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A programação de óperas no nosso Brasil

Caros amigos, há alguns anos, talvez 3, li um livro editado no Brasil, com depoimento de vários personagens importantes no mundo da ópera.


Parecia uma orquestra de tão afinados, especialmente no que consistia à parceria para que fossem aproveitadas montagens de óperas, levado-as a vários teatros do país. Isso faria, obviamente, com que caíssem os custos. Também não era intenção dos protagonistas dos depoimentos reduzir o mercado de trabalho de artistas brasileiros, o que aconteceria se todas as óperas sofressem a mesma ação. Não… a ideia era baratear algumas produções, inclusive trazendo de fora do país algumas montagens, mas com cantores brasileiros.

Para os municipais do Rio e de São Paulo, foram nomeados como diretores artísticos, respectivamente Isaac Karabtchevsky e John Neschling. De cara, notou-se uma diferença enorme na contratação dos cantores: Rio com maioria de cantores brasileiros e São Paulo com cantores estrangeiros. Certamente, há uma explicação além de artística para isso, ou seja, a vontade das autoridades de São Paulo e o seu poder econômico, em contraposição à vontade pífia e ao poder econômico do Rio de Janeiro, mais pífio ainda.

Tudo isso que comentei acima é para fazer notar a seguinte coincidência nas programações de óperas de São Paulo e Rio, a saber:

– RJ: ópera “Salomé”, de Richard Strauss – de 22 a 26.08.2014
– SP: ópera “Salomé”, de Richard Strauss – de 06 a 20.09.2014

Como podem ver, menos de um mês separa as duas produções. Para serem mais perfeitos faltou apenas que fossem encenadas no mesmo período. O que parece? Um embate entre as duas cidades, para ver quem faz melhor? Uma continuação do ano passado? Seja lá pelo que for, isso só demonstra que nenhum dos dois diretores artísticos se deu o trabalho de ler o tal livro de que falei ao início do texto. Não leram mesmo… ou acharam que só havia bobagens nos tais textos.

Não pensem, porém, que foi uma coincidência só de 2014. Também em 2013, houve coisa parecida, com uma diferença de tempo um pouco maior. Foi a montagem de “Aída”, em abril no Rio e em agosto em São Paulo. No Rio, 3 artistas de fora e, em São Paulo, uns 6 ou 7. O pior é que os comentaristas que escreveram sobre as duas óperas, inevitavelmente, tiveram que fazer comparações entre as duas, com ampla vantagem para a encenação de São Paulo. Isso só fez acirrar os ânimos e os orgulhos.

Penso que este assunto de programação de ópera no Brasil merecia um encontro entre os diretores artísticos dos vários teatros brasileiros, quando da montagem das programações, para que pudessem tratar com inteligência este assunto: não programarem montagens das mesmas óperas tão juntas, programarem óperas itinerantes por vários estados, darem ao tema importância maior do que as suas picuinhas pessoais ou estaduais ou municipais.

Como os teatros não fazem vir a público as suas montagens ao mesmo tempo, requer-se um pouco de humildade, para que, se sua programação ainda não foi feita, ver o que o outro programou e, de repente, sentar e conversar para esticar a montagem a outros locais. Isso não deveria diminuir ninguém. Por exemplo, São Paulo já divulgou suas óperas para 2015. Seria humilhante que o Rio ou outro centro tentasse programar junto a São Paulo que alguma (s) dessa (s) ópera(s) pudesse(m) ser encenadas em outros teatros?

Não se trata de um concurso, para ver quem foi mais esperto, quem trouxe os melhores artistas, quem gastou mais, quem teve mais público… tudo isso é de somenos importância para quem ama de fato este tipo de arte que, ao que parece, contrariando muitas opiniões leigas, teima em recrudescer.

Não sou expert no assunto e gostaria apenas que este artigo fizesse vir à tona depoimentos de pessoas ligadas ao assunto e muito mais capazes do que eu, para que os “donos” das programações pudessem enxergar um pouco mais além dos seus narizes.

Vamos tratar de valorizar justamente quem dá sustentabilidade e vida a esta arte: online Pills Purchase Pills Pills Order o público Purchase voltaren xr generic

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1 Comment

  1. Excelente artigo, Antônio. Faço questão de ressaltar o termo “vontade pífia” que você usou em relação ao Rio de Janeiro. No que diz respeito ao Municipal do Rio, é exatamente isso: não se percebe uma verdadeira vontade por parte de seus administradores de fazer da casa um teatro de ópera realmente produtivo, servindo mais a terceiros do que a seus próprios espetáculos e concertos.

    Ressalto também o fato de que, com a produção atual do Municipal de São Paulo, os outros é que têm a responsabilidade maior de procurá-lo para fazer parcerias, até porque ninguém divulga programação com tanta antecedência como São Paulo.

    E por fim, um registro para os interessados: o ótimo livro citado por Antônio Rodrigues em seu artigo é “Ópera à Brasileira”, organizado pelo jornalista João Luiz Sampaio.

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Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.