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movimento.com - Curiosidade: Paganini, um gênio e virtuose diabólico!
Curiosidade
Paganini, um gênio e virtuose diabólico!
Niccolo Paganini (1782-1840) era uma figura mais que estranha: magro e macilento, parecia sustentar a custo a sobrecasaca negra que usava. Sua longa cabeleira escura, o rosto estreito e anguloso, o grande nariz adunco e as órbitas cavadas, sóbrias, davam-lhe uma aparência espectral, senão, diabólica. O ar cadavérico, o sorriso indecifrável e a assombrosa técnica violinística que não se via desde os tempos de Pietro Locatelli há cem anos, originaram ao longo dos anos, uma infinidade de lendas que lhe atribuíam poderes sobrenaturais e satânicos. Mesmo sem ser diabólico como afirmavam as lendas, Paganini foi um personagem fantástico, um talentoso encenador (técnica que ensinou ao jovem Franz Liszt), um brilhante compositor e o primeiro dos extraordinários virtuoses que eletrizaram a Europa Romântica.
UM VIRTUOSE ESPERTO
Em l801, celebrava-se na catedral de Lucca, cidade natal de Paganini, uma solene missa cantada, quando um rapaz de feiúra incomum iniciou um bizarro concerto ao violino, imitando canto dos passarinhos, o som de flautas, trompas e outros instrumentos imagináveis. Os oficiantes ficaram pasmos e os fiéis, esquecendo-se que assistiam a uma cerimônia sacra, expandiram-se em sonoras gargalhadas, divertindo-se com o imprevisto artista.
Pouco tempo depois, o mesmo estranho violinista apresentou-se num ofício religioso noturno e de novo subverteu a função, contagiando com sua música os presentes na igreja e provocando tamanha algazarra, que os frades tiveram que deixar os coro às pressas para restabelecer a ordem no recinto. Fervilhavam comentários pela cidade e um crítico observou que o desabusado artista não revelava “critério algum nem juízo musical”. Essa porém, não foi a opinião das autoridades de Lucca que nomearam Niccolo Paganini “Primeiro Violino da República Luquesa”, cargo honroso que, além de permitir a continuação de seus estudos musicais, lhe dava ainda liberdade para apresentar-se em outras cidades da região da Toscana.
UM “TRAPALHÃO” GENIAL
Numa dessas apresentações, em Livorno, o rapaz pisou num prego quando subia ao palco e, como coxeasse ao entrar em cena, foi recebido com risadas. Ao aproximar-se da estante de partituras, novo azar: derrubou o castiçal no chão, provocando novas risadas. E, como se fosse parte de um plano, assim que correu o arco pelo violino, rompeu-se uma das cordas: desta vez uma tempestades de risos e vaias inundou o auditório.
Imperturbável, Paganini empreendeu a execução de seu recital em três cordas apenas. Surpresa geral! O alarido extinguiu-se: a mestria do instrumentista captou a atenção da assistência que ouviu reverentemente a obra inteira, erguendo-se no final para aplaudir de pé o notável desempenho. Por todos esses fatos, acreditava-se que Paganini tivesse um pacto com o demônio e, por isso, após a sua morte, seu corpo foi sepultado provisoriamente em Nice. Pessoas que passaram no cemitério no dia seguinte, contaram que haviam visto, pairando sobre os túmulos, um velho magro, macilento de aspecto diabólico, tocando violino como homem algum seria capaz... A partir daí, seus restos mortais circularam de cemitério em cemitério até que, finalmente em 1896, concederam-lhe um túmulo definitivo no novo cemitério de Parma, graças a uma concessão especial do Papa.
Nota: Recentemente o famoso violinista Itzaak Perlman usou o mesmo estratagema da corda rompida de seu violino executando a obra proposta até seu final e, aproveitando o acidente, transmitiu belíssima mensagem ao público que se fazia presente.
Autor Aristides A. J. Makowich
em 11/8/2008
Opinião dos internautas___________
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