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movimento.com - Artigo: 2010: os bicentenários de Chopin e Schumann
Artigo
2010: os bicentenários de Chopin e Schumann
Este ano de 2010 que agora se inicia marca os bicentenários de nascimento de dois monstros sagrados da música: Fryderyk CHOPIN, nascido na Polônia, e Robert Alexander SCHUMANN, nascido na Alemanha ainda não unificada, mais precisamente na Saxônia.
O primeiro é talvez o mais popular e o mais executado compositor de todos os tempos, inclusive por uma de suas características que o minoriza: compôs quase que só para o piano, o que o faz ter suas obras executadas à exaustão por principiantes, alunos, estudantes, donas de casa, pianolas, amadores e pequenos e grandes pianistas. O segundo compõe, com Mendelssohn, o duo sucessor de LvB, Schubert e Weber na música alemã.
Chopin compôs pode-se dizer que só para o piano, mas isso não quer dizer que não tenha sido um imovador, principalmente na técnica pianística, mais precisamente no ataque e manuseio do teclado e no uso dos pedais. Referir-se a ele como um “inovador” no entanto será equipará-lo a um Bach, a um Beethoven ou a um Wagner, estes sim inovadores jamais igualados nessa qualidade na história da música.
Outro aspecto instigante ao abordarmos Chopin é sua nacionalidade artística: nunca foi ele um compositor polonês, tanto devido ao sangue francês que lhe vinha do pai quanto a uma internacionalidade por ele sempre procurada com viagens a Berlim, estudos e concertos em Viena e Paris, ali permanecendo por longo tempo e tornando-se integrante do grupo do qual faziam parte Liszt, Mendelssohn, Rossini, Berlioz, Meyerbeer, os cantores Nourrit e Falcon, chegando depois a ser amigo muito próximo de Bellini, cuja música elegíaca, lamentosa e sumamente elegante o influenciaria para sempre.
Chopin foi um compositor de índole claramente franco-italiana, sendo raros os ecos alemães em sua música. É muito mais esclarecedor defini-lo como um compositor internacional que como um compositor polonês. O é por lugar de nascimento, compôs lá as suas mazurcas e polonaises, seus estudos revolucionários, mas essas denominações são só uma capa e uma referência literária. Nada musicalmente mais francês que suas “polonaises“, nada mais italiano que suas longas melodias expostas ao modo da “Norma” ou dos “Puritani”, dos quais escreveu detalhadas paráfrases. Durante este ano de 2010 teremos oportunidade de falar muito sobre Chopin e sua obra.
Já Schumann foi importantíssimo e germanicíssimo elemento de ligação entre Beethoven, Weber e Schubert e tudo aquilo que viria a seguir na música alemã, aí compreendido um Brahms praticamente por ele “inventado”, tendo sido autor de uma vasta e variadíssima obra em que avultam sinfonias de boa feitura, o maravilhoso quinteto para piano e cordas, o célebre concerto para piano, o famoso “Carnaval” para piano, o concerto para violoncelo e uma estupenda série de Lieder que se inscrevem entre o que de melhor se compôs no gênero. Dele também muito teremos a dizer neste seu bicentenário.
Esta é uma saudação sucinta e despretenciosa sobre esses dois nomes proeminentes da música. Não pode o “movimento” deixar de tocar as suas trombetas anunciando o bicentenário de tão importantes compositores.
Agora peço licença para ir ouvir em DVD o Lied Mondnacht, de Schumann, cantado por Regine Crespin, com Wustmann ao piano. Em seguida, já na agulha, uma sonatinha de Chopin com o Benedetti Michelangeli. Que estupendo início de ano!!!
MARCUS GÓES – 1º DE JANEIRO DE 2010
Autor Marcus Góes
em 3/1/2010
Opinião dos internautas___________
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