LateralÓperaProgramaçãoSão Paulo

"A menina das nuvens", de Villa-Lobos, em São Paulo

A última ópera composta por Heitor Villa-Lobos é encenada pela primeira vez em São Paulo.

SERVIÇO

Theatro Municipal de SP
Praça Ramos de Azevedo, s/n°
Bilheteria: 11.3397-0327 – www.teatromunicipal.sp.gov.br

Datas e horários:
– Dia 7 de agosto, domingo, às 17h. e dia 9 de agosto, terça-feira, às 21h.
– Dia 11 de agosto, quinta-feira, às 21h. e dia 13 de agosto, sábado, às 20h.
– Dia 14 de agosto, domingo, às 17h.

Preços dos ingressos: R$ 70,00, R$ 40,00 e R$ 15,00
Funcionamento da Bilheteria: 2ª a 6ª, das 10h às 19h, ou até o início do espetáculo.
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h, ou até o início do espetáculo.
Vendas pela Internet: www.ingressorapido.com.br/prefeitura e 11.4003 2050

A Menina das Nuvens, a última das quatro óperas compostas por Heitor Villa-Lobos (1887-1959), foi apresentada no ano seguinte ao de seu falecimento em apenas duas récitas no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A obra permaneceu esquecida até ser resgatada em 2009 em montagem produzida pela Fundação Clóvis Salgado de Minas Gerais no Palácio das Artes de Belo Horizonte. É essa a produção que o Theatro Municipal de São Paulo traz para cinco apresentações na cidade entre 7 e 14 de agosto.

A ópera em três atos, que Villa-Lobos chamava de “uma aventura musical”, teve sua partitura revisada pelo Maestro Roberto Duarte que conduzirá a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Lírico, com direção cênica de William Pereira, cenários e figurinos da consagrada Rosa Magalhães, filha de Lucia Benedetti, autora do libreto original da ópera. O desenho de luz é de Pedro Pederneiras, do Grupo Corpo, com coreografia de Tíndaro Silvano. Essa montagem ventolin hfa 90 mcg teve grande repercussão há dois anos, sendo vencedora do Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita nas categorias de Melhor Espetáculo, Cenário, Iluminação e Produção.

No elenco, Gabriella Pace (Menina das Nuvens), Lício Bruno (Tempo), Inácio de Nonno (Corisco), Homero Velho (Vento Variável), Regina Elena Mesquita (Rainha), Flávio Leite (Soldado), Fabíola Protzner (Anita), Silvia Tessuto (Mãe), Adriana Clis (Lua), Giovanni Tristacci (Príncipe) e Maíra Campos (bailarina solista).

O evento

A Menina das Nuvens é a fantástica história da criança que o vento levou para viver com ele no céu. Criada nas nuvens pelo Tempo, ela decide vir a Terra para buscar suas origens. Uma fábula a partir da peça de Lúcia Benedetti, brilhantemente transformada em ópera por Villa-Lobos. Personagens como o Tempo, Corisco, Vento Variável, Rainha, Lua e Soldado fazem parte da narrativa lúdica e poética.

O espetáculo tem direção musical e regência do maestro Roberto Duarte, um dos maiores especialistas do país na produção do compositor carioca e membro da Academia Brasileira de Música (fundada pelo próprio Villa-Lobos em 1945). Duarte, atualmente, trabalha ainda na recuperação de partituras do grande maestro.

A encenação de William Pereira não transformou a obra em um evento exclusivo para crianças, e sim um espetáculo para todos os públicos, construindo a cena à partir da exuberância da música e do libreto, da plasticidade dos belos cenários e figurinos da premiada cenógrafa e carnavalesca Rosa Magalhães, também artista plástica. Rosa já participou de muitas peças de teatros, espetáculos de dança, produções de televisão, destacando-se ainda seu trabalho para o carnaval do Rio de Janeiro, no qual ela é hexacampeã. Em 2007, foi responsável pelo espetáculo de abertura dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, e por ele recebeu o Emmy de melhor figurino em Nova Iorque (2008). A coreografia será assinada por Tíndaro Silvano, que 2004 e 2005 residiu em Paris, na Cité Internationale des Arts, como artista convidado. Na iluminação de A Menina das Nuvens, Pedro Pederneiras, um dos fundadores, ex-bailarino e atual diretor técnico do Grupo Corpo.

O elenco com cantores-atores de renome, além do virtuosismo musical estabelece uma grande comunicação com a platéia em momentos de humor, lirismo e ternura.

A Menina das Nuvens resgata para o repertório de nossos teatros de ópera uma obra esquecida do maior compositor brasileiro do século XX, revelando a sua força, vigor e poesia.

A menina das nuvens, pelo Maestro Roberto Duarte

O entusiasmo pela composição e a vontade férrea de criar não arrefeceram nos últimos anos de vida do maior gênio da música brasileira de todos os tempos: Heitor Villa-Lobos. Nem mesmo a doença fatal, que vitimou o mestre em novembro de 1959, impediu que ele continuasse produzindo obras de grande envergadura que marcaram ainda mais sua trajetória no cenário internacional. As duas suítes For Chamber Orchestra, a Sinfonia nº 12, o Magnificat Alleluia (obra encomendada pelo Vaticano), a Fantasia Concertante para 32 violoncelos, a Floresta do Amazonas para coro masculino, soprano solista e grande orquestra e a ópera A menina das nuvens são exemplos de obras importantes compostas nos dois últimos anos de sua vida.

A aventura musical A menina das nuvens, última ópera de Villa-Lobos, tem texto de Lúcia Benedetti. Sua estreia ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro um ano após a sua morte. A regência foi de Edoardo de Guarnieri e a direção cênica de Gianni Rato tendo como assistente o tenor Assis Pacheco. Bela Paes Leme assinou os figurinos e Eugenia Feodorova a coreografia. O elenco, constituído pelos melhores cantores da época, tinha Aracy Bellas Campos como Menina, Assis Pacheco (Corisco), Edson de Castilho (Tempo), Paulo Fortes (Vento Variável), Guilherme Damiano (Soldado), Lycia Demoro (Anita), Glória Queiroz (Rainha), Isauro Camino (Príncipe) e Maria Henriques (Mãe), além do Coro, preparado por Santiago Guerra e dirigido nas únicas duas récitas por Luiz Aguiar, o Balé e a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal.

Logo que fui convidado para a regência e direção musical de A menina das nuvens para a produção realizada no Palácio das Artes em 2009, comecei imediatamente a fazer a revisão geral na partitura de orquestra. Ao compará-la com a peça teatral de Lúcia Benedetti ajustei certas passagens omitidas na ópera. Considerei importante a inclusão de pequenos trechos da peça para maior esclarecimento do enredo como o entreato entre o primeiro e segundo atos, interpretado pelo Corisco. Em certas passagens decidi repetir alguns compassos para dar maior flexibilidade cênica. Por fim, como esta ópera não tem uma abertura formal e sim alguns compassos que duram apenas 19 segundos, à guisa de  introdução, considerei oportuno juntar alguns trechos de temas importantes da própria obra, mantendo exatamente o que o mestre escreveu, criando assim uma introdução de mais de quatro minutos.

Por sua beleza de texto e música, espero e desejo que A menina das nuvens se torne uma obra regular no repertório operístico nacional.

document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript);}

2 Comments

  1. Apesar do imenso respeito que tenho pelo maestro Duarte, escrever uma abertura para a obra, mesmo que juntando frases escritas por Villa-Lobos, equivale a alterar a obra, a menos que haja indicação do compositor para que essa ação seja tomada. Seria o mesmo que escrever uma abertura para a “Clemenza de Tito” com temas escritos por Mozart, alterando o caráter de “opera seria”, como queria o compositor.

  2. Olá colegas do movimento.com, o maestro Roberto Duarte é um profundo conhecedor da arte da regência, assim como da lingagem operística.
    Achei magnífico da parte dele compor uma abertura para a ópera do mestre Villa-Lobos, algo que durante toda história da música muitos compositores fizeram com outras obras.
    Maestro Duarte, bravo pela iniciativa de dar um “up” dramático numa obra do maior compositor brasileiro.

Comments are closed.

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.