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movimento.com - Curiosidade: O coral mais antigo em funcionamento no Brasil.
Curiosidade
O coral mais antigo em funcionamento no Brasil.
Sociedade Santa Cecília de Estrela/RS: “o coral mais antigo em funcionamento”
Não temos conhecimento de um senso ou pesquisas a respeito dos corais no Brasil que possam concluir sobre aspectos como a trajetória dos corais desde a colonização européia, sua história e seu legado. A atividade coral foi intensa em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e também na região das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, por exemplo. Mas o que destas atividades corais permanecem vivas até hoje? Ou, que elementos da atividade coral destes tempos nos influenciam no século XXI?
Mesmo com poucas informações sobre o assunto, ouve-se falar aqui e ali sobre o coro mais antigo em funcionamento, e começam aparecer nomes e localidades. Há poucos meses estive num encontro de coros em Lajeado/RS onde se apresentou um coro masculino com mais de cento e vinte anos de atividades. Em Novo Hamburgo há um coro também bastante antigo, na região de Panambi também, e assim nossa curiosidade se aguça em busca de dados concretos sobre o assunto.
Na região do Vale do Taquari, entre as cidades de Teutônia, Lajeado, Arroio do Meio, Estrela e Bom Retiro, provavelmente está uma das maiores concentrações de corais do mundo, se considerado o número de coros por habitante. Em Estrela são cerca de vinte e cinco e Teutônia cerca de cinqüenta coros, só para citar duas cidades bem pequenas. Também de colonização alemã, já na região da Serra, Nova Petrópolis tem a maior quantidade de corais, em torno de sessenta e cinco!
Até o momento, do que temos conhecimento e acesso aos documentos originais e história comprovada, concluímos que o Coral da Sociedade Santa Cecília da Paróquia de Estrela/RS é o coro mais antigo em atividades ininterruptas no Rio Grande do Sul, e possivelmente em todo o Brasil.
Em 25 de abril de 1876, setenta e dois paroquianos, juntamente com o Vigário Padre Francisco Schleipen, quando Estrela ainda pertencia ao município de Taquari, criaram a Sociedade Santa Cecília, cujo motivo fundamental era fazer um coral aos moldes dos Corais Cecilianos Universais, fundados com a permissão dos bispos alemães, principalmente para “incrementar um canto digno de Igreja para a maior honra de Deus e a misericórdia dos crentes”.
Assim reza o primeiro artigo dos estatutos originais manuscritos em língua alemã de estilo gótico. Segundo o professor de história do município, Sr. Leônidas Erthal (que é um grande incentivador e defensor da atividade coral gaúcha), provavelmente o Coral Santa Cecília é ainda muito mais antigo do que afirma seu estatuto, conclusão que ele tira da análise de outros aspectos da época, que levam a crer que o Coral já estava em pleno funcionamento quando decidiu se organizar numa Sociedade e formalizar com estatutos e documentos, casualmente na mesma época em que se estava fundando a própria cidade de Estrela.
Algumas particularidades da época nos chamam a atenção, como: todos os cantos a serem ensaiados deveriam ter o deferimento do presidente (Vigário). As assembléias eram mensais, sempre no primeiro domingo às quatorze horas. Os ensaios eram realizados a cada domingo uma hora antes da missa, nas assembléias gerais e cada quarta-feira antes da lua cheia, às dezenove horas.
Neste ano de 2008, o Coral completou cento e trinta e dois anos de atividades, sobrevivendo a várias gerações, muitas delas conturbadas, como o período das grandes guerras mundiais, mas a Sociedade conseguiu perseverar em bom estado os estatutos originais e muitas partituras em latim e alemão dos séculos XIX e XX. Entre os documentos antigos arquivados encontram-se as atas e o livro caixa da época da fundação.
Hoje, a Sociedade conta com aproximadamente quatrocentos e trinta sócios. Mantém um coral formado por cerca de vinte cantores, um organista e um regente, apresentando-se todos os primeiros domingos de cada mês na missa transmitida pelo rádio às dezenove horas, na Igreja Matriz de Estrela. Ocasionalmente participa de festivais e encontros de coros, festas e outros eventos. Por anos seu regente foi Décio Gauer, com o qual tive a oportunidade de dividir o palco algumas vezes, e seu atual regente é Tiago Garcia.
No Rio Grande do Sul, especialmente, a colonização alemã durante nos séculos XIX e XX impulsionou a atividade coral de maneira muito forte, e se tivermos a oportunidade de assistir um “baile de corais” (evento freqüente na região do Vale do Taquari/RS em que se apresentam cerca de 20 corais numa mesma noite), poderemos observar que se mantém muito viva a tradição coral colonial, com suas interessantes particularidades.
Texto: Marcio Buzatto, compositor e regente
Colaboração: Prof. Leônidas Erthal
Marcio Buzatto
Bacharel Regência e Composição Musical
Maestro Coral da UFRGS e Coro da URI-Erechim
Coord. Departamento de Regentes FECORS
Autor Colaborador
em 24/10/2008
Opinião dos internautas___________
Olá, fiquei feliz em ver esta matéria sobre o coral mais antigo do Brasil. Faço parte... 
Felipe Bohn Santos em 19/12/2008
Gaspar - SC
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