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movimento.com - Crítica: Il Barbiere di Siviglia no Teatro São Pedro Crítica

Il Barbiere di Siviglia no Teatro São Pedro



Faz um calorão em São Paulo e as temperaturas elevadas neste verão estão matando os paulistanos. Mas o calor paulista tem suas vantagens: contagiou a turma do Il Barbiere di Seviglia. Na apresentação do dia 25/11, no pequeno e confortável Teatro São Pedro/SP a coisa esquentou. Solistas inspirados, cenários corretos, figurinos hilários, direção acertada, luz correta. Tudo conspirou a favor de um grande espetáculo. A coisa ficou quente, beirou aos 40 graus ou mais.

William Pereira transporta a ação para tempos modernos, proposta arriscada, na tentativa muitos se deram mal. Ele, com sutilezas, consegue fazer com que uma história escrita no século XVIII fique atual. Rosina vira uma patricinha dondoca que adora uma academia de ginástica, Figaro, um cabelereiro profissional. Don Bartolo, um renomado médico e assim vai. Figurinos exagerados, com cores berrantes e extremamente cômicos ajudaram a direção a conseguir seu objetivo, ou seja, tornar a ópera engraçada, uma "Commedia dell arte" típica, com seus personagens fanfarrões, quiproquós e trocas de identidade.

Os cenários simples e móveis cumprem a função de dinamizar o texto. O diretor abusa dos movimentos, exige o máximo da veia cômica dos cantores através de gestos e expressões. Grande direção, criativa e de bom gosto. Modernizou a ópera bufa sem deturpá-la.

Luciana Bueno é mezzo-soprano no auge vocal. Seu timbre escuro, às vezes aveludado, agrada aos ouvidos. Cantora em constante evolução, sua voz está melhor a cada récita, a cada temporada. Uma doçura. Sua técnica precisa, junto a boas coloraturas, fazem dela o melhor mezzo-soprano dessas terras. Faz uma Rosina palhaça, com agilidade vocal e uma jovialidade inerente à personagem. (Neschling, sugiro Luciana Bueno para a sua montagem do Il Barbieri di Siviglia em 2010). O Brasil merece ouvir essa voz.

Rodrigo Esteves é outro cantor em ascensão, barítono de voz portentosa. Seus graves são fartos e fáceis. Seu timbre ora escuro, ora médio, é agradável. Atuação magnífica, eu nem imaginava que o barítono que cantou Alfio, da ópera Cavalleria Rusticana, de Mascagni, no mesmo Teatro São Pedro, pudesse ser tão engraçado. Consegue uma agilidade e coloraturas impressionantes. Esse garoto vai longe.

Flávio Leite é tenor que não tem o material vocal pronto para o Conde de Almaviva. Penou para tentar atingir as notas na sua grande ária. Se conseguiu, não faço a menor idéia (haja diapasão), só sei que ele fez muita força e se perdeu. Mas a galera aplaudiu, no Brasil se aplaude tudo. Sua voz lírica, clara, carece de técnica. Em árias longas isso faz a diferença. Atua e empresta comicidade ao personagem. Com estudo, pode evoluir e se tornar um bom tenor.

Saulo Javan, baixo com voz de grandes graves que enche o teatro. Don Bartolo fica engraçado em sua interpretação, um médico atrapalhado que quer se casar com a jovem Rosina. O demais solistas se garantem. O coro, exclusivamente masculino é fraco, um tanto perdido às vezes. A Orquestra Jovem de Guarulhos, comandada por Emiliano Patarra, dá conta do recado. Na abertura soou alta, mas no restante da récita tocou em andamentos corretos, destaque às suas cordas.

A Associação Paulista dos Amigos da Arte prova que é possível fazer grandes óperas sem orçamentos volumosos. Simplicidade e boas idéias são a chave do sucesso. Parábens à iniciativa e a ousadia do diretor artístico Paulo Abrão Esper.


Autor Ali Hassan Ayache
em 28/11/2009


Opinião dos internautas___________

O crítico esqueceu de mencionar o excelente desempenho do Baixo Eduardo Janho Abumrad...
maria da penha melo em 29/11/2009
são paulo - SP


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