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movimento.com - Curiosidade: A <i>pegadinha</i> de Fritz Kreisler Curiosidade

A pegadinha de Fritz Kreisler



O vienense Fritz Kreisler (1875-1962) foi um dos maiores violinistas que o mundo já conheceu e suas criações “Liebesleide” (Sofrimento de amor), e “Liebesfreude” (Alegria de amor), são as mais executadas e conhecidas do público.

A história de seu sucesso gerou uma controvérsia, ou uma verdadeira anedota, que serviu para “pegar” grande número de críticos e “pretensos entendidos” em reconhecer estilos de compositores famosos do passado, no caso presente, do período barroco.

Nos primeiros anos de sua carreira como era ainda desconhecido, e não tendo condições de tocar seu repertório num concerto, Fritz Kreisler dava então recitais em pequenas salas onde apresentava suas próprias composições. Entretanto, havia o problema da repetição infindável de seu nome no programa e, como ele mesmo afirmava, “ninguém queria vir e ouvir suas criações musicais".

Então, para variar, Kreisler executava obras de sua lavra que eram imitações perfeitas e congeniais do estilo violinístico do “Rococó”, obras essas a que dava denominações como "no estilo de" Pugnani, Cartier, Pórpora, Couperin, Bocherini e outros. Dessa forma, essas peças eram ouvidas e interpretadas com entusiasmo por seus colegas, pois suas transcrições e composições expressavam o encanto e o gênio de uma notável personalidade musical.
A DESCOBERTA DA FRAUDE

Durante muitos anos, Kreisler esperou com paciência que os “críticos” e musicólogos”, todos aceitando suas “fraudes”, despertassem do erro e reconhecessem seu talento. As obras sob a égide daqueles nomes famosos acrescentados a elas, tornaram-se tão populares que Kreisler não teve outra saída senão publicá–las tais quais eram.

Entretanto, o “esperto” compositor colocou em muitas cópias das partituras, uma nota bem evidente onde estava escrito seu nome por extenso. Finalmente o grande mestre Vincent D"Indy observou que uma peça executada como de Pugnani, não obedecia fielmente ao estilo desse compositor, que D"Indy conhecia muito bem. Kreisler instruiu seus editores a que publicassem essas obras que ele anotara provisoriamente como “Manuscritos Clássicos”, como composições originais suas, nos seus catálogos de 1935.

A IRA DOS ESTUDIOSOS

Ficou como um mistério o desenvolvimento do tumulto dessa curiosidade musical que despertou a ira dos estudiosos, quando a “falsa fraude” foi trazida à luz, produzindo grande celeuma nos meios musicais. Apesar dessa ira despertada nos críticos e entendidos, que tiveram que “engulir” a “fraude”, o caso Fritz Kreisler foi uma advertência: foi muito fácil imitar o estilo instrumental do “Rococó”, porque a maioria dos ouvintes só prestava atenção a sinais exteriores daquele estilo, cheio de ornamentos e arabescos, levando muita gente a reconhecer como “mozartianas”, muitas obras do século XVIII.

Fritz Kreisler, homem simples, generoso e alegre e suas músicas, permanecem no repertório atual, como obras excepcionais, e seu exemplo, pode servir até nossos dias como realmente, uma “advertência” a muito “entendido” ou “pseudo erudito” que exista por aí...


Autor Aristides A. J. Makowich
em 26/6/2009


Opinião dos internautas___________

Muito bom artigo. Serve também como advertência àqueles que, conhecendo apenas o prin...
Antonio Campos Monteiro Neto em 26/6/2009
Brasília - DF


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