela.

 

“Ao leitor desavisado quero alertar que nA?o se trata do texto (seria impossA�vel, dada sua extensA?o) da novela Roque Santeiro, nem mesmo uma sinopse ou uma adaptaA�A?o para novela literA?ria e sim o original da peA�a OA�BerA�o do HerA?i, do qual foi extraA�da a telenovela.

“Escrevi O BerA�o do HerA?i em 1963. Com o golpe militar de 64, tive que esperar quase dois anos atA� que surgisse um produtor suficientemente corajoso e interessado em montA?-la. A Editora CivilizaA�A?o Brasileira publicou o texto no inA�cio do ano de 65, com um contundente prefA?cio de Paulo Francis e uma mordaz orelha de Enio Silveira (o que levou um general a exigir do Conselho de SeguranA�a Nacional a prisA?o dos mesmos… e do autor da peA�a, evidentemente). A� que a peA�a abordava o mito do herA?i (e herA?i militar), tema delicado para o momento que atravessava o paA�s. TA?o delicado que ela acabou sendo proibida na noite em que deveria ser encenada pela primeira vez. O entA?o governador Carlos Lacerda, pressionado pelos militares, assumiu publicamente a autoria da proibiA�A?o.

“Dez anos depois, em 1975, os militares ainda mandavam no paA�s, mesmo assim decidi adaptA?-la para a televisA?o, embora o texto teatral continuasse proibido. A� evidente que procurei burlar a censura, nA?o sA? dando-lhe outro tA�tulo, Roque Santeiro (ou mais precisamente A Fabulosa HistA?ria de Roque Santeiro e sua Fogosa ViA?va, a que Era Sem Nunca Ter Sido), como tambA�m trocando os nomes de quase todas as personagens, alA�m de transformar o protagonista, um cabo da forA�a expedicionA?ria brasileira no original, num artesA?o, um fazedor de santos de barro, um santeiro. Com essas alteraA�A�es e mais o acrA�scimo de algumas tramas paralelas, achava eu que ninguA�m poderia ligar a novela A� peA�a.

Cheap “No entanto, a novela tambA�m foi proibida quando eu jA? tinha mais de 50A�capA�tulos escritos. Na A�poca, nA?o ficaram claras as razA�es da proibiA�A?o, que revoltou a opiniA?o pA?blica e levou a Rede Globo a um veemente protesto contra a Censura Federal em editorial transmitido no horA?rio mesmo da novela e em seguida repetido pelo Jornal Nacional. SA? muito recentemente, quando um jornalista teve acesso ao arquivo de telefonemas gravados pelo SNI, veio a pA?blico o que de fato ocorrera. O SNI grampeara o telefone do historiador Nelson Werneck SodrA� e gravara um telefonema meu para ele. Nesse telefonema eu lhe confidenciava inadvertidamente que a novela Roque Santeiro era uma adaptaA�A?o disfarA�ada de O BerA�o do HerA?i. A gravaA�A?o nA?o omitia nem mesmo as gargalhadas que eu e Nelson dA?vamos em seguida…

“Mais dez anos se passaram e, em 1985, jA? com o paA�s em processo de democratizaA�A?o, a novela foi finalmente liberada. Tal foi o A?xito, nacional e internacional que, ao reeditarmos agora o texto da peA�a, fomos obrigados a alterA?-lo em vA?rios pontos. As personagens, de tal forma haviam sido popularizadas pela televisA?o, que nA?o teria sentido mantA?-las com os nomes originais.”

Dias Gomes

 

Fotos: Joao Caldas Filho

 

SERVIA�O:

 

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DireA�A?o: Debora Dubois

DireA�A?o Musical: Zeca Baleiro

 

Sextas-feiras e sA?bados A�s 21h, e domingos A�s 18h

AtA� 14 de maio

Teatro FAAP online (R. Alagoas, 903, HigienA?polis a�� SA?o Paulo. Tels.: 11 3662-7233 / 7234)

 

Ingressos: sextas-feiras: R$ 80, sA?bados e domingos: R$ 90, com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

DuraA�A?o aproximada: 120 minutos

SugestA?o etA?ria: 14 anos

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